PSD e PS unem-se para afastar CHEGA do governo

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O presidente do PSD, Luís Montenegro, proferiu declarações numa entrevista recente à CNN Portugal onde parece rejeitar qualquer coligação de governo, ou apoio parlamentar, com o partido CHEGA.

Nessa entrevista, Montenegro desafia o PS a dizer o que fará “se algum dos dois maiores partidos não tiver maioria absoluta” e explicar se está disponível a viabilizar um executivo minoritário do PSD, colocando nas mãos do PS a responsabilidade de aprovar um governo minoritário social-democrata, excluindo o CHEGA da equação.

Por outro lado, no caso de o partido CHEGA obter uma votação muito expressiva, o PS estará mesmo disponível para apoiar uma solução de bloco central, colocando assim em causa o princípio da alternância em democracia.

Acresce ainda que uma fonte do Palácio de Belém, ao que tudo indica, teria informado o jornal Expresso que Marcelo “quer avaliar se Costa já atingiu ponto de não retorno e resistirá a dissolver se alternativa PSD depender do CHEGA”, obrigando Montenegro a demarcar-se do partido de André Ventura.

O líder do CHEGA, perante estas notícias, apelou ao Presidente da República para não ser “oposição à oposição” e desafiou Luís Montenegro a “desamarrar-se” de Marcelo Rebelo de Sousa e a decidir autonomamente sobre soluções de governo à direita. Pediu ainda ao Presidente da República para “deixar claro que em caso de eleições ou de dissolução da Assembleia da República não vai obstacularizar a solução que aritmeticamente parece ser a única possível”.

Entretanto, Ventura foi recebido em audiência por Marcelo Rebelo de Sousa, tendo perguntado diretamente ao Presidente da República se estaria contra uma solução governativa da qual o CHEGA fizesse parte, tendo recebido a garantia deste de que não teria nada a opor.

Já relativamente ao PSD, Ventura não tem dúvidas e acusou o partido de “prostituir-se ao PS em vez de aceitar um entendimento à direita”. “Os mesmos que eles dizem combater, os mesmos que eles dizem ter-nos levado a uma inflação histórica, a um desemprego histórico, a uma impunidade histórica, são os mesmos de quem eles aceitam o apoio para governar caso precisem do CHEGA nessa equação parlamentar. Ou seja, PSD decidiu prostituir-se ao PS em vez de aceitar um entendimento à direita”, criticou Ventura, no seu discurso nas jornadas parlamentares do partido que decorreram em Évora.

O presidente do CHEGA, que deixou as fileiras sociais-democratas para fundar o seu atual partido, disse sentir vergonha de um “PSD que não consegue descolar do PS, que não consegue distinguir-se do PS e não consegue perceber que os tempos mudaram e que é preciso uma mudança estrutural em Portugal”.

“Durante muito tempo, muitos de nós tínhamos pensado que o PSD podia um dia ser um parceiro nessa alternativa de Governo e um parceiro nessa mudança de paradigma. Da minha parte, cada vez estou mais convencido, e agora especialmente, de que essa alternativa já não pode contar nem com sociais-democratas, nem com liberais, nós temos mesmo que liderar a oposição em Portugal, nós temos mesmo que liderar as eleições para conquistar o Governo de Portugal”, defendeu.

André Ventura estabeleceu como meta “até ao final do ano, até ao primeiro trimestre do próximo ano” o CHEGA “superar o PSD e liderar essa alternativa à direita”.

Na entrevista à CNN Portugal, o presidente do PSD rejeitou que o partido possa fazer acordos de Governo ou ter o apoio de “políticas ou políticos racistas ou xenófobos, oportunistas ou populistas”, o que motivou críticas de André Ventura pelo facto de Montenegro não esclarecer se se referia ao CHEGA, afirmando que “é a direita mais maricas dos últimos anos”. Disse, contudo, que Montenegro “sempre que fala, fala do CHEGA”.

“Nós não estamos a lutar para ser membros do Governo, não estamos a lutar para ser o segundo partido da coligação, nós estamos, nós vamos, nós querermos lutar para ser o partido que vai liderar a coligação de direita em Portugal de oposição ao PS”, declarou.

Sobre o PS, André Ventura afirmou que está “a conseguir agregar todos os outros contra um único partido de oposição no parlamento, que é o CHEGA” e acusou os socialistas de tentarem “desvalorizar o parlamento, os grandes debates, os grandes momentos” e “torná-los em debates menores ou pouco significativos”.

“Desvalorizar o parlamento e a democracia tornou-se para o PS uma pedra fundamental da sua ação, porque ao desvalorizar o parlamento desvaloriza a oposição, ao desvalorizar a oposição desvaloriza o sentimento que hoje a maioria dos portugueses tem de que este governo já não serve e já não funciona para aquilo que os portugueses verdadeiramente precisam”, defendeu.

André Ventura considerou ainda que o presidente do PSD “se arrependerá a breve trecho” de dizer “que as alternativas são o PS ou uma parte da direita e nunca toda” porque “o que disse aos portugueses foi para não contarem com estabilidade à direita”.

“Tudo certo, cada um submete-se ao que se quer submeter, é importante é que não se minta ao país”, salientou.

*Com Agência Lusa

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