Ventura exige “ações imediatas” como ‘task force’ e isenção para reapreciações de exames

O presidente do CHEGA afirmou que "tudo correu mal" neste modelo de digitalização da correção dos exames e atribuiu a responsabilidade máxima ao ministro da Educação.

© Folha Nacional

André Ventura falava em conferência de imprensa na sede nacional do partido, depois de se ter reunido com os deputados e assessores do CHEGA responsáveis pela área da Educação, considerando que “tudo correu mal” neste modelo de digitalização da correção dos exames e atribuiu a responsabilidade máxima ao ministro da Educação.

Questionado por que não pede, para já, a demissão de Fernando Alexandre, o líder do CHEGA considerou que, neste momento, o essencial é que responda aos problemas criados aos alunos, famílias e professores.

“O ministro terá de ser responsabilizado por isto. Dizer simplesmente: pegue em tudo o que correu mal e vá embora é deixar que o problema persista. Quem cria os problemas tem de ser homenzinho para os resolver antes de sair, se vier a decidir ou se for decidido que tenha de sair”, afirmou.

Além da criação de uma ‘task force’, com representantes de vários setores, do alargamento dos prazos de acesso ao ensino superior e da isenção das taxas para a reapreciação, Ventura pede também que seja explicada a época especial esta segunda-feira anunciada por Fernando Alexandre, que acusou de “juntar o caos ao caos”.

Acompanhado por deputados e dirigentes do partido com responsabilidades na área da Educação, André Ventura considerou que o ministro, na conferência de imprensa que deu, não tenha oferecido ao país “uma resposta, uma esperança e também uma justificação”.

“Este foi um dos processos mais desastrosos de sempre que um governo levou a cabo no âmbito da educação”, disse, lamentando que o executivo não tenha ouvido os alertas feitos quer pelo CHEGA quer por vários representantes do setor.

Sem discordar do modelo de digitalização em si, Ventura acusou o Governo de ter agido contra os avisos resultantes do teste piloto feito no ano passado e com “absoluta imprudência e absoluta irresponsabilidade”.

O líder do CHEGA apontou “erros massivos” ao processo, que contagiaram toda a avaliação, mas defendeu que a prioridade deve ser “resolver problemas às famílias, aos pais, aos alunos, aos professores”, propondo quatro medidas imediatas.

A isenção do pagamento dos 25 euros para a reapreciação dos exames foi apontada por Ventura como “uma questão ética e moral”, dizendo que “não faz absolutamente sentido nenhum que o Estado assuma o erro, mas continue a encher os bolsos e a enriquecer com esse erro”.

O alargamento dos prazos para o concurso nacional de acesso à primeira fase de candidatura ao ensino superior foi outra das medidas defendidas, com a justificação de que os problemas aconteceram por “um erro de organização do Estado, com o Governo à cabeça da responsabilidade”.

“Manter os prazos de acesso ao ensino superior, quando falhámos a montante com os alunos durante esta fase, é penalizar os alunos por uma responsabilidade que não é deles”, disse.

Ventura considerou, por outro lado, que não ficou claro o que vai ser a época especial de candidaturas à segunda fase de acesso ao ensino superior anunciada pelo Governo, desafiando o Governo a explicar melhor.

“O Governo deve criar, desde já, uma força conjunta, uma organização conjunta, uma ‘task force’, capaz de analisar milhares ou centenas de milhares de pedidos de reapreciação de provas e organizá-los e corrigi-los de forma rápida e eficaz para garantir que mais ninguém é prejudicado por esta situação”, defendeu, por último.

Ventura reiterou que o CHEGA não afasta acompanhar a proposta de inquérito parlamentar proposta pelo BE, mas considerou que uma investigação que “só pode começar em outubro ou novembro” não é o modelo mais indicado para resolver os problemas imediatos.

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