Debates quinzenais com o primeiro-ministro vão regressar com número máximo de réplicas

© Parlamento

O primeiro-ministro voltará a responder quinzenalmente às perguntas dos deputados no parlamento, mas com um número limite de vezes em que os partidos podem dividir o seu tempo de intervenção, num máximo de sete para PSD e PS.

Segundo o texto acordado entre PS e PSD para a revisão do Regimento, a que a Lusa teve acesso, haverá também alguns períodos em que não se realizarão debates quinzenais: no mês da apresentação do Programa do Governo (uma vez por legislatura), no mês do debate sobre o estado da nação (habitualmente em julho), no período em que decorrer a discussão da proposta de lei do Orçamento do Estado (entre meados de outubro e final de novembro), bem como na quinzena seguinte à discussão de moções de confiança ou de moções de censura.

O regresso dos debates quinzenais com o primeiro-ministro é a mudança central que levou a uma nova revisão do Regimento da Assembleia da República, iniciada dois anos depois de PS e PSD terem acordado o fim dos debates quinzenais, com o atual modelo em vigor a apenas obrigar o primeiro-ministro a comparecer de dois em dois meses em plenário para debates sobre política geral.

De acordo com o texto que irá ser discutido no grupo de trabalho que está a rever o Regimento – com o objetivo de entrar em vigor em setembro – regressará o formato de debates quinzenais, num modelo semelhante ao que existia até julho de 2020, mas com uma mudança na forma como os partidos podem dividir o seu tempo global de intervenção e réplicas, que até agora era gerido livremente.

“Os grupos parlamentares que dispõem de dez ou mais minutos de tempo global de debate podem dividir o seu tempo em sete intervenções”, lê-se no texto, numa disposição que se aplicará a PS e PSD na grelha prevista para a atual legislatura.

Já os restantes grupos parlamentares que dispõem de menos de dez minutos de tempo global de debate poderão dividir o seu tempo em cinco intervenções.

“Os deputados únicos representantes de um partido podem dividir o seu tempo em duas intervenções”, refere o texto.

Cada intervenção é seguida, de imediato, pela resposta do primeiro-ministro, que dispõe do mesmo tempo para as respostas.

Tal como acontecia antes de 2020, os debates com o primeiro-ministro terão dois formatos alternados — um iniciado pelo chefe do Governo e outro pelos partidos -, voltando a ter apenas uma ronda (em vez das atuais duas) e variando entre os 109 e os 99 minutos (contra os atuais 180).

“No primeiro, o debate é aberto por uma intervenção inicial do primeiro-ministro, por um período não superior a dez minutos, a que se segue a fase de perguntas dos deputados desenvolvida numa única volta; no segundo, o debate inicia-se com a fase de perguntas dos deputados desenvolvida numa única volta”, refere o texto.

No início da atual legislatura, todas as bancadas propuseram alterações ao atual modelo de debates que, à exceção do PS e PCP, passavam pelo regresso das discussões quinzenais sobre política geral com o primeiro-ministro que terminaram em 2020 por acordo entre PS e PSD (então liderado por Rui Rio).

Na sua proposta inicial, o PS, que dispõe de maioria absoluta no parlamento, propunha a realização de debates mensais com o primeiro-ministro (alternando, a cada quinze dias, com outro membro do Governo) e com o tempo de cada partido a ser usado de forma contínua, sem réplicas.

No entanto, no final de dezembro e perante a oposição frontal do PSD, os socialistas já admitiam reformular a sua proposta para tentar um consenso, agora alcançado com os sociais-democratas.

O grupo de trabalho para a revisão do Regimento vai reunir-se na quinta-feira para iniciar a discussão e votação indiciários do texto de substituição.

Últimas de Política Nacional

Para André Ventura, a resposta do Estado aos estragos causados pela tempestade Kristin falhou no tempo e na liderança, com decisões tardias e ausência no terreno quando as populações mais precisavam.
A tempestade 'Kristin' deixou vítimas mortais e voltou a expor falhas graves na resposta do Estado. No Parlamento, o líder parlamentar do CHEGA acusou o PS de ter uma “memória curta” e de nunca ter corrigido erros estruturais que continuam a custar vidas.
André Ventura arranca a campanha no terreno, em zonas fustigadas pelo mau tempo, prometendo proximidade às populações e um choque frontal com o discurso da estabilidade defendido pelo adversário.
O candidato presidencial André Ventura lamentou hoje as mortes na sequência da depressão Kristin e disse que espera poder visitar zonas do país afetadas pelo mau tempo nos próximos dias.
Mais de 3,9 milhões de pessoas assistiram ao debate entre os candidatos presidenciais André Ventura e António José Seguro, e foi o mais visto de todos os debates, de acordo com a análise da Universal McCann.
O Governo avançou para uma limpeza silenciosa nas administrações hospitalares, afastando equipas com bons resultados para colocar dirigentes com ligações ao PSD e ao CDS. Em menos de um ano, quase 80% das novas nomeações recaem em nomes próximos do poder político.
A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais arranca oficialmente hoje, um dia após o debate entre António José Seguro e André Ventura, marcado pela discussão sobre saúde, legislação laboral, poderes presidenciais, regulação da imigração e política internacional.
O presidente da Comissão de Transparência, Rui Paulo Sousa, eleito pelo CHEGA, criticou hoje a deputada socialista Eva Cruzeiro por colocar em causa a isenção desta comissão, salientando que as audições obedecem sempre ao Regimento do parlamento.
A campanha oficial para a segunda volta das eleições presidenciais arranca na quarta-feira e decorre até ao dia 6 de fevereiro, com André Ventura e António José Seguro na corrida a Belém.
É hoje o único debate televisivo entre os dois candidatos à segunda volta das Eleições Presidenciais. Terá 75 minutos de duração e está marcado para as 20h30 (com transmissão na RTP, SIC e TVI).