Investigador alerta para desfasamento entre prioridades políticas e preocupações dos jovens

O investigador Nuno Garoupa considerou hoje que há um desfasamento crescente entre as prioridades políticas e as preocupações dos jovens, alertando para um “ciclo vicioso” que leva os partidos a focarem-se no “voto envelhecido” devido à abstenção juvenil.

© D.R.

 

Num ‘webinar’ organizado pelo Instituto Nacional de Administração (INA) sobre “Caminhos para a Democracia Participativa: Os desafios do século XXI”, moderado por Luísa Meireles, diretora de informação da Lusa, Nuno Garoupa, professor de direito da universidade norte-americana George Mason, abordou a participação eleitoral dos jovens para salientar que, em Portugal, há um “problema estrutural” e “um ciclo vicioso” do qual vai ser complicado sair.

O investigador indicou que a abstenção em Portugal tem particular incidência nos mais jovens, o que faz com que a mediana do eleitor português “está muito envelhecida”, ainda mais do que a média da população, que já é das mais altas da Europa.

“Ora isso, a médio prazo, cria um problema, que é: os partidos políticos, que obviamente respondem os incentivos e à racionalidade eleitoral, cada vez se concentram mais no voto envelhecido que é o voto que participa”, afirmou.

Isso significa, advertiu, “que as agendas dos partidos políticos estão cada vez mais desfasadas das necessidades, preocupações e prioridades dos jovens”, o que cria “um ‘gap’ entre aquilo que os partidos oferecem e o que os jovens querem ouvir”.

“Não é por acaso que os partidos novos têm tendencialmente, neste momento, maior expressão nas gerações mais novas do que nas mais velhas, porque têm de encontrar nichos de mercado”, disse, acrescentando que esses novos partidos estão “claramente a apostar nas redes sociais”, como o TikTok ou o Instagram, o que se deverá “refletir na mobilização do voto jovem”.

Sobre a abstenção, Nuno Garoupa avisou que é difícil calcular o seu valor real, porque não se sabe “quantos eleitores há”, o que se deve em parte ao facto de haver portugueses que mantêm o domicilio fiscal em Portugal quando, na realidade, vivem no estrangeiro.

Segundo cálculos do investigador, a abstenção em eleições legislativas deve situar-se entre os 35% e 40% – e não nos 50% oficiais – tendo em conta que, segundo números do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), residem no país 8,5 milhões de pessoas e tendem a votar entre 5,5 e 5,7.

Nuno Garoupa atribuiu esta abstenção a três fatores: pessoas que querem votar mas não conseguem, os que se abstêm por protesto e, o fator “mais importante”, que é a “abstenção por apatia política, ou seja, as pessoas não querem saber”.

O investigador considerou que, para responder a esta situação, seria necessário introduzir mecanismos de democracia participativa, que “podem vir a convencer o cidadão de que talvez possa valer a pena voltar a votar”.

Sobre este aspeto, Ângela Pereira, cientista do Joint Research Center da Comissão Europeia, referiu que o executivo comunitário assumiu como prioridade dar um novo impulso à democracia e adotou, no mês passado, um pacote de defesa democracia que inclui uma recomendação para incluir os cidadãos de forma mais ativa nos processos de tomada de decisão.

Ângela Pereira indicou que, ao longo deste mandato, a Comissão Europeia tem tomado várias iniciativas para “voltar a ter o cidadão na democracia”, dando o exemplo da organização da Conferência sobre o Futuro da Europa.

A nível nacional, Roberto Falanga, investigador no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, referiu que estes processos de maior participação dos eleitores têm-se sobretudo traduzido nos orçamentos participativos, mas os seus impactos têm sido “menos evidentes” noutros formatos.

“O único caso que temos de uma assembleia de cidadãos promovida por uma autarquia até agora foi a Câmara Municipal de Lisboa que, em 2022, lançou uma iniciativa chamada Conselho de Cidadãos”, disse, acrescentando que este tipo de mecanismo está a gerar cada vez mais interesse.

Últimas de Política Nacional

De acordo com os números mais recentes, a conta oficial do partido liderado por André Ventura soma mais de 91.500 seguidores, superando os cerca de 90.900 da IL. Logo atrás surgem o PSD, com 70.400 seguidores, e o PS, com 62.900.
O líder do CHEGA defende a reposição do mecanismo de desconto fiscal sobre os combustíveis, criado em 2022 para mitigar o impacto da guerra na Ucrânia. André Ventura acusa as petrolíferas de acumularem lucros em períodos de instabilidade internacional e pede medidas imediatas para aliviar o preço.
O líder do CHEGA revelou hoje que falou com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre as Lajes e indicou que deu a sua concordância à utilização da base para abastecimento ou apoio e não para ataque ao Irão.
O CHEGA vai propor a proibição da entrada de migrantes dos países afetados pelo conflito no Médio Oriente, além da isenção de IVA para os bens alimentares essenciais e um mecanismo temporário para a redução do preço dos combustíveis.
O presidente do CHEGA lamentou hoje que a diplomacia tenha falhado no conflito que opõe Estados Unidos da América e Israel ao Irão, mas considerou que o regime iraniano teve "uma certa culpa" e espera uma mudança no país.
O presidente do CHEGA, André Ventura, propôs hoje a criação de uma comissão no parlamento dedicada à reforma do Estado presidida pelo antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, e rejeitou que o social-democrata seja uma ameaça ao seu partido.
Portugal deve pressionar as organizações internacionais de que faz parte para que a Irmandade Muçulmana seja classificada como organização terrorista. Esta é a proposta apresentada pelo CHEGA, através de um projeto de resolução que pretende levar o Governo a assumir uma posição diplomática ativa junto da União Europeia, das Nações Unidas e de outros organismos multilaterais.
O parlamento chumbou hoje, com votos contra de PSD, CDS e IL, e abstenção do PS, iniciativas do CHEGA que pretendia rever o complemento de pensão de militares e polícias, face a discrepâncias na atribuição das reformas.
No frente-a-frente com o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, André Ventura questionou diretamente a capacidade de execução do Governo e pediu garantias concretas sobre falhas nas comunicações, nos apoios e na resposta às crises.
Portugal deve recusar, para já, o novo acordo de comércio livre entre a União Europeia e a Índia. A posição é defendida pelo CHEGA, que apresentou na Assembleia da República um projeto de resolução a recomendar que o Governo vote contra o texto atual e exija alterações profundas antes da sua aprovação.