O ano parlamentar em números, na segunda sessão mais longa de sempre

© Folha Nacional

A Assembleia da República produziu na primeira sessão legislativa da XV legislatura 73 decretos, dos quais 56 já são leis, de um total de 974 iniciativas apresentadas por partidos e pelo Governo.

De acordo com o balanço hoje divulgado (com dados até 20 de julho), foram aprovados em votação final global 106 diplomas (52 do Governo e 54 dos partidos), dos quais mais de um terço — 35% – resultou de iniciativas da oposição (ou 70% se se contabilizarem apenas os projetos-lei.

Segundo o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que fez uma apresentação inédita deste balanço, dos 73 decretos da Assembleia da República nesta primeira sessão, mais de 84% foram aprovados com os votos favoráveis de mais do que um grupo parlamentar (dado não detalhado no relatório distribuído à comunicação social) e apenas 16% apenas por um partido.

A primeira sessão legislativa da XV legislatura é a segunda mais longa de sempre: arrancou a 29 de março de 2022 e só terminará no próximo dia 14 de setembro, num total de 17,5 meses (mais longa só a primeira da X legislatura, que arrancou em 10 de março de 2005).

Seguem-se alguns dados estatísticos da 1.ª sessão legislativa da XV Legislatura:

Deputados eleitos

Total: 230

Homens: 61% eleitos (64% efetivos no final da sessão)

Mulheres: 39% eleitas (36% efetivas no final da sessão)

 

Eleitos até aos 30 anos

5,2% (3,9% no final da sessão)

 

Eleitos com mais de 60 anos

20,4% (20,0% no final da sessão)

 

Reuniões

Plenárias: 153 reuniões (549 horas)

Comissões: 1.919 reuniões (4.058 horas)

 

 Audições em comissão

Membros do Governo: 283 audições

Outras entidades: 571 audições

 

Iniciativas legislativas

Número de iniciativas entradas: 974

Número de leis: 56 em vigor (73 decretos do parlamento aprovados, aguardam redação final ou análise do Presidente da República)

Projetos de lei (partidos e deputados): 867 (incluem três Iniciativas Legislativas de Cidadãos)

Propostas de lei: 70

 

Projetos entrados (por partido)

PAN: 169

CH: 169

PCP: 153

BE: 128

IL: 92

Livre: 68

PSD: 58

PS: 27

 

Projetos aprovados (por partido)

PS: 16 (59% do total de projetos-lei apresentados pelo partido)

IL: 9 (8,8%)

PAN: 8 (4,7%)

PSD: 7 (12%)

Livre: 6 (8,8%)

Bloco de Esquerda: 4 (3%)

PCP: 3 (2%)

Chega: 0

 

Propostas de lei do Governo apresentadas/aprovadas

Apresentadas: 70

Aprovadas: 52 (74%)

 

Projetos e propostas de resolução

Projetos de resolução apresentados: 861

Projetos de resolução aprovados: 223

Propostas de resolução do Governo: 17

Resoluções da Assembleia da República: 844

 

Perguntas dos deputados ao Governo (até 20 de julho)

Perguntas apresentadas: 1.868

Perguntas respondidas: 1.457 (86%, excluindo as perguntas retiradas e aquelas para as quais ainda decorre o prazo de resposta)

 

Requerimentos dos deputados à administração central (até 20 de julho)

Requerimentos apresentados: 145

Requerimentos respondidos: 92 (72%)

 

Petições

Entradas: 197

Discutidas em plenário: 54

 

Acessos ao portal da AR

Número total: 4,3 milhões

 

Fonte: Balanço da Atividade Parlamentar da 1.ª Sessão Legislativa da XV Legislatura

Últimas de Política Nacional

A decisão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa de condenar o Estado português ao pagamento de uma indemnização de 15 mil euros ao antigo primeiro-ministro José Sócrates constitui, para o partido CHEGA, "um sinal preocupante para a credibilidade da justiça". O PSD defende o cumprimento das decisões dos tribunais.
O debate parlamentar de 27 de maio, dedicado ao SIRESP, ficou marcado por um momento de grande tensão. Depois de André Ventura ter acusado o Governo de esconder informação sobre o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), o ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi captado a ameaçar o Presidente do CHEGA: “Vais pagá-las todas!”
Líder do CHEGA acusa o primeiro-ministro de falta de empatia perante os incêndios, a crise da água em Almada e o aumento do custo de vida. André Ventura garante ainda que o partido não se deixará intimidar pelas alegadas ameaças do ministro da Administração Interna.
O presidente do CHEGA disse que o partido vai insistir na realização de um debate de urgência sobre os exames nacionais e defendeu que o ministro da Educação deve assumir responsabilidades, sem pedir a demissão.
Proposta do CHEGA para acabar com as subvenções vitalícias a antigos titulares de cargos políticos foi chumbada no Parlamento. PSD e PS votaram lado a lado para travar o diploma e manter o atual regime.
O líder do CHEGA anunciou hoje que o partido vai pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da Prestação Social Única (PSU), por considerar inconstitucional que pessoas com elevada incapacidade por doença tenham de prestar trabalho social.
A dirigente e deputada do CHEGA Rita Matias afirmou hoje que o seu partido está disponível para um “diálogo concreto” com o PSD e devolveu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a acusação de “falta de coragem”.
O presidente do CHEGA disse que tentou “até à última hora” um consenso com o Governo sobre a lei laboral, e rejeitou que o chumbo da proposta tenha sido “cálculo político”.
André Ventura levou ao debate quinzenal 47 páginas de propostas para alterar a reforma laboral, defendendo o regresso dos 25 dias de férias, a valorização de quem trabalha por turnos e uma revisão das regras de acesso aos apoios sociais.
O líder do CHEGA anunciou esta terça-feira que a reunião que teve com o primeiro-ministro sobre as alterações à lei laboral terminou sem acordo e indicou que o partido e o Governo vão "continuar a trabalhar" nas próximas horas.