Ex-presidente do TC diz que juízes por substituir foram caluniados

© Tribunal Constitucional

O ex-presidente do Tribunal Constitucional João Caupers considerou que houve uma “campanha absolutamente inacreditável” da comunicação social, feita de “calúnias e difamações”, contra os juízes-conselheiros que estavam por substituir.

“Queria fazer uma referência à penosidade que esta circunstância comportou para todos os três juízes que foram substituídos no Tribunal porque, como todos foram testemunha, fomos objeto de uma campanha, em alguns meios de comunicação social, absolutamente inacreditável, com calúnias e difamações pelo caminho”, afirmou o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC).

João Caupers falava no Palácio de Belém, em Lisboa, pouco depois de ter sido condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.

A cerimónia de condecoração do ex-presidente do TC decorreu logo depois de o Presidente da República ter dado posse aos três novos juízes do TC – Carlos Carvalho, Rui Guerra da Fonseca e João Carlos Loureiro – em substituição de Lino Ribeiro, Pedro Machete e do próprio Caupers, que já tinham terminado o seu mandato mas mantinham-se em funções enquanto não eram escolhidos os seus sucessores.

Na sua curta intervenção, João Caupers lamentou que houvesse quem tivesse considerado que os três juízes que já tinham terminado o mandato tinham o poder de se substituir a si próprios e designar os seus sucessores.

“Só assim se compreende que nos tenham responsabilizado pelo tempo que se passou. Não foi assim, e nós mantivemo-nos a exercer funções até hoje e só por isso é que o Tribunal pôde manter o seu funcionamento regular”, frisou, acrescentando que, se tivessem renunciado aos seus cargos, “o tribunal teria ficado semi-paralisado”.

O ex-presidente do TC frisou assim que queria partilhar a “honra da condecoração” com Lino Ribeiro e Pedro Machete – que também estiveram presentes na Sala dos Embaixadores, onde decorreu a cerimónia -, salientando que ainda “estiveram mais tempo” do que ele próprio à espera de ser substituídos.

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa também aludiu à situação dos três juízes que estavam por substituir, salientando que “por vezes surge, na sociedade portuguesa, uma visão do TC que não corresponde à realidade”.

“É bom que os portugueses tenham a noção de que não há soluções perfeitas na designação dos titulares deste órgão em nenhum país do mundo e que há sempre contingências, as mais variadas”, frisou.

O Presidente da República explicou que, no caso português, foi encontrada uma “solução imaginativa, decorrente de um contexto muito preciso”, acrescentando que existem outras soluções que têm vantagens, mas “não deixam de ter também as suas vicissitudes”.

“Na experiência europeia, sucede que a substituição de titulares às vezes é muito longa e difícil, sobretudo porque, nalguns casos, participam outros órgãos de soberania que tornam esse processo às vezes incompreensível para quem vê de fora”, disse.

Marcelo deu o seu próprio exemplo, salientando que, quando foi líder do PSD (1996-1999), também experienciou uma situação em “que se impunha a substituição de titulares do TC”, tendo igualmente decorrido um “período longo e não fácil” até se chegar a um consenso.

“Era um contexto, apesar de tudo, menos sujeito ao escrutínio público e menos sujeito, naturalmente, ao juízo que incide [hoje] sobre o TC”, frisou.

Sobre a condecoração de João Caupers, Marcelo destacou a sua personalidade “muito independente, irreverente às vezes, muito original, muito criativa, muito determinada, e também muito empática”, salientando o seu “serviço à causa pública em funções muito diversas”.

“Esta condecoração não é um pró-forma, é um agradecimento por essa dedicação que culminou no serviço da pátria num órgão fundamental da nossa orgânica político-constitucional”, sublinhou.

Marcelo República destacou ainda que Caupers assumiu a presidência do TC num momento “difícil e complexo, como é sempre hoje o da função jurisdicional, nestes tempos vertiginosos em que os desafios são múltiplos e, no TC, particularmente relevantes e difíceis”.

A Lei Orgânica do Tribunal Constitucional estabelece que o TC “é composto por 13 juízes, sendo 10 designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes”.

O mandato dos juízes tem uma duração de nove anos, “contados da data da posse”, cessando “funções com a posse do juiz designado para ocupar o respetivo lugar”.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Líder do CHEGA fala em “governação de improviso”, acusa Executivo de esconder falhas no SIRESP e diz que famílias continuam abandonadas meses após os estragos provocados pelas tempestades.
O presidente do CHEGA disse que vai tentar, na especialidade, "corrigir o que está mal" na reforma do Tribunal de Contas, mas espera que a lei não seja aprovada em votação final global e não entre em vigor.
O índice de coincidência parlamentar revela que sociais-democratas votam mais vezes da mesma forma que o PS do que o CHEGA coincide com a votação dos socialistas na Assembleia da República.
O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.
O líder do CHEGA criticou hoje a “estratégia caricata” de Luís Montenegro de “recusar em público” as principais exigências do partido para rever a lei laboral, mas sem se excluir das negociações.
Demitiu-se do cargo, na sexta-feira, o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro. Foi o seu segundo pedido de demissão apresentado no espaço de um mês.
O presidente do CHEGA afirmou esta sexta-feira que “o bloco central de interesses” continua a impedir o apuramento da verdade sobre as FP-25, defendendo no Parlamento que Portugal continua sem conhecer toda a verdade sobre um dos períodos mais polémicos da democracia portuguesa.