Médicos alertam para barreiras e atrasos no acesso à saúde de doentes alérgicos

A Ordem dos Médicos alertou esta terça-feira, 28 de abril, para as barreiras e atrasos no acesso à saúde de quem tem doenças alérgicas e apontou a desatualização da rede de referenciação hospitalar e a não comparticipação da imunoterapia com alergénicos.

© D.R.

Em comunicado, a Ordem dos Médicos (OM) diz que estas “duas falhas estruturais” criam desigualdades e adianta que já informou destas preocupações e pediu medidas urgentes ao Ministério da Saúde, à Direção Executiva do SNS e ao Infarmed.

Lembra que a rede de referenciação existente deveria ter sido revista em 2023, tal como determina a Lei, “mas nada foi feito” e que o atual documento orientador está desajustado face à nova organização hospitalar do Serviço Nacional de Saúde, utiliza dados populacionais antigos e mantém limitações que dificultam a realização de exames e tratamentos.

A OM avisa que estas restrições aumentam as listas de espera, obrigam doentes a “deslocações desnecessárias” e “prejudicam a formação de novos especialistas numa área com carência de profissionais”.

Citado no comunicado, o bastonário da OM, Carlos Cortes, considera que o atraso na revisão da rede de referenciação “está a criar desigualdades e a limitar a capacidade de resposta do SNS” e alerta para a urgência da sua atualização.

“A atualização permitirá corrigir limitações injustificadas e alinhar a organização dos serviços com as necessidades reais dos doentes”, afirma o bastonário.

Além disso, considera ainda urgente resolver o tema da comparticipação da imunoterapia com alergénios, um tratamento que a OM recorda que “não se limita a aliviar sintomas”.

Segundo explica, este tratamento atua na causa da doença alérgica e pode alterar a sua evolução, dando como exemplo a alergia a picadas de abelhas ou vespas, pois “reduz em mais de 90% o risco de reações graves, incluindo anafilaxia”.

A este respeito diz que o facto de a maioria dos doentes ter de suportar todos os custos deste tratamento impede muitos de o iniciar ou manter.

Citado também no comunicado, o presidente do colégio da especialidade de Imunoalergologia, Daniel Machado Oliveira, sublinha que “a imunoterapia é eficaz, segura e evita complicações graves” e defende que a comparticipação do tratamento é “uma medida de equidade e de saúde pública”.

O especialista diz ainda não ser aceitável que um tratamento que previne reações potencialmente fatais esteja acessível apenas a quem o pode pagar.

Esta alerta da OM surge num momento de particular intensificação das doenças alérgicas, numa altura em que Portugal continental regista concentrações elevadas de pólen em quase todo o território.

As doenças alérgicas afetam mais de 30% da população portuguesa: a rinite alérgica atinge cerca de 25% dos portugueses, a asma afeta 7,1% dos adultos – o que corresponde a aproximadamente 700 mil pessoas – e 8% a 9% das crianças e adolescentes.

A OM lembra igualmente que sete em cada 10 doentes asmáticos não têm a doença controlada e aponta estimativas que indicam que entre 75 mil e 150 mil portugueses estejam em risco de anafilaxia, uma reação alérgica grave e potencialmente fatal.

A Organização Mundial da Saúde classifica as doenças alérgicas como uma das epidemias não transmissíveis do século XXI, fenómeno agravado pelas alterações climáticas, pela poluição atmosférica e pelo prolongamento das estações polínicas.

Por tudo isto, a OM defende que a revisão da rede de referenciação e a comparticipação da imunoterapia com alergénios são medidas essenciais para garantir qualidade assistencial, reduzir desigualdades e reforçar a sustentabilidade do SNS e reafirma a sua disponibilidade para colaborar com todas as entidades oficiais.

Últimas do País

Mais de cem professores da zona de Lisboa foram convocados para classificar exames nacionais, mas estavam de férias ou baixa médica, revelou hoje o ministro da Educação, que insistiu na necessidade de um novo modelo de seleção.
O número de sinistros participados devido ao mau tempo que atingiu o país no início do ano ultrapassou os 219 mil, anunciou a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que estima um custo total de 1.400 milhões de euros.
O presidente do CHEGA revela que desapareceram documentos e duas 'pens' com informação relacionada com a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves e com o gabinete do primeiro-ministro. A Polícia Judiciária está a investigar.
A GNR deteve, nos primeiros quase sete meses deste ano, 155 suspeitos da prática do crime de incêndio florestal, depois de em 2025 ter registado 5.301 crimes ligados a este delito, foi revelado esta terça-feira.
O incêndio em Rochoso, Guarda, que começou às 13:51 de segunda-feira, tem três frentes ativas hoje de manhã, que estão a ser combatidas por 320 operacionais, 90 viaturas e 11 meios aéreos, disse a Proteção Civil.
Cerca de 300 pessoas tiveram de ser retiradas das suas habitações hoje de noite, em Setúbal, devido a um incêndio num estacionamento subterrâneo, onde arderam seis veículos, disse à Lusa fonte da proteção civil.
Documentos espalhados pelo chão, mobiliário remexido e evidentes sinais de intrusão. Foi este o cenário encontrado, na manhã desta terça-feira, no gabinete do presidente do CHEGA, André Ventura. O caso surge poucas horas depois de o líder do partido ter exigido, em entrevista à CMTV, um maior escrutínio sobre os casos polémicos que envolvem o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
O Ministério da Educação registou até agora 15 mil pedidos de reapreciação de prova, mais do dobro dos 6.200 pedidos registados na primeira fase do ano passado, anunciou hoje o ministro.
Um homem de 31 anos suspeito de ter matado um primo, de 52, no concelho de Ansião, no domingo à noite, foi detido, disse hoje fonte do Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana (GNR).
Suspeito de 34 anos agrediu violentamente uma jovem antes de enfrentar os agentes chamados à ocorrência. Acabou algemado e detido.