Agricultores do Baixo Alentejo alertam para situação de Seca ainda mais grave e pedem apoios

© D.R.

A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) alertou o Governo para uma situação de seca “ainda mais grave” provocada pelas temperaturas altas e escassez de chuva na região e propôs medidas para o setor.

Os alertas e propostas constam de uma carta aberta, divulgada hoje pela FAABA, assinada pelo presidente desta federação de associações de agricultores, Rui Garrido, e dirigida à ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes.

Na missiva, a FAABA, com sede em Beja, admitiu que a chuva no inverno fez “antever um bom ano agrícola”, mas avisou que “as temperaturas anormalmente altas e a escassez de chuva dos últimos meses, a somar aos danos provocados pela seca de 2022, estão a gerar uma situação de seca ainda mais grave”.

“A perda total das pastagens, forragens e cereais é praticamente irreversível”, indicou, lembrando que a situação favorável no outono de 2022 levou “os agricultores a realizar mais investimentos com as culturas de outono-inverno”.

Porém, segundo esta federação, “estas forragens e cereais ou já estão secos ou estão a secar”, o que leva a “uma produtividade praticamente nula, tanto mais, que as previsões meteorológicas para os próximos 15 dias apontam para tempo quente e seco”.

A FAABA assinalou que, atualmente, “as reservas de alimentos para a pecuária são escassas ou quase nulas e a possibilidade de encontrar palha ou feno no mercado é extremamente difícil e com preços bastante altos”.

Estas dificuldades associadas ao custo das rações estão a “levar muitos agricultores a reduzir ou mesmo acabar com os seus efetivos pecuários”, disse o presidente da federação, alegando que “os fatores de produção mantêm preços extremamente elevados”.

Esta organização de agricultores antecipou ainda que o clima adverso vai criar dificuldades nos olivais de sequeiro e no montado de sobro.

Perante esta situação, a FAABA propôs o reconhecimento formal da situação de seca em toda a região para permitir o acesso aos instrumentos derrogatórios previstos na legislação, em particular no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.

A definição de um conjunto de apoios diretos aos animais e às culturas, a antecipação das ajudas de 2023, a autorização de pastoreio e corte de forragem nas superfícies de interesse ecológico e apoios em sede fiscal são outras das propostas.

A federação pediu ainda a manutenção do preço da água do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) para a atual campanha e a adaptação das dotações de rega preconizadas pela empresa do Alqueva para as diferentes culturas às necessidades do ano em curso.

Na carta, a FAABA alertou também para a situação das reservas hídricas para o regadio, destacando que os casos mais dramáticos são a bacia do Sado e do Mira com as barragens do Monte da Rocha e Campilhas praticamente ao nível do volume morto e a de Santa Clara já há três anos abaixo deste nível.

“A Associação de Beneficiários de Campilhas e Alto Sado viu-se obrigada a duplicar o preço da água na presente campanha aos poucos agricultores que podem regar para tentar evitar a sua falência, uma vez que a água provém exclusivamente do Alqueva”, adiantou.

Já no caso das associações de beneficiários do Roxo e de Odivelas, os preços da água já estão a ser ajustados há mais tempo e a atual campanha de rega “também dependerá quase exclusivamente da água proveniente do EFMA”, tal como nos últimos anos.

Sobre a Associação de Beneficiários do Mira, esta federação notou que, além dos problemas com a falta de água, existe um diferendo “de difícil resolução entre o que são as decisões da sua direção e da sua assembleia geral relativas ao rateio da água e o que são as orientações do ministério”.

A FAABA acrescentou que se solidariza e apoia as decisões tomadas pelos associados da Associação de Beneficiários do Mira.

Últimas do País

A ministra da Justiça reconheceu hoje dificuldades nas cadeias, com mais de 13.700 presos e 55 mortes só este ano, e voltou a garantir que uma ala do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) encerra ainda este ano.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) aplicou quase meio milhão de euros de coimas no primeiro semestre deste ano, referentes a 143 processos de contraordenação instaurados no âmbito da supervisão de estabelecimentos de saúde.
A Unidade Local de Saúde de São José (Lisboa) foi obrigada a rever e a reforçar os procedimentos de identificação de cadáveres, na sequência da troca de dois corpos que só foi detetada por uma das famílias no velório.
Um homem de 70 anos foi detido na terça-feira em Sintra, o distrito de Lisboa por suspeita de crimes sexuais contra quatro crianças e um crime de pornografia de menores, informou esta terça-feira a Polícia Judiciária (PJ).
Cerca de 100 empresas da Região de Leiria afetadas pela depressão Kristin têm candidaturas elegíveis à Linha Reindustrializar, mas a verba esgotou, pelo que ficaram sem apoios para a recuperação, revelou hoje a Comunidade Intermunicipal (CIM).
Os professores estão preocupados com a deterioração dos resultados dos jovens portugueses no estudo internacional PISA 2025, defendendo melhores condições para quem ensina e aprende e mais formação para a integração de dispositivos digitais no ensino.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) resgatou na sexta-feira cerca de 70 animais que se encontravam em condições inadequadas de higiene e bem-estar no interior de uma habitação em Setúbal, informou hoje aquela força de segurança.
O Ministério Público acusou dois homens, de 32 e 42 anos, e uma empresa sediada em Espanha de crimes de auxílio à imigração ilegal e angariação de mão-de-obra ilegal, no concelho de Elvas, foi hoje anunciado.
A Linha SOS Voz Amiga vai disponibilizar 48 horas de escuta contínua para assinalar o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, com um alerta para os homens com mais de 60 anos que precisam de ajuda e raramente a pedem.
Os alunos portugueses tiveram os piores desempenhos académicos de sempre na prova de Leitura do programa internacional PISA, agravando uma trajetória descendente cujos resultados representam já mais de um ano de estudo perdido.