UTAO destaca receita fiscal acima do previsto e subexecução do investimento

A UTAO alertou hoje que a despesa do Estado ficou aquém do autorizado no ano passado, destacando a subexecução do investimento, enquanto a receita fiscal e contributiva foi mais favorável do que o esperado.

© Folha Nacional

 

Numa análise às contas públicas entre janeiro e dezembro de 2023, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) explica que o Estado registou, após ajustamentos, um excedente orçamental de 4.398 milhões de euros em 2023.

O excedente em contabilidade pública (na ótica da contabilidade nacional, a usada nas comparações internacionais, apenas será divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística no final de março) superou “expressivamente” o objetivo do Orçamento do Estado (OE) e da estimativa atualizada.

Segundo a unidade que presta apoio aos deputados, os dados indicam uma “evolução mais favorável do que o antecipado da receita fiscal e contributiva, mantendo-se a despesa aquém do autorizado, nesta se destacando a subexecução do investimento face ao OE aprovado”.

Os técnicos assinalam, assim, que “o resultado provisório de 2023 constitui um ponto de partida mais favorável para a execução de 2024 e o objetivo orçamental que se pretende alcançar neste ano”.

A UTAO estima que o resultado orçamental das Administrações Públicas no final de dezembro “traduz um desvio favorável de 7.442 milhões de euros” face ao OE2023.

Este quadro resulta da evolução “mais benévola” da receita fiscal (5.591 milhões de euros) e contributiva (1.892 milhões de euros), permanecendo a despesa ”globalmente abaixo do autorizado (4.300 milhões de euros), mormente o investimento (2.562 milhões de euros)”.

Em sentido oposto, destaca as subexecuções na receita de capital (–2.285 milhões de euros) e nas “outras receitas correntes” (–2.023 milhões de euros). Na despesa, “apenas a despesa com o pessoal (–873 milhões de euros) e as transferências correntes (–1.647 milhões de euros) excederam o previsto”.

A UTAO aponta ainda que, quando comparado com o referencial da estimativa para 2023, reduziu-se a amplitude do desvio (2.078 milhões de euros), mas o nível de despesa continuou globalmente aquém do objetivo atualizado (3.022 milhões de euros) e a cobrança de receita fiscal e contributiva acima do mesmo (em 1.739 milhões de euros).

“O investimento (712 milhões de euros) e a componente não fiscal nem contributiva da receita (2.438 milhões de euros) permaneceram subexecutados, mesmo após a forte revisão em baixa da meta anual”, refere.

A UTAO recorda que na análise ao OE2024 considerou que o Ministério das Finanças apresentava uma perspetiva “excessivamente conservadora na estimação da componente fiscal e contributiva da receita, e, em sentido oposto, o perigo de subexecução” do investimento, sobretudo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e da receita que o financia.

Últimas de Economia

Os portugueses continuam a pagar cada vez mais para levar exatamente os mesmos produtos para casa. O cabaz alimentar voltou a aumentar e já custa quase mais 38% do que custava há pouco mais de quatro anos.
Os consumidores em Portugal contrataram em abril 881,1 milhões de euros em crédito ao consumo, numa subida homóloga acumulada de 13,6%, enquanto o número de novos contratos avançou para 146.018, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As remunerações dos novos depósitos a prazo aumentaram em abril pelo terceiro mês consecutivo, para 1,44%, uma tendência em linha com a zona do euro, apesar de continuar abaixo do selecionado no mês homólogo, divulgou hoje o BdP.
A economia da zona euro teve um aumento homólogo de 0,3% até março, e o da União Europeia de 0,7%, divulgou o Eurostat, revendo em baixa a estimativa publicada em abril de, respetivamente, 0,8% e 1,0%.
As licenças para construção e reabilitação de edifícios habitacionais caíram 10,2% no primeiro trimestre, em termos homólogos, enquanto os novos fogos licenciados recuaram 4,7% e o consumo de cimento subiu 2,2%, segundo a AICCOPN.
O preço da gasolina deverá manter-se na próxima semana e o do gasóleo subir 4,5 cêntimos, segundo as previsões da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) cedidas à Lusa.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira, para máximos desde abril de 2025 no prazo mais curto.
A Comissão Europeia abriu hoje um processo a Portugal e a outros 11 Estados-membros por não terem estabelecido regras nacionais para sancionar quem viole um regulamento sobre combustíveis sustentáveis na indústria da aviação.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o saldo orçamental português será nulo este ano, passando para um défice de 0,1% em 2027, segundo as previsões divulgadas hoje.
A taxa de inflação anual da zona euro deverá ter aumentado em 3,2% em maio de 2026, face aos 3,0% registados em abril, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.