Taxas Euribor deverão descer em 2024 aliviando ligeiramente prestações bancárias

As taxas Euribor já terão atingido o pico este ano, ainda que abaixo dos recordes de 2008, e deverão recuar ao longo de 2024, aliviando um pouco o esforço de quem paga crédito ao banco, segundo analistas contactados pela Lusa.

© D.R.

 

As continuas subidas das taxas de juro diretoras pelo Banco Central Europeu (BCE) levaram este ano as Euribor (taxas de referência no crédito à habitação) a atingirem os níveis mais elevados desde 2008.

As Euribor já vinham subindo desde abril de 2022, antecipando a mudança na política monetária (face à elevada inflação), mas foi este ano que atingiram máximos desde 2008, atingindo a taxa a seis meses 4,138% em outubro (abaixo dos 5,431% de 2008).

Já nas últimas semanas as Euribor vêm recuando ligeiramente e os mercados esperam que a tendência continue no próximo ano, depois de o BCE ter mantido as taxas diretoras inalteradas nas últimas duas reuniões e poder haver mesmo um corte no primeiro semestre (se o BCE vier a considerar que a inflação está controlada).

Na sexta-feira, as Euribor fecharam nos principais prazos abaixo dos 4%. A Euribor foi fixada em 3,909% a três meses, em 3,861% a seis meses e em 3,513% a 12 meses.

À Lusa, o analista da XTB Henrique Tomé afirmou que as Euribor deverão continuar a recuar em 2024 acompanhando “uma mudança na trajetória dos juros”. A influenciar a baixa das Euribor, explicou, estão as decisões do BCE mas também a inflação, a conjuntura económica e a descida dos juros da dívida soberana.

Contudo, avisa que “estas perspetivas podem mudar rapidamente se houver mudanças na trajetória da inflação ou de outros indicadores económicos que possam levar o banco central a refletir sobre a sua estratégia de política monetária”.

Para o analista da ActivTrades Mário Martins, depois de 2023 ter sido o “ano do topo nos juros desde 2008”, o ano de 2024 “começará com a Euribor a seis meses abaixo dos 4% e será provável que termine entre os 3,25% a 3,50%”. Isto, alerta também, “a menos que ocorra algo inesperado, que reverta o caminho de normalização da inflação para o nível desejado dos 2%, o que iria suspender este alívio”.

Já a descida das Euribor pode ser ainda maior se a economia da zona euro abrandar de forma significativa, sendo que nesse caso Mário Martins antevê a Euribor a seis meses a acabar 2024 entre os 2,75% e os 3%.

Questionados sobre o facto de a Euribor a três meses estar atualmente acima da taxa a seis meses, explicaram que acontece porque os mercados antecipam que a descida dos juros aconteça a médio prazo, só no segundo ou terceiro trimestre de 2024, o que tem sobretudo impacto nas Euribor de maior prazo.

A descida das Euribor terá impacto nos empréstimos, aliviando desde logo – ainda que ligeiramente – as prestações do crédito à habitação a taxa variável à medida que estas forem sendo atualizadas. A subida das Euribor tem aumentado as prestações pelo impacto dos juros que os clientes pagam.

Em novembro, a prestação média do crédito à habitação em Portugal foi de 396 euros, sendo que deste valor 156 euros foram capital amortizado (39% do total) e pagamento de juros. Ou seja, 61% da prestação foi para pagamento de juros, quando em novembro de 2022 esta proporção era 29%.

Segundo simulações feitas para a Lusa pela Deco/Dinheiro&Direitos, um cliente com um empréstimo no valor de 150 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses e com um ‘spread’ (margem de lucro do banco) de 1%, paga atualmente ao banco cerca de 798,55 euros mensais (tendo em conta a Euribor média de dezembro de 3,927%). Já se a Euribor descer para 3,5% passará a pagar 760,03 euros, menos quase 40 euros.

Apesar da baixa das Euribor significar alívio da prestação, há clientes que terão de esperar mais tempo para sentir o efeito. Por exemplo, um cliente com crédito à habitação indexado à Euribor a 12 meses cuja prestação renovou em novembro passado, à volta dos 4%, terá que esperar por novembro de 2024 para que a prestação seja revista em baixa.

Segundo dados de outubro do Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses representava 37,8% dos créditos à habitação a taxa variável, a Euribor a seis 35,9% e a Euribor três meses 23,6%.

Últimas de Economia

O preço do cacau nos mercados de futuros está hoje novamente acima de 5.000 dólares/tonelada (4.339 euros/t), "o nível mais alto desde janeiro", segundo o portal Trading Economics.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou hoje a rever em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa, de 1,9% para 1,7% este ano, no relatório relativo ao Artigo IV.
O Tribunal de Contas rejeitou hoje responsabilidades no atraso e no custo do futuro Hospital Oriental de Lisboa, diz que deu o visto em 27 dias úteis e que precisou de diversos esclarecimentos para suprir "falhas e ilegalidades".
A economia da zona euro abrandou a sua contração em junho, após dois meses em que se intensificou, num contexto de diminuição das pressões inflacionistas decorrentes do impacto da guerra no Médio Oriente, segundo o índice PMI.
O Grupo Parlamentar do CHEGA apresentou um projeto de lei que pretende alterar o cálculo do IRS, voltando a considerar os dependentes no chamado quociente familiar e aumentando as deduções atribuídas por cada filho.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou hoje para uma burla através de telefonemas aparentemente da Paypal, nos quais os utilizados desta aplicação de pagamentos 'online' são informados de compras suspeitas que, na realidade, nunca aconteceram.
O endividamento do setor não financeiro, que reúne administrações públicas, empresas e particulares, aumentou 8.100 milhões de euros em abril face a março, para 876.200 milhões de euros, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As insolvências a nível mundial aumentaram 12% no primeiro semestre de 2026, impulsionadas por um aumento de 22% na América do Norte, segundo uma análise da seguradora de crédito Coface.
O montante investido em certificados de aforro subiu novamente em maio, pelo 20.º mês consecutivo, e atingiu os 42.447 milhões de euros, num crescimento homólogo de 13,2%, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
A bolsa de Lisboa acentuava hoje a tendência negativa da abertura e perdia 1,31%, com todas as empresas cotadas a cair, lideradas pela Semapa, que recuava 2,01% para 21,95 euros.