PJ desmantela em Guimarães laboratório transnacional de transformação de droga

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou esta segunda-feira o desmantelamento de um laboratório de transformação de estupefacientes de cariz internacional, localizado no concelho de Guimarães, distrito de Braga, e a detenção de quatro arguidos, que ficaram em prisão preventiva.

© Facebook da Polícia Judiciária

Em comunicado, a PJ refere que, no âmbito de inquérito titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Vila Nova de Famalicão, “procedeu à identificação de um laboratório de transformação de pasta de coca em cloridrato de cocaína (estupefaciente para consumo humano)” e a detenção de quatro elementos indiciados por tráfico de estupefacientes agravado, por associação criminosa, por branqueamento de capitais e por detenção de arma proibida.

“As intensas diligências encetadas nos últimos meses permitiram à Polícia Judiciária a recolha de informação e consequente obtenção de vasta matéria probatória que culminou com a localização de uma residência em local rural e isolado, na freguesia de Gondomar, Guimarães, a qual servia de albergue a um laboratório de dimensões consideráveis, onde, diariamente e de forma contínua, dois indivíduos procediam ao processo de transformação de pasta de coca em produto final ilícito, apto ao consumo humano”, explica a PJ.

Esta força de investigação criminal sublinha que a “rede internacional assentava em indivíduos estrangeiros, de pelo menos duas nacionalidades distintas”.

“Que, tendo chegado a território nacional há alguns meses, aqui, numa organização transacional, procederam ao arrendamento de uma habitação, onde vieram a colocar diverso material composto por ácidos, químicos, artefactos, ventiladores, prensas, decantadores, os quais utilizaram para procederem ao processo de transformação”, frisa a PJ.

Após a sinalização de um dos elementos principais da rede em causa, foi possível, segundo a PJ, “aquilatar-se o modo de funcionamento da organização, com chegada quase diária de ‘correios de droga’ que transportavam pasta de coca, dissimulada, proveniente da América do Sul”.

Estes ‘correios de droga’ “efetivavam a entrega do produto ilícito” a um dos detidos, tendo por destino final o laboratório, “onde se encontravam mais dois indivíduos a laborar a tempo total e em exclusivo”.

A PJ revela que ao início da noite de sexta-feira (10 de novembro), em cumprimento de diversos mandados de busca, foi desencadeada a operação “que culminou com a detenção de quatro indivíduos estrangeiros, três em flagrante delito e um em cumprimento de mandado de detenção emitido pela Autoridade de Polícia Criminal”.

“Na abordagem à residência onde operava o laboratório, que se encontrava em pleno funcionamento, foi possível constatar a presença de diverso material, centenas de litros de químicos, benzinas, ácidos e outros, bem como toda uma estrutura e parafernália apta a produzir, em processo contínuo, mais de uma centena de quilogramas de cocaína por semana”, lê-se no comunicado.

No cumprimento do mandado de busca à residência onde se encontrava o laboratório, estiveram presentes duas magistradas do Ministério Público e três especialistas do Laboratório de Polícia Cientifica da Diretoria do Norte da PJ.

“Foi possível assim proceder-se ao desmantelamento do mesmo, com apreensão de pasta de coca e cocaína, em valor que se estima de cerca de cinco dezenas de quilogramas, suficientes para cerca de 250.000 doses individuais. Foram ainda apreendidas armas de fogo e munições, uma viatura, mais de 17.000 euros, moeda estrangeira”, salienta a PJ.

Esta força de investigação criminal acrescenta que, para se consumar o desmantelamento do laboratório, contou com o apoio do Comando Sub-Regional do Ave da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e dos serviços de apoio da Câmara de Guimarães.

Os quatro detidos, indiciados pelos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida e, eventualmente (necessitando de matéria probatória a consolidar), poluição com perigo comum, foram presentes, no sábado, ao Tribunal de turno de Vila Nova de Famalicão, tendo-lhes sido decretada a medida de coação de prisão preventiva.

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