Cereja do Fundão com quebras até 70% devido a temperaturas baixas

© D.R.

As grandes amplitudes térmicas e as temperaturas muito baixas registadas à noite durante a floração provocaram quebras até 70 % na produção da cereja do Fundão, segundo os produtores, que esperam uma fruta de qualidade e calibre superior.

Engenheiro agrónomo de Alcongosta, com pomares em várias localidades do concelho do Fundão, a maioria a sul da serra da Gardunha, Gonçalo Batista afirma ter uma diminuição na produção, em relação a um ano normal, “na ordem dos 60% a 70%”, devido às geadas verificadas em dias consecutivos no início de abril naquele município do distrito de Castelo Branco.

No caso das Frutas Quinta da Fadagosa, com cerca de 18 hectares de cereja, as variedades mais tardias são as mais afetadas, por estarem na fase final da floração quando se registaram dias de calor e temperaturas a rondar os zero graus Celcius à noite.

“O frio causa distúrbio fisiológico nas flores. A flor não aguenta essas temperaturas tão baixas, ainda por cima em dias consecutivos, e foi o frio que acabou por provocar as perdas de produção, porque se tivéssemos tido noites amenas, mesmo com temperaturas elevadas para a época, não tinha tido influência”, sublinhou Gonçalo Batista, em declarações à agência Lusa.

Além das perdas já constatadas, que também vão afetar o pêssego, o engenheiro agrónomo explicou existirem variedades que vingam, mas depois as árvores não têm consistência para segurarem o fruto e podem “alampar”, agravando os danos.

“Se uma planta se sente confortável em termos hídricos, depois do stress ela prefere preservar a parte vegetal do que a parte da descendência, que são os frutos”, explicou Gonçalo Batista, que referiu ter parcelas onde não tenciona fazer a apanha, por “não compensar os gastos com a mão de obra”.

Filipe Costa, gerente da associação de fruticultores Cerfundão, com uma capacidade instalada para a comercialização de cerca de mil toneladas de cereja num ano normal, espalhada por 300 hectares, aponta para quebras na produção “de 50% a 60% no Fundão e Cova da Beira”.

“As variedades que estavam em floração nestes períodos de amplitudes térmicas, de temperaturas muito baixas durante a noite e altas durante o dia, fizeram vingamentos mais fracos e têm uma produtividade mais baixa”, acentuou o engenheiro agrónomo e produtor, que estima uma maior quebra, no geral, “nas variedades intermédias e tardias”.

Se Gonçalo Batista, com a maioria dos pomares a sul da Gardunha, onde a produção se costuma antecipar duas semanas, já iniciou a campanha deste ano, na Cerfundão a previsão para o início das colheitas é no início da próxima semana, “dependendo da evolução das temperaturas”.

Filipe Costa antecipa “um ano muito bom em termos de qualidade degustativa da fruta”.

“É expectável que a dimensão da fruta seja maior e que o nível de açúcar da fruta também, porque temos as árvores com menos carga”, vaticinou à agência Lusa.

Gonçalo Batista, das Frutas Quinta da Fadagosa, tem a “certeza absoluta de que o potencial de calibre vai ser superior”, embora “em termos de brix”, o açúcar na fruta, e de textura, “é ainda uma incógnita, porque estamos numa fase muito incipiente”, ainda que, “normalmente, quando as árvores estão mais leves, tudo indica que a qualidade será superior”.

O gerente da Cerfundão, Filipe Costa, espera a “valorização unitária” da cereja”, para que o preço equilibre os “substanciais aumentos” dos custos energéticos, com fertilizantes e vários fatores que impactam na produção.

“É importante para a sustentabilidade da própria fileira que a fruta seja devidamente remunerada, mas aí depende do mercado e da lei da oferta e da procura”, enfatizou.

Últimas do País

A PSP vai remeter para o Ministério Público o caso de um espaço utilizado para alojamento de trabalhadores em Belas, no concelho de Sintra, sem licença e sem condições de habitabilidade, segundo informação divulgada hoje.
Uma denúncia anónima recebida esta terça-feira pelo Folha Nacional alerta para a existência de trabalhadores da Menzies sem formação adequada e garante que os partidos políticos já foram informados da situação. O alerta surge no mesmo dia em que uma falha operacional obrigou ao encerramento parcial do Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa e à repetição dos controlos de segurança de dezenas de passageiros.
O Conselho Económico e Social defende que devem ser acautelados aumentos de renda e não renovações que coloquem idosos ou pessoas vulneráveis em risco de perda da habitação e exige divulgação de lista de imóveis públicos urbanos devolutos e abandonados.
O jovem de 20 anos detido na segunda-feira pela PJ da Guarda pela presumível autoria de um crime de homicídio qualificado na forma tentada contra o pai ficou em prisão preventiva em ala psiquiátrica, disse fonte judiciária.
Quase uma centena de crianças foi internada por queimaduras no Hospital D. Estefânia este ano, com um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Unidade de Queimados.
Um incêndio rural que começou na noite de segunda-feira está a ser combatido, às 10:00 de hoje, por 191 operacionais, apoiados por 55 veículos e três meios aéreos na localidade de Maceira, no concelho de Fornos de Algodres, distrito da Guarda.
Dizem protestar contra o elevado preço da habitação, mas a celebração no Rossio teve direito a camarão, espumante e karaoke. O clima de festa dos manifestantes oferece um contraste curioso com o ambiente de contestação pelos elevados preços da habitação que se deveria viver na praça.
A Livraria Lello apresentou uma proposta que permite à comunidade muçulmana continuar a utilizar o imóvel durante mais de um ano sem qualquer encargo com rendas. O edifício apresenta irregularidades urbanísticas que a Câmara do Porto exige que sejam resolvidas.
Dois homens, de 27 e 42 anos, ficaram em prisão preventiva após detidos, na sexta-feira, junto ao Polo Universitário do Porto numa operação de desmantelamento de uma "relevante rede" de tráfico de droga, informou hoje a PSP.
Três homens e uma mulher foram detidos na segunda-feira, no distrito de Vila Real, pela suspeita do crime de incêndio florestal devido a queimas autorizadas que se terão descontrolado, disse hoje fonte da GNR.