Comissão Independente confirma assédio e abuso de poder no CES de Coimbra

A comissão independente criada para averiguar denúncias no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra confirmou hoje a existência de padrões de conduta de abuso de poder e assédio, por parte de pessoas em posições hierarquicamente superiores.

© Facebook CES Univ. Coimbra

“Da análise de toda a informação reunida, bem como das versões entre as pessoas denunciantes e pessoas denunciadas que foram compatíveis entre si, indiciam padrões de conduta de abuso de poder e assédio por parte de algumas pessoas que exerciam posições superiores na hierarquia do CES”, revela o relatório final da comissão independente, que iniciou funções em agosto do ano passado.

Três investigadoras que passaram pelo CES da Universidade de Coimbra denunciaram situações de assédio num capítulo do livro intitulado “Má conduta sexual na Academia – Para uma Ética de Cuidado na Universidade”, o que levou a que os investigadores Boaventura Sousa Santos e Bruno Sena Martins acabassem suspensos de todos os cargos que ocupavam no CES.

De acordo com o relatório divulgado hoje, à comissão independente foram denunciadas 14 pessoas, por 32 denunciantes, registando-se um total de 20 audições.

Segundo a comissão independente, 78% dos denunciantes são mulheres, 6% são homens e em 16% dos casos não foi possível identificar o sexo devido à denúncia ter sido feita de forma anónima.

Ainda no que toca aos denunciantes, 47% identificaram-se como estudantes de doutoramento no CES, 10% investigadores e 9% investigadores de pós-doutoramento.

“Verificou-se que as versões apresentadas por várias pessoas denunciantes e por várias pessoas denunciadas foram em muitas situações incompatíveis entre si, tornando-se, nessas situações, impraticável aferir evidências das mesmas”, refere ainda.

A comissão independente indica que a documentação apresentada e as audições realizadas, tanto de pessoas denunciantes como de pessoas denunciadas, “não permitiram esclarecer indubitavelmente a existência ou não da ocorrência de todas as situações comunicadas”, embora indiciem padrões de conduta de abuso de poder e assédio por parte de algumas pessoas que exerciam posições superiores na hierarquia do CES.

O relatório alude ainda ao facto de as várias direções do CES, ao longo dos anos, terem subvalorizado algumas situações com indícios de comportamentos menos próprios nas relações entre membros da sua comunidade.

“Com isso, podem ter contribuído para a eventual perpetuação das mesmas. Em concreto, a forma como lidaram com as “Pichagens”, iniciadas em 2017, ignorando e não atuando administrativa e judicialmente, indicia uma maneira leviana de atuação sobre alegados comportamentos que deveriam, por parte de um órgão executivo, ser levados muito a sério, nomeadamente, através de uma investigação interna”, indica.

Últimas do País

O presidente da Apropesca – Organização de Produtores da Pesca Artesanal apontou um “registro de impacto” do mau tempo no setor da pesca, com os pequenos barcos parados desde dezembro, e pediu ajudas diretas ao Governo.
Os suinicultores alertam para a “maior crise de sempre” no setor devido ao impacto causado pelo mau tempo, com metade das explorações nacionais afetadas e prejuízos estimados de “muitos milhões”, pedindo urgência nas ajudas para evitar um problema social.
O incidente voltou a suceder no mesmo local da semana passada, que continuou vedado, sem causar feridos.
No próximo ano letivo, 2026/2027, o ensino superior público contará com um total de 78.283 vagas, mais 1.465 do que no corrente, informou hoje o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
O distrito de Santarém está já com alerta reduzido no que respeita às cheias no Tejo, embora se mantenham zonas alagadas, estradas cortadas e "muitos milhões em prejuízos", disse hoje o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil.
Os proprietários de terrenos confinantes com a rede viária florestal em Vila de Rei têm até dia 01 de março, para remover o material lenhoso, de forma a garantir que a rede viária florestal fique desimpedida.
A Câmara de Portalegre informou hoje que já foi desativado o Plano Municipal de Emergência e de Proteção Civil, após um período de oito dias em vigência, na sequência do mau tempo.
A chuva vai manter-se em Portugal continental até quinta-feira, principalmente nas regiões do norte e centro, mas nada de muito gravoso, segundo a meteorologista Cristina Simões, adiantando que o próximo fim de semana já será de sol.
O presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, garantiu hoje que a equipa municipal do ambiente está a “intensificar os trabalhos de limpeza” para que a normalidade volte ao centro histórico nos próximos dias.
O caudal do Sado em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, estabilizou-se no leito do rio, após vários dias de cheias, mas as autoridades continuam atentas às descargas das barragens, revelou hoje a Proteção Civil.