Um mês depois, rede Unir continua sem convencer miúdos e graúdos na AMP

Um mês depois da entrada ao serviço da Unir, a nova rede de autocarros da Área Metropolitana do Porto (AMP), tanto estudantes como adultos e idosos, utilizadores diários do transporte público, não se mostram convencidos com o novo serviço.

© Facebook da Área Metropolitana do Porto

No novíssimo e moderno Interface de Transportes de Lourosa/Fiães, em Santa Maria da Feira (distrito de Aveiro), junto à Estrada Nacional 1 (EN1), a jovem Maria Magalhães, de 15 anos, reconhece que, face a dezembro, “algumas coisas melhoraram, outras pioraram, porque a hora dos autocarros às vezes atrasa”.

“Isso aí é o que me chateia mais”, desabafa à agência Lusa a estudante de Lourosa, à espera do autocarro para a escola, em Fiães, também no concelho da Feira.

Segundo a utilizadora dos autocarros da Unir, também à saída da escola “a hora era diferente, só que depois, com os horários da saída [das aulas], tiveram que adaptar” as carreiras.

A primeira semana de janeiro marca a entrada em vigor de novos horários da rede Unir, entretanto anunciados nos lotes 1 (Matosinhos, Maia e Trofa) e 4 (Gaia e Espinho), mais adaptados à realidade escolar dos estudantes da AMP.

Porém, ainda no mesmo interface, Gonçalo Reis, de 17 anos, residente em Lobão e à espera do autocarro para Argoncilhe, também na Feira, foi a prova viva de uma experiência falhada.

“Primeiro, o meu autocarro devia chegar aqui às 07:27, para apanhar às 07:30, e atrasou-se, como sempre. Depois, tenho supostamente outro autocarro às 08:00, são 08:10 e ainda estou aqui à espera”, contou o estudante à Lusa.

Questionado sobre se notou algumas evoluções na rede, Gonçalo disse que as coisas “estão basicamente iguais” e, “a única coisa que mudou, foram os horários para sair da escola”, e para pior.

“Antes o autocarro saía de lá [escola] às 16:00, e dava tempo para sair das aulas para apanhar o autocarro, e agora temos de perder um autocarro”, partilhou.

Enquanto outros colegas estudantes conseguiram apanhar o autocarro para as respetivas escolas, Gonçalo e dois amigos ficaram apeados no terminal mais algum tempo, altura em que a Lusa percorreu a EN1 até aos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia (distrito do Porto).

Se há um mês, no mesmo local, a situação se demonstrou caótica, esta semana o trânsito continua igual e a contestação dos utentes também não diminuiu de tom, apesar de já se verem nas ruas mais autocarros com pinturas da rede Unir e com informação mais percetível.

“Para mim, está na mesma confuso. Há horários que não se cumprem. Num dia passa realmente o autocarro às 12:00, por exemplo, e eu vou para a paragem. No outro dia é capaz de não passar”, queixou-se à Lusa Maria José, de 67 anos, que queria ir para o centro de Gaia.

A utilizadora queixa-se que uma das principais promessas da nova rede, a afixação de horários nas paragens, continua por cumprir: “são essas indicações que nos permitem facilitar a deslocação”.

Quanto à frequência de passagem do transporte público, reconhece que têm passado mais, “mas é em determinadas zonas, há outras zonas em que não”.

“Eu, por exemplo, na zona em que vivo, às vezes tenho necessidade, num fim de semana, de me deslocar. Não tenho transporte próprio, e não há um autocarro, um único autocarro. Nós continuamos, de certa forma, um bocadinho isolados”, lamentou.

Já José Oliveira Castro, de 65 anos, desloca-se diariamente dentro de Vila Nova de Gaia, entre Olival e a Rechousa, e precisa de apanhar dois autocarros, motivo pelo qual está nos Carvalhos, ponto de confluência das muitas linhas do concelho.

“Venho de Olival [no autocarro] que vai ali para o ponto de encontro, para os bombeiros [‘interface’ dos Carvalhos]. Agora não sei a que horas vem o outro. Vinha para a Rechousa, para trabalhar. Estou aqui há mais de uma hora”, queixa-se à Lusa.

Questionado sobre se o seu patrão percebe os motivos da sua demora, José garante que “ele sabe, compreende e está a par disto”, mesmo que todos os dias tenha de “perder horas”.

Maria Manuela, também de 65 anos, lembra ainda que “à noite também é complicado para vir para os Carvalhos”, queixando-se ainda que o suposto interface na zona “não está a funcionar”.

“Nós queremos carro e não temos. A fila está toda aqui. Está péssimo”, contestou.

A rede Unir começou a operar em toda a AMP no feriado de 01 de dezembro, tendo o seu primeiro ‘teste de fogo’ na segunda-feira seguinte, 04 de dezembro.

A nova rede de 439 linhas e nova imagem substituiu os cerca de 30 antigos operadores privados rodoviários na AMP, e o primeiro mês de operação foi alvo de muitas críticas em toda a região.

O presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues, já admitiu à Lusa que o arranque “em pleno” da Unir deveria acontecer apenas no início deste ano, para depois “conseguir atingir patamares de excelência”.

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