Mira Amaral classifica Costa e PS como “luso-comunistas” sem visão social-democrata

Mira Amaral considerou até que o atual primeiro-ministro, António Costa, e o ex-ministro Pedro Nuno Santos “são muito próximos ideologicamente”.

©Facebook/antoniolscosta

O antigo ministro Mira Amaral classificou esta segunda-feira o atual primeiro-ministro e o PS como “luso-comunistas”, sem visão social-democrata, e apelou ao PSD para que lute para impedir a perpetuação destes socialistas no poder.

Mira Amaral, que foi ministro do Trabalho, da Indústria e Energia nos governos do PSD liderados por Cavaco Silva, foi um dos convidados das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem na Assembleia da República até terça-feira. “Na minha opinião, este primeiro-ministro e este PS não são sociais-democratas (…) Este primeiro-ministro e este PS são luso-comunistas”, apontou, lamentando que o PSD, que é “muitas vezes chagado por estes senhores por estar encostado ao CHEGA”, não insista mais nesta crítica.

O antigo ministro explicou que este seu conceito seria uma mistura entre o “eurocomunismo italiano” e o “socialismo bolivariano à venezuelana”, em que os partidos “tomam o poder por eleições, mas tentam perpetuar-se no poder através do controlo da administração pública, da justiça, das Forças Armadas ou da comunicação social”.

Mira Amaral considerou até que o atual primeiro-ministro, António Costa, e o ex-ministro Pedro Nuno Santos – apontado como um dos seus potenciais sucessores –, apenas com algumas diferenças. “O primeiro-ministro é muito mais pragmático e percebe a importância dos fundos europeus no país. Ambos gostam muito do PCP, o Pedro Nuno Santos tem paciência para aturar o Bloco de Esquerda e o primeiro-ministro não”, disse.

Nesta visão, considerou, “o Estado e o Orçamento do Estado são centrais para a economia”, e qualquer problema é resolvido com “mais um subsídio ou mais um apoio”, e “as empresas são apenas toleradas”. Mira Amaral considerou que a proposta do Governo de Orçamento do Estado para o próximo ano é coerente com esta visão, apresentando “uma despesa pública muito elevada e impostos muito elevados”, embora elogiando as reduções previstas no défice e na dívida.

“É um Orçamento muito habilidoso, agrada a pensionistas, funcionários públicos e classe média”, disse. Para Mira Amaral, a segunda forma de ter um orçamento equilibrado, que “devia ser a do PSD, naturalmente, era ter a despesa pública mais baixa e a carga fiscal mais baixa”. No final da sua intervenção, o antigo ministro de Cavaco Silva deixou um diagnóstico e um pedido ao PSD.

“Não vamos sair desta estagnação. Ponham mais duas ou três bazucas em cima e não resolvemos o problema, o problema português não é financeiro, é um problema de vontade política de fazer as transformações estruturais que é preciso fazer”,considerou.

Para Mira Amaral, mesmo quando não são do PSD, as pessoas “veem no PSD a única alternativa credível e concreta” e perguntam “o que é o que PSD pensa” sobre os vários assuntos. “Meus caros amigos, vocês têm uma responsabilidade muito grande, tentar evitar a mexicanização do regime e tentar dar uma volta a isto”, disse, embora antecipando que, chegando ao Governo, os sociais-democratas “terão uma vida muito complicada” com o aparelho do Estado.

Últimas de Política Nacional

O candidato presidencial e líder do CHEGA acusou o primeiro-ministro e presidente do PSD de querer uma "marioneta" em Belém ao apelar ao voto em Marques Mendes e de estar "com medo" da sua candidatura.
Diplomacia, poder e vida pessoal cruzam-se em Budapeste: Maria Cristina Castanheta, companheira de Henrique Gouveia e Melo, foi nomeada embaixadora de Portugal na Hungria, numa decisão já validada por Belém e pelo Governo e que surge em pleno arranque da corrida presidencial.
Apesar de ter ficado provado o arremesso de objetos, incluindo pedras e garrafas, e de um jornalista ter sido ferido, o Ministério Público concluiu que não existem indícios suficientes para levar a julgamento os manifestantes não identificados.
O Supremo Tribunal de Justiça anulou as medidas de coação agravadas aplicadas pela Relação de Lisboa no processo de corrupção da Madeira, considerando que os factos invocados não sustentavam qualquer limitação à liberdade dos arguidos. Pedro Calado e dois empresários regressam ao simples Termo de Identidade e Residência.
André Ventura defendeu que um Presidente da República não deve interferir em processos judiciais concretos e acusou os candidatos da esquerda de já terem “chegado a um acordo” político que escondem do eleitorado.
O Líder do CHEGA elogia o diagnóstico de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o país, mas deixa o alerta: “Portugal não precisa de análises, precisa de ação”.
O Presidente da Assembleia da República (PAR) criticou hoje o ambiente de “desconfiança permanente” sobre os políticos e, a propósito das presidenciais, reservou um eventual processo de revisão constitucional para o órgão competente: o Parlamento, cujos trabalhos dirige.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, devolveu ao Governo três decretos-lei aprovados em outubro sobre as novas regras da contratação de médicos tarefeiros, urgências regionais e sistema de gestão de listas de espera.
O candidato presidencial André Ventura considerou hoje “um bom indício” ter havido um esclarecimento por parte do Ministério Público relativamente ao inquérito que envolve Gouveia e Melo e frisou que é importante saber qual a sua conclusão.
Antes de integrar o atual Governo, André Marques criou um perfil falso nas redes sociais para atacar adversários numa eleição para a Ordem dos Contabilistas Certificados. O Ministério Público evitou o julgamento com uma suspensão provisória.