“Este programa consegue essa coisa extraordinária, consegue ser um conjunto vasto de operações, de anúncios, de ‘marketing’, que não se diferencia muito dos planos extraordinários que tivemos para a saúde em 60 dias, dos planos que eram apresentados pelo Partido Socialista para lutar contra as várias calamidades, sem nenhuma concretização evidente”, afirmou.
Esta posição foi transmitida por André Ventura em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, pouco depois de o primeiro-ministro ter apresentado publicamente o PTRR, que vai ter um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros e um horizonte temporal de nove anos.
O presidente do CHEGA considerou que “os portugueses começam a ficar um pouco fartos de planos com valores”, mas “sem qualquer definição de prazos, de concretização e sequer de suporte de custos e de divisão de custos” e afirmou que há certas propostas do PTRR que “nem sequer se sabe por que entidades vão ser custeadas”.
“O que é que vai ser o resultado disto? Nada vai ser feito, porque quando não se define quem vai pagar, como e em que calendário, o mais provável deste governo e dos outros que tivemos é que não seja feito absolutamente nada sobre isto, e isto é muito lamentável”, alegou.
André Ventura considerou também que o Governo não definiu prioridades e defendeu que o era necessário “definir estratégias, definir as prioridades e avançar nelas”.
O líder do CHEGA afirmou igualmente que há “um acréscimo de burocracia” no PTRR, referindo que é o contrário do que o Governo tinha prometido, e considerou que o programa vai trazer mais endividamento às famílias e às empresas.
“É, num certo sentido, um desprezo e uma traição às pessoas que sofreram estas consequências, mas sobretudo ao país que esperava um plano ambicioso de reformas e capaz de verdadeiramente transformar a resiliência que Portugal tem”, criticou.
O programa ‘Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência’ (PTRR) vai ter um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros e um horizonte temporal de nove anos.
O montante global de 22,6 mil milhões de euros está dividido entre fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos europeus (19%), de acordo com um documento síntese distribuído na apresentação que decorreu no Pavilhão de Portugal, em Lisboa.