Ventura critica promessas falhadas de PS e PSD

O presidente do CHEGA criticou hoje as promessas falhadas de PS e PSD feitas "para enganar" e voltou a defender que o seu partido vai quebrar o "ciclo do bipartidarismo" nas eleições legislativas de 10 de março.

© Folha Nacional

Falando num jantar/comício no concelho de Vouzela, André Ventura disse que o distrito de Viseu é “um entre muitos distritos a que o país falhou, mas aqui talvez seja mais visível como as promessas de 50 anos de PS e PSD falharam”.

“Não há TGV nem há [linha ferroviária da] Beira Alta porque eles simplesmente fazem promessas para nos enganar, eles sabem que não as vão cumprir, e nós é que temos sido os idiotas úteis de PS e PSD nos últimos anos”, acusou.

Considerando que “isso tem que acabar agora”, o líder do CHEGA defendeu que “pela primeira vez” em 50 anos de democracia existe a “oportunidade de quebrar o ciclo do bipartidarismo”.

Durante estes anos, criticou, foram criados “vícios” e “maus hábitos” e a “corrupção enraizou-se em todas as esferas da sociedade”.

“Agora só vai lá com uma rutura, isto já não vai lá com meias palavras nem com a mudança do rosa para o laranja […] Nós temos de sair da lama da corrupção e só o CHEGA é que pode levar o país a sair da lama da corrupção”, salientou.

Na sua intervenção, o líder do CHEGA voltou a falar da indisponibilidade manifestada hoje pela procuradora-geral da República, Lucília Gago, para se manter no cargo após o fim do seu mandato, depois de ter comentado em declarações aos jornalistas à chegada a esta iniciativa do sexto dia de campanha para as eleições legislativas.

André Ventura acusou PS e PSD de fazerem “o maior ataque concertado à justiça e ao Ministério Público, à Polícia Judiciária e àqueles que têm de investigar” porque “puseram em causa interesses instalados dos partidos”.

Socialistas e sociais-democratas juntaram-se para “tentar calar, silenciar, amordaçar a investigação”, acusou.

Defendendo que “não há vacas sagradas nem instituições que estejam acima da lei”, o presidente do CHEGA defendeu que “mas uma coisa é exigir independência e escrutínio, outra é querer controlar a justiça”.

André Ventura voltou também a garantir que o CHEGA vai “bloquear qualquer tentativa de reforma da justiça” se for para “fazer da justiça lacaios do PS e do PSD”.

No interior do país, Ventura falou também de agricultura, que considerou ter sido “destruída e desbaratada” e alertou que “rapidamente pode entrar em colapso”.

Voltando a comentar também as declarações do cabeça de lista da AD por Santarém sobre alterações climáticas, o presidente do CHEGA disse existir um “extremismo climático” que classificou como uma “obsessão descontrolada com destruir tudo o que é moderno, gera riqueza e rendimento”, e criticou que “hoje argumento climático serve para tudo”.

“Estes pseudo-ambientalistas que se infiltraram no PS, na CDU, no BE, no Livre e no PAN têm mais amor a uma coisa, o que eles gostam mesmo é de nos sacar impostos para continuar a financiar as clientelas políticas”, acusou.

O presidente do CHEGA assinalou também “a aberração” de o PSD se ter aliado ao PAN na Madeira.

“São a mesma coisa. Uns não querem saber do ambiente, outros não querem saber das convicções, eles querem é tachos para se continuar a manter e a segurar”, criticou.

André Ventura voltou a comprometer-se a, se for governo, lançar “um programa de emergência e apoio à agricultura”.

Também o cabeça de lista do CHEGA falou de alterações climáticas e ironizou: “Nunca se viu tal coisa, tempestades no inverno, é mesmo alterações climáticas. Só falta que no verão venha calor”.

João Tilly afirmou que “tudo o que aconteceu no distrito de Viseu foram promessas e nada mais” e salientou que o CHEGA quer “mudar o estado de coisas”.

“Ainda somos o ‘cavaquistão’, mas Viseu vai deixar de ser ‘cavaquistão’ para passar a ser o ‘venturistão’ a partir deste ano”, defendeu.

Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar em 10 de março para eleger 230 deputados à Assembleia da República.

A estas eleições concorrem 18 forças políticas, 15 partidos e três coligações.

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