Falta de meios de prisão do Porto impede julgamento de “especial complexidade”

©D.R.

A falta de meios do Estabelecimento Prisional do Porto para transportar dois arguidos até ao Tribunal de Viseu impediu hoje o início da produção de prova num processo de “especial complexidade”, que envolve 17 arguidos e 133 crimes.
Os arguidos estão acusados de burla qualificada, falsificação de documento e detenção de arma proibida (sendo imputadas mais de duas dezenas de crimes à maior parte deles), num processo relacionado com compra de veículos automóveis de gama alta, constituído por cerca de 40 volumes de processado e inúmeros apensos.

Depois de uma sessão realizada em janeiro, na qual foram identificados os arguidos, há duas semanas foi adiado o início da produção de prova, uma vez que os oficiais de justiça do Juízo Central Criminal de Viseu aderiram à greve iniciada no dia 15 de fevereiro.

O coletivo de juízes queria que hoje não voltasse a repetir-se o adiamento e, na terça-feira, emitiu um despacho a referir que se impunha a realização da audiência e que todos os intervenientes processuais deveriam ser prevenidos, de forma a evitar a sua falta de comparência.

Como foi informado de que todos os oficiais de justiça em exercício de funções no Juízo Central Criminal se encontram em greve, o coletivo emitiu hoje um novo despacho, a frisar ser imperioso que se realizasse a audiência de julgamento.

No seu entender, há motivos que se sobrepõem ao legítimo direito à greve dos oficiais de justiça, como o facto de se tratar de um processo com 17 arguidos, dos quais seis se encontram em prisão preventiva, havendo um prazo que termina no dia 28 de novembro e outros em julho e agosto do próximo ano.

No mesmo despacho, são referidos outros dois processos com prazos máximos de prisão preventiva de dezembro deste ano e de agosto do próximo ano.

O coletivo considerou que, pela sua natureza, gravidade, quantidade de crimes imputados e de arguidos abrangidos, os três casos provocam um intenso alarme social, podendo ser colocada em risco a efetividade da justiça penal.

Apesar deste segundo despacho de hoje – que alertava para as circunstâncias extraordinárias que levaram a que, neste momento, seja inadiável e urgente avançar com o julgamento — a audiência acabou por não se realizar.

Para a sala de audiência entraram oito arguidos que estão em liberdade e quatro detidos, os respetivos mandatários, familiares e jornalistas, mas o juiz presidente disse que, através de um email enviado às 08:59 de hoje, o Estabelecimento Prisional do Porto informou não ter meios para transportar os dois arguidos.

Por considerar “inultrapassável a falta destes arguidos” na sessão, o início de produção de prova foi adiado para a próxima sexta-feira.

Segundo a acusação, pelo menos desde outubro de 2019, doze dos arguidos engendraram um plano para ludibriarem pessoas que colocavam carros de gama alta (de marcas como Ferrari, Porsche e Mercedes) à venda em sites da Internet (Olx e Standvirtual).

Os arguidos faziam as vítimas crer que estavam interessados em comprar os veículos, fazendo-se passar por pessoas com posses e profissões de relevo, para assim se apropriarem deles sem os pagarem.

A acusação refere que os proprietários dos carros eram selecionados por área geográfica (Trás-os-Montes, Leiria, Lisboa, Setúbal, Alentejo, Algarve) para rentabilizar as despesas e as deslocações dos arguidos e os contactos feitos através de telemóveis com cartões pré-pagos.

Depois de conseguirem fechar o negócio, enviavam às vítimas um comprovativo de transferência bancária que não passava de uma fotomontagem de documentos semelhantes aos das instituições bancárias e, antes que os donos dos carros se apercebessem de que tinham sido enganados, o registo de propriedade já tinha sido alterado.

Os veículos seguiam depois para Espanha, para serem rapidamente vendidos, através de negócios aliciantes para os potenciais compradores, e legalizados com chapas de matrícula daquele país, num trabalho que contou com a conivência pessoas ligadas a esse ramo.

Últimas do País

O CHEGA vai propor a constituição na Assembleia da República de uma comissão parlamentar de inquérito à Operação Influencer para “verificação de atos de corrupção” no último Governo de António Costa.
As autoridades policiais encontraram hoje um cadáver na Ria Formosa, em Faro, depois de um alerta de populares que se encontravam na zona, disse à agência Lusa uma fonte policial.
A época balnear inicia-se hoje em 13 praias do concelho de Cascais e em quatro da Região Autónoma da Madeira, decorrendo a abertura das restantes de forma progressiva, segundo uma portaria publicada em Diário da República (DR).
A GNR deteve três homens e apreendeu dois milhões de cigarros sem estampilha fiscal obrigatória, nem documentação que comprovasse a sua origem legal em Guimarães, anunciou hoje a força policial.
O SNS 24 emitiu cerca de 1,5 milhões de autodeclarações de doença nos primeiros três anos do serviço, correspondendo a cerca de 1.350 declarações por dia, segundo um balanço dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).
O Fundo de Garantia Automóvel (FGA) registou 4.873 novos processos de sinistros em 2025, mais 9% face a 2024, e pagou 11,99 milhões de euros em indemnizações, menos 4%, divulgou hoje o regulador.
A Polícia Judiciária (PJ) dos Açores realizou buscas na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) no âmbito da operação “Linha Direta”, que investiga crimes de abuso de poder, recebimento indevido de vantagem e corrupção.
O número de crianças nascidas em Portugal aumentou 3,7% no ano passado, para 87.764, sendo que cerca de um terço dos bebés são filhos de mães estrangeiras, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
O arquivamento continua a ser o desfecho mais comum nos processos de corrupção e infrações conexas, que em 2025 se iniciaram em cerca de 40% dos casos com base em denúncias anónimas, segundo dados oficiais hoje divulgados.
O Tribunal de Leiria decidiu hoje proibir duas mulheres detidas por suspeitas de maus tratos a idosos de exercer a atividade, após o encerramento do lar ilegal em Peniche a que estavam ligadas, disse fonte da GNR.