Facebook tenta calar CHEGA e André Ventura

É a primeira vez que é aplicada uma restrição de 10 anos. André Ventura é o único líder partidário em Portugal com a conta restrita por tempo indeterminado.

© Folha Nacional

A Meta, dona de redes sociais como o Facebook, o Whatsapp ou o Instagram, decidiu aplicar uma sanção inédita a um partido político em Portugal, suspendendo por 10 anos a conta de Facebook do partido de André Ventura.

No passado domingo, dia 14 de abril, o partido recebia uma mensagem da Meta na sua conta oficial de Facebook dando conta disso mesmo: “A tua conta está restringida durante 3649 dias. A atividade da tua conta desrespeitou os nossos padrões da comunidade. Portanto, não podes executar uma ou várias ações habituais.” Ora, o que isto significava é que deixava de ser possível o partido publicar vídeos, imagens ou fazer diretos na sua conta oficial, o que, na prática, inutilizava a conta.

Num dos alertas recebidos pelo partido, a rede social informava que uma das publicações – que dizia respeito à condecoração de Augusto Santos Silva por Marcelo Rebelo de Sousa – havia sido denunciada por conter “nudez de adultos e atividade sexual”.  

Ora, André Ventura reagiu prontamente, referindo que o caso foi reportado ao Facebook através dos serviços jurídicos do Partido e adiantou que o CHEGA vai “levar o assunto ao Parlamento e a todas as instâncias judiciais até obter a condenação do Facebook”. “Isto é, sem dúvida, censura política. Não há mais nenhuma justificação”, atirou em declarações aos jornalistas.

O partido reagiu também em comunicado, referindo que se tratava de “uma decisão absolutamente incompreensível e de uma perseguição inqualificável e sem precedentes a um partido político em Portugal.” 

Acrescentava ainda que “já por diversas vezes a Meta tentou interferir na liberdade de expressão que é conferida a qualquer partido político, mas desta vez foi longe demais. Esta é uma decisão claramente ilegal e inadmissivelmente limitadora da atividade política de um partido”, adiantando que “por isso, o CHEGA vai recorrer judicialmente desta decisão.”

O partido exige ainda “esclarecer se existiram ou não pressões políticas que levaram a Meta a tomar esta decisão” e promete “levar o assunto ao Parlamento para devolver ao CHEGA a sua liberdade de expressão política a que qualquer partido tem direito num país democrático.”

Entretanto, na quarta-feira, dia 17 de abril, o partido de André Ventura informou que “a Meta levantou a restrição à conta do CHEGA no Facebook”, depois de ter anunciado que a conta seria restringida por ter desrespeitado os padrões de comunidade da rede social.

O partido informou ainda que a direção vai manter a ação judicial contra a Meta porque, segundo justificam, a página de Facebook de André Ventura continua com restrições.

Recorde-se que a página oficial de André Ventura nesta rede social, e que se encontra verificada junto da Meta, se encontra bloqueada desde dezembro de 2023, sendo o único líder político em Portugal com restrições nesta área.

Acresce que o CHEGA é o partido com mais seguidores e interações nas redes sociais e é através destas redes que veicula mensagens censuradas pela comunicação social. 

Um estudo recente do ISCTE indicava que o partido de André Ventura era o que mais se destacava nas redes sociais, contando com mais seguidores e mais interações em plataformas como o Facebook, o Instagram ou o Twitter.

No Instagram, André Ventura tem cerca de 400 mil seguidores. Já no Facebook tem 311 mil seguidores e cerca de 170 mil no Twitter. Cada publicação que faz nestas redes conta com inúmeros comentários e outras interações.

Já as páginas do partido nas diferentes redes contam igualmente com números bastante expressivos. A CHEGA TV, por exemplo, tem 169 mil subscritores e milhões de visualizações das intervenções dos vários deputados e do líder do partido.

As redes sociais são uma aposta do partido desde o primeiro momento, uma vez que permitem que a mensagem passe diretamente para os seguidores sem o viés jornalístico que, na maioria das vezes, prejudica deliberadamente o partido e André Ventura.

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