Pirotecnia causou quase metade dos 6.099 incidentes na época desportiva 2022/23

A posse ou uso de pirotecnia originou quase metade dos 6.099 incidentes em recintos desportivos na temporada 2022/23, indica o Relatório de Análise da Violência em Contexto Desportivo (RAViD), ao qual a Lusa teve hoje acesso.

© D.R.

 

Entre 01 de julho de 2022 e 30 de junho de 2023, houve mais 1.964 ocorrências face ao período homólogo de 2021/22, numa tendência de crescimento em progressão desde a eclosão da pandemia de covid-19, a meio de 2019/20, e superior à fase pré-pandémica.

Esse panorama assentou numa “forte subida” de incidentes relacionados com pirotecnia recolhidos pelo Ponto Nacional de Informações sobre Desporto (PNID), ao passarem de 1.827 para 3.033 em 2022/23, à frente de injúrias (468), danos (382) e agressões (343), existindo ainda um acréscimo de incumprimentos de deveres pelos promotores (1.480).

Da globalidade das 6.099 ocorrências, 5.648 aconteceram no futebol, 303 no futsal e 148 nas restantes modalidades, com 1.426 indivíduos suspeitos a serem identificados, 242 a ficarem detidos e 482 a serem expulsos ou impedidos de entrar em espaços desportivos.

No futebol, cujo peso subiu 48% face a 2021/22, a maior incidência esteve nos jogos da I Liga (2.525), das provas europeias (819) ou dos escalões distritais (725) e jovens (539).

A pirotecnia foi a tipologia de incidente mais frequente no escalão principal (72%), ao ter particular incidência nas partidas em que estiveram Benfica, FC Porto ou Sporting, e nas competições organizadas pela UEFA (60,9%), enquanto o incumprimento de deveres do promotor predomina entre as ocorrências mais visíveis no futebol distrital e de formação.

Na época passada, entraram em vigor 473 medidas de interdição de acesso aos recintos desportivos, que ditaram uma subida de 41,2% face às 335 somadas em 2021/22, sendo que 374 (79,1%) resultaram de decisão da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) e 99 (20,9%) foram impostas por autoridades judiciárias.

A utilização de pirotecnia foi o principal motivo para estas sanções (326), seguindo-se as agressões (67), o incitamento à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância (37), o lançamento de objetos (28), a invasão da área de espetáculo (13) ou as injúrias (dois).

Sete clubes concentram 66,5% dos adeptos alvos de medidas de interdição, tais como o campeão nacional de futebol Benfica (108), Sporting (78) – líder neste parâmetro em 2021/22 – FC Porto (68), Valongo (17), Vitória de Guimarães (15) e Boavista e Sporting de Braga (14 cada).

A quarta versão do RAViD exibe ainda a atividade da APCVD, que proferiu 697 decisões condenatórias com caráter definitivo, contra as 537 do período homólogo, entrando em vigor 374 medidas de interdição de acesso a recintos, à frente das 274 da última época.

Quase uma em cada três (31%) dessas deliberações incidiram sobre pessoas coletivas, ao estarem sustentadas em infrações imputáveis a promotores e organizadores de provas desportivas, ao passo que 42% recaiu em pessoas singulares, com clara prevalência do género masculino (97,1%).

Os adeptos visados com medidas de interdição são preferencialmente homens (96,8%), residentes nos distritos de Lisboa e Porto (26,2% cada um) e com idades compreendidas entre os 21 e os 25 anos (34,2%), sendo que 67,1% integram os grupos organizados de adeptos, mais conhecidos por claques – 95 do Benfica, 64 do FC Porto e 56 do Sporting.

A maioria dos casos deveu-se ao uso de substâncias ou engenhos explosivos, artigos de pirotecnia ou fumígenos, ou objetos de efeito similar (324) e sucedeu no futebol (96,2%), com a I Liga a aglomerar 192 das 350 interdições verificadas nessa modalidade (53,3%).

“As discussões com os peritos internacionais revelam um panorama com preocupações crescentes em toda a Europa, com sintomas de ressurgimento do hooliganismo, a par da influência da subcultura casual, sobretudo após o período de confinamento. Estamos em crer que esta tendência europeia, já visível em vários outros países após o regresso dos adeptos aos estádios após o período pandémico, poderá influenciar o contexto nacional”, frisa o presidente da APCVD, Rodrigo Cavaleiro, numa mensagem publicada no RAViD.

Últimas do País

A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que o instituto está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve uma mulher com um mandado de detenção internacional para cumprimento de uma pena de nove anos e quatro meses por associação criminosa e tráfico de droga, segundo informação divulgada hoje.
O Tribunal de Aveiro condenou hoje dois arguidos, pai e filho, a penas de cinco anos e meio e sete anos de prisão por vários roubos violentos a idosos ocorridos em 2024 e 2025.
O CHEGA pediu, a 14 de outubro, a presença urgente do ministro da Agricultura no Parlamento, após a deteção do vírus 'Shamonda' em seis explorações bovinas portuguesas. Oito dias depois, França confirmou o primeiro caso conhecido de infeção humana, num doente que morreu no início do mês.
Dois equatorianos, um colombiano e um venezuelano foram intercetados pela Marinha Portuguesa a bordo de uma embarcação semissubmersível que transportava 1740 quilos de cocaína, avaliados em mais de 62 milhões de euros. Os quatro homens, detidos em outubro de 2025, foram agora condenados pelo Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, a penas entre 10 e 14 anos de prisão por envolvimento numa rede internacional de tráfico de droga.
O atual e o ex-presidente da Câmara de Valongo, Paulo Esteves Ferreira e José Manuel Ribeiro, eleitos pelo PS, foram condenados por abuso de poder à perda de mandato por limitarem a circulação de camiões na estrada de acesso ao aterro de Sobrado em 2020. A sentença incluiu ainda a aplicação de multas e a possibilidade de recurso.
Um idoso foi detido pela GNR por provocar um incêndio florestal em Carrazeda de Ansiães, devido à queima de sobrantes que se descontrolou, revelou a força policial.
A Universidade Politécnica de Portalegre (UPP) abriu um inquérito interno para apurar alegada tentativa de assédio sexual entre alunos, revelou o vice-reitor à agência Lusa.
A Habita!, criada por antigas assessoras do BE, recebeu apoios de organizações internacionais, incluindo uma rede financiada na sua origem pela fundação de George Soros. Uma investigação identifica ainda 150 mil euros de fundos europeus.
Mais de 240 turmas do 1.º ciclo continuam sem professor atribuído, segundo avança o Expresso. A falta de docentes prolonga-se mais de um mês após o arranque das aulas.