Presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais diz que o caso “não é natural”

O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) considerou hoje que a evolução do processo Influencer “não é natural”, mas lembrou que a nomeação da Procuradora-geral da República foi da responsabilidade do ex-primeiro-ministro António Costa.

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Em declarações aos jornalistas antes de entrar para uma reunião no Ministério da Justiça, António Marçal assumiu a sua preocupação, “enquanto cidadão e funcionário do sistema”, com os mais recentes desenvolvimentos em torno deste caso, um dia depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter rejeitado o recurso do Ministério Público sobre as medidas de coação e declarado não haver indícios de crimes.

“É normal que o MP faça uma investigação e depois um juiz considere que não corresponde à sua análise, é o sistema de justiça a funcionar. Depois, concretamente sobre a questão Influencer e aquilo que levou à demissão do primeiro-ministro, então digo que não é natural. Agora, também será que a demissão de Antonio Costa é única e simplesmente devido à investigação do caso Influencer?”, questionou.

António Marçal aproveitou ainda para deixar outra pergunta no ar sobre este processo, desta feita com a Procuradora-geral da República, Lucília Gago, como destinatária.

“Por que razão é que a PGR resolveu num momento inédito colocar um parágrafo numa comunicação sobre uma investigação em que António Costa não era arguido? A pergunta tem de ser feita à PGR. Mas convém lembrar aos cidadãos que a PGR é nomeada pelo poder político; é o primeiro-ministro que apresenta o nome ao PR e convém lembrar que António Costa propôs o nome de Lucília Gago quando toda a gente pensava que haveria uma recondução da anterior Procuradora [Joana Marques Vidal]”, frisou.

A legislatura anterior foi interrompida na sequência da demissão de António Costa do cargo de primeiro-ministro, após ter sido divulgado que era alvo de um inquérito instaurado no MP junto do Supremo Tribunal de Justiça após ter sido extraída uma certidão do processo-crime Operação Influencer.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aceitou a demissão e dois dias depois anunciou ao país a dissolução do parlamento e a convocação de eleições, que se efetuaram em 10 de março, dando a maioria à coligação Aliança Democrática, que reúne PSD, CDS-PP e /PPM.

A Operação Influencer levou na altura à detenção de Vítor Escária (chefe de gabinete de António Costa), Diogo Lacerda Machado (consultor e amigo de António Costa), dos administradores da empresa Start Campus Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, e do presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, que ficaram em liberdade após interrogatório judicial.

Existem ainda outros arguidos, incluindo o agora ex-ministro das Infraestruturas João Galamba, o ex-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, o ex-porta-voz do PS João Tiago Silveira e a Start Campus.

O caso está relacionado com o projeto de construção de um centro de dados na zona industrial e logística de Sines pela Start Campus, a produção de energia a partir de hidrogénio em Sines, e a exploração de lítio no distrito de vila Real, em Montalegre e Boticas.

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