MNE chinês avisa que tentativas de criar conflitos na Ásia – Pacífico “não têm futuro”

O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, advertiu hoje, após um encontro com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, em Pequim, que "qualquer tentativa de criar confrontos na Ásia - Pacífico não tem futuro".

© Facebook de Wang Yi

Em conferência de imprensa após o encontro, Lavrov afirmou que um dos temas discutidos durante as reuniões foi a questão d e como “alcançar a paz e a estabilidade na Ásia – Pacífico”, apesar dos “esforços dos Estados Unidos para criar uniões políticas dirigidas contra a Rússia e a China”.

De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, este comportamento de Washington é “contra os seus próprios interesses e contra os dos seus aliados”.

“O mundo de hoje está longe de ser pacífico, há agitação e caos em muitas áreas”, disse Wang, que apelou à “defesa do verdadeiro multilateralismo, evitando qualquer tentativa de confronto na Ásia – Pacífico.

Estas declarações surgem numa altura de tensão na região devido ao início iminente do mandato do presidente eleito de Taiwan, William Lai (Lai Ching-Te), descrito como um “agitador” por Pequim, e às disputas territoriais entre a China e as Filipinas no Mar do Sul da China.

Lavrov afirmou que a questão de Taiwan, ilha cuja soberania é reivindicada por Pequim, é um “assunto interno da China” e que qualquer intervenção externa é “intolerável”.

Manter boas relações com Moscovo é vista por Pequim como crucial para contrariar a ordem democrática liberal dominada pelos Estados Unidos e países aliados. É também uma forma de assegurar estabilidade na fronteira terrestre com a Rússia, que tem mais de 4.300 quilómetros de extensão, e fornecimento estável de energia.

Esta condição permite a Pequim concentrar recursos nas áreas costeiras e mares circundantes, onde os Estados Unidos mantêm várias bases militares em países aliados, segundo analistas de política externa chineses.

A China quer afirmar-se como a principal potência no leste da Ásia e diluir o domínio geoestratégico norte-americano na região. A reunificação de Taiwan, localizado entre o Mar do Sul da China e o Mar do Leste da China, no centro da chamada “primeira cadeia de ilhas”, é um objetivo primordial no projeto de “rejuvenescimento da nação chinesa”, lançado pelo Presidente chinês, Xi Jinping.

As reivindicações territoriais sobre Taiwan e o Mar do Sul da China suscitaram tensões entre Pequim e quase todos os países vizinhos, desde o Japão às Filipinas. A crescente assertividade da China no Indo-Pacífico levou já à formação de parcerias regionais lideradas pelos Estados Unidos, incluindo o grupo Quad ou o pacto de segurança AUKUS, que propôs esta semana a inclusão do Japão.

Lavrov, que chegou à China na segunda-feira, encontra-se no país asiático para uma visita oficial de dois dias a convite de Wang e que, segundo a imprensa chinesa, poderá servir de prelúdio à primeira visita ao estrangeiro do Presidente russo, Vladimir Putin, após a sua reeleição, uma possibilidade avançada pelos órgãos de comunicação internacionais para o próximo mês de maio.

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