“Precisamos de armas, armas, armas”

O secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional da Ucrânia, Oleksiy Danilov, afirma que as forças ucranianas enfrentam um momento “muito difícil” e precisam de “armas, armas, armas”, alertando que “a espera influencia a situação” do conflito.

© Facebook de Volodymyr Zelensky

 

“A situação na linha da frente é muito difícil. Nunca foi fácil desde 24 de fevereiro de 2022 [data da invasão russa] e, se alguém pensar que a linha da frente é fácil, são pessoas que não entendem a guerra”, disse o alto responsável ucraniano em entrevista à agência Lusa, destacando que “a Rússia está a receber ajuda da Coreia do Norte e do Irão e isso levou a algumas alterações na situação”.

O secretário da instituição ucraniana advertiu que, neste cenário, se o mundo ocidental não aumentar significativamente as suas remessas de armas e munições, “a situação ficará realmente complicada”, deixando um apelo quando questionado sobre as necessidades imediatas das forças de Kiev: “Precisamos de armas, armas, armas”.

Oleksiy Danilov considera que este é um tema difícil, na medida em que a Ucrânia está a receber apoio dos seus aliados, como aconteceu recentemente com o pacote de 50 mil milhões de euros aprovado pela União Europeia, enquanto outros 60 mil milhões de dólares (56,6 mil milhões de euros) se encontram pendentes para aprovação no Congresso dos Estados Unidos, até agora bloqueados pela ala republicana radical na Câmara dos Representantes.

“É uma questão de tempo e quantidade”, afirma, advertindo que “qualquer espera, obviamente, influencia a situação” ao cabo de quase dois anos de guerra, num fase em que a Rússia parece ter tomado a iniciativa na frente oriental da Ucrânia, embora sem ganhos assinaláveis, e fustiga as cidades ucranianas com bombardeamentos.

“Se nos perguntarem: vamos parar? Não o faremos, defenderemos o nosso país. Não temos outra alternativa, não temos outra opção. E esperamos realmente que os parceiros compreendam que a nossa independência está sob ameaça e também a imagem, autoridade e unidade de todo o Ocidente”, declarou.

A propósito da ajuda europeia, Oleksiy Danilov reconheceu que “qualquer apoio melhora a situação na linha da frente, no país, e aumenta a capacidade de continuar” a guerra contra a agressão russa, mostrando a convicção de que o mesmo acontecerá em Washington: “Estou mais do que certo de que o apoio dos Estados Unidos será votado nos próximos tempos”, afirmou.

“Os Estados Unidos são realmente vitais para nós. E, depois da nossa vitória, estaremos gratos a toda a gente, a todos os que nos estão a ajudar a alcançá-la”, disse o secretário ucraniano, insistindo na necessidade de rápido abastecimento de armamento às forças de Kiev.

A propósito, Danilov, que foi antes governador da província de Lugansk, no leste do país e que se encontra parcialmente sob ocupação russa, referiu-se ao fornecimento de caças norte-americanos F-16, ressalvando que se trata de “uma questão muito sensível” para as forças ucranianas no esforço de guerra.

“Queremos realmente ser mais poderosos do que o inimigo, que tem neste momento vantagem nos céus da Ucrânia, na medida em que tem uma grande quantidade de aviões. Enquanto não tivermos a mesma quantidade, será muito difícil para nós continuar a lutar”, comentou.

Até agora, apenas Países Baixos, Dinamarca, Bélgica e Noruega prometeram caças F-16 à Ucrânia dentro da coligação internacional que foi criada e que integra Portugal, que, por sua vez, só se comprometeu com a formação de pilotos, mecânicos e técnicos.

Este assunto foi levantado durante visita de dois dias que o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, realizou à Ucrânia nas passadas segunda e terça-feira, tendo então reafirmado o compromisso de Portugal em relação à coligação internacional.

Logo depois, Igor Zhovkva, chefe de gabinete adjunto do Presidente ucraniano, disse, em entrevista à Lusa, que a Ucrânia espera que Portugal ceda alguns dos seus aparelhos, à semelhança do que fizera com os tanques modernos alemães Leopard, de modo a aumentar um contributo que considerou “ainda modesto”, tendo Danilov reforçado: “Esperamos por todos os países membros da NATO”.

A respeito de prazos, o secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional limitou-se a mencionar que “se está a cumprir o calendário” para as entregas, que foram apontadas para o primeiro semestre deste ano, mas escusou-se a indicar datas mais precisas: “Não se trata de uma informação que possa comentar”, justificou.

Passados quase dois anos sobre a invasão russa da Ucrânia, o secretário da entidade ucraniana desafiou os aliados a “não mostrar medo” da Rússia, avisando que, se isso suceder, “a guerra será perdida”.

“Nunca se deve ter medo e muitos países têm medo da guerra e medo da Rússia”, observou, num momento em que a entrevista à Lusa foi interrompida por uma chamada inadiável. Era do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Danilov abordou também o estado de espírito das Forças Armadas e da população ucraniana, assumindo que “é muito difícil lutar contra o agressor durante dois anos”, mas a Ucrânia “não tem o direito à derrota”, frisou, apesar da situação atual, da fadiga acumulada e das lições que é urgente aprender.

“Se eu disser que toda a gente está altamente motivada, trata-se de uma afirmação falsa. Cada um tem a sua própria condição, a sua própria situação moral e a sua própria motivação. Mas, se falarmos em geral no futuro, todos terão uma compreensão positiva da situação”, afirmou, usando uma imagem: “Após cada noite escura, a manhã chega e a luz do sol aparece. E espero que nos próximos tempos vejamos o sol nascer”.

O Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia é um órgão de coordenação que funciona sob o comando do Presidente Zelensky.

A instituição coordena e supervisiona as atividades dos órgãos do poder executivo na esfera da segurança e defesa nacional.

Últimas do Mundo

Mais de 8.000 voos nos Estados Unidos, programados para decolar este fim de semana, foram cancelados devido a uma tempestade que ameaça causar estragos em grande parte do país, incluindo cortes de energia elétrica e congestionamento rodoviário.
Peritos encontraram deformações nas rodas e na via. Investigação não exclui falha estrutural no desastre ferroviário de Córdova.
Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19, foi hoje anunciado.
Estudo analisou quatro mil condenações em 24 anos e aponta maior risco nos primeiros anos de residência. Governo endurece regras de imigração e cidadania.
Três pessoas morreram e outra ficou ferida hoje depois de terem sido atingidas por disparos de armas de fogo numa cidade do estado de Nova Gales do Sul, Austrália, disseram as autoridades policiais.
Os comboios suburbanos estão parados em toda a região espanhola da Catalunha por tempo indeterminado depois de um acidente na terça-feira em que morreu uma pessoa e cinco mortes com gravidade.
Federação Nacional dos Sindicatos de Explorações Agrícolas (FNSEA) espera mobilizar esta terça-feira até 700 tratores e 4.000 manifestantes em Estrasburgo.
Cerca de 1.520 milhões de turistas viajaram para o estrangeiro em 2025, um ano "recorde", segundo uma estimativa publicada hoje pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que destaca, em particular, um forte dinamismo em África e na Ásia.
O número de mortos no acidente de comboio em Adamuz (Córdova), Espanha, subiu de 40 para 41, disseram à agência de notícias espanhola EFE fontes próximas da investigação.
Mesmo com Espanha mergulhada no luto após a tragédia ferroviária que matou 39 pessoas em Adamuz, o Governo manteve esta segunda-feira a redistribuição aérea de imigrantes ilegais a partir das Canárias, transferindo mais de 180 pessoas para Madrid.