Conselho Nacional de Ética adverte que SNS fraco vai agravar injustiças

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) advertiu hoje que um SNS fraco vai agravar as injustiças, defendendo ser necessária uma "postura de responsabilidade e de compromisso" para assegurar o direito de acesso à saúde.

© D.R.

Comentando à agência Lusa a crise que está a afetar o Serviço Nacional de Saúde, a presidente do CNECV, Maria do Céu Patrão Neves, afirmou que ter “um Serviço Nacional de Saúde forte é a única via para garantir o direito à saúde”.

“Um Serviço Nacional de Saúde fraco que não corresponde às expectativas da sociedade vai agravar as iniquidades e isso é evidente que é uma grande preocupação para o Conselho Nacional de Ética e o que podemos dizer em relação à situação atual é no fundo uma palavra de exortação a direitos que têm que ser respeitados”, defendeu.

A responsável falava à margem do seminário “Uma saúde, uma ética”, promovido pelo CNECV, que está a decorrer hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Para Maria do Céu Patrão Neves, tudo o que possa afetar a sustentabilidade do SNS “é sempre penalizador para o cidadão e com maior incidência para as pessoas já mais vulneráveis de condição social mais desfavorecida, porque são estas pessoas que não têm alternativas”.

“Sem alternativas, terão dificuldade em acesso à saúde, terão mais problemas de saúde e, por isso, maior incidência de doença – que é um bem essencial -, e que os vai prejudicar na vida”, alertou.

Mas esta situação também afeta a classe média que “já está muito penalizada” e vê, por exemplo, os seus seguros de saúde aumentarem, independentemente de estarem a recorrer a serviços de saúde ou não, afirmou, rematando: “De facto, toda a população sai a perder”.

“Há valores diferentes que têm que ser equilibrados”, referiu, acrescentando que estão convictos de que, “com boa vontade, com sentido de compromisso na missão que a todas as pessoas une” será possível chegar a um acordo entre o Governo e os sindicatos médicos.

Maria do Céu Patrão Neves defendeu que pode chegar-se a um “sentido positivo” nas negociações, “talvez não tentando sempre encontrar a solução ideal a cada momento, mas se calhar fazer por etapas, objetivos de curto prazo e de médio prazo”.

No seu entender, é preciso atender ao que neste momento “é fundamentalmente urgente para a sociedade” e num espaço mais dilatado pensar em questões já não apenas conjunturais, mas também estruturais.

A presidente do CNECV defendeu ainda que a reestruturação do SNS integre este sentido da saúde única e de capacidade de comunicação entre vários setores para benefício efetivo da saúde pública, considerando também a saúde animal e a saúde ambiental, “porque são hoje fatores absolutamente determinantes para a prevenção da doença e para a promoção da saúde”.

“Nós não podemos garantir eficazmente a saúde humana, se não cuidarmos igualmente de uma forma holística, integrada, da saúde animal e da saúde ambiental”, disse, salientando que hoje há a “clara perceção de que 60% das doenças que afetam os humanos são de origem animal, 75% das doenças emergentes” e há 300.000 mortes prematuras devido a doenças de origem ambiental.

Últimas do País

Suspeitas de ‘esquadra’ ilegal ligada a Pequim levaram PJ a investigar contactos na capital. Caso acabou arquivado, mas pode reabrir.
Cerca de 30 profissionais estão a ser chamados a repor quase 4 milhões de euros após inspeção detetar intervenções fraudulentas. Um médico poderá ter de devolver cerca de 700 mil euros.
Jovem de 18 anos revelou ter sido alvo de abusos sexuais desde os 16, durante aulas individuais. Professor foi detido pela PJ, mas saiu em liberdade com proibições.
O presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste queixou-se hoje dos atrasos no pagamento dos apoios aos agricultores cujas explorações foram afetadas pelo mau tempo de janeiro e fevereiro.
Um agente da PSP foi esfaqueado no pescoço no interior da esquadra dos Marrazes, em Leiria. O suspeito já foi detido e a vítima foi transportada para o hospital.
O Tribunal de Família e Menores de Aveiro aplicou hoje ao jovem acusado de matar a mãe em Vagos a medida tutelar educativa de internamento em centro educativo, em regime fechado, pelo período de três anos.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) adiantou hoje que os 818 mil euros relativos às cirurgias adicionais feitas no Hospital de Santa Maria foram indevidamente pagos a 18 cirurgiões, seis enfermeiras e seis assistentes operacionais.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) levantou a obrigação de confinamento das aves, face a redução do número de casos, mas avisou que a gripe ainda não deve ter cessado.
A Ponte Rainha D. Amélia, que liga os concelhos do Cartaxo e de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, encontra-se hoje encerrada ao trânsito devido a um incidente envolvendo um veículo pesado, informou hoje a Câmara Municipal do Cartaxo.
O Tribunal de Loures aplicou hoje a medida de coação de prisão preventiva ao estudante suspeito de violação, ameaça, coação sexual e sequestro de duas colegas, crimes alegadamente praticados durante uma visita de estudo, na Lourinhã, informou fonte policial.