FMI recomenda reforma fiscal em Portugal

O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Europa, Alfred Kammer, elogiou hoje a evolução da economia portuguesa, recomendou uma reforma fiscal abrangente e avisou que incertezas, sejam políticas ou externas, têm sempre impacto no investimento.

© Facebook de IMF

Em entrevista à Lusa, questionado se um governo minoritário pode ser um risco para as perspetivas económicas portuguesas, Alfred Kammer admitiu que “a incerteza é sempre algo negativo” e deve-se “tentar reduzi-la” tanto quanto possível.

“Sempre que há um aumento de incerteza, de onde quer que venha, há um impacto, nomeadamente no investimento, por causa das perspetivas. Isso é um problema e não importa se vem de um governo minoritário, ou da perceção de uma mudança nas políticas, ou se vem de uma elevada incerteza externa, incluindo de uma fragmentação geoeconómica”, disse.

No entanto, Alfred Kammer destacou que “Portugal teve um crescimento muito forte nos últimos anos”, apesar do abrandamento previsto para este ano, mas ainda assim acima da zona euro.

“O que estamos a assistir são os efeitos da política monetária europeia, que estão a deprimir a procura, mas também a diminuir a procura externa, mas o crescimento foi bastante forte e bastante robusto ao longo dos últimos anos”, assinala.

O FMI reviu em alta o crescimento económico de Portugal para 1,7% este ano, mostrando-se ligeiramente mais otimista do que o Governo (1,5% num cenário de políticas invariantes), e cortou a taxa de inflação para 2,2%, segundo as previsões económicas esta semana divulgadas.

No retrato que traça da economia portuguesa, o responsável do FMI destaca a trajetória de redução da dívida pública face ao PIB nos últimos anos, tendo-se fixado em 99,1% em 2023.

“Portugal fez um trabalho excecionalmente bom na redução da dívida pública ao longo da última década. É um dos rácios dívida/PIB com o declínio mais rápido na Europa após a pandemia, ao ter caído de 135% do PIB para 99% do PIB”, aponta.

Alfred Kammer defende a importância desta opção, argumentando que uma dívida elevada cria vulnerabilidades e é “um fardo” quando taxas de juros mais altas sobem o custo do serviço da dívida.

“Foi uma conquista notável e achamos que uma política orçamental prudente deve continuar a ser seguida no futuro”, recomenda, argumentando que se devem criar almofadas para despesas públicas adicionais no futuro.

Elenca assim entre as sugestões para Portugal “uma reforma orçamental abrangente, eliminando ou reduzindo despesas orçamentais, aumentar gradualmente o preço do carbono e a sua tributação e concentrar-se em algumas das pressões de despesa que estão a surgir devido ao envelhecimento da sociedade”.

Alfred Kammer defende ainda que “o investimento público tem um papel importante e para isso precisamos de ter espaço orçamental”.

O FMI prevê um excedente orçamental de 0,2% do PIB este ano e um rácio da dívida de 94,7% e de 80,1% em 2028.

A instituição com sede em Washington melhorou esta semana em 0,1 ponto percentual (pp.) a previsão do crescimento global para 3,2% este ano e aponta para um avanço da economia da zona euro de 0,8% no ano corrente.

Últimas de Economia

Todas as cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, assim como da região do Algarve, tornaram-se "inacessíveis" para uma família de rendimento médio que queira arrendar casa pela primeira vez, conclui um estudo da Century 21.
O dinheiro colocado pelos clientes particulares em depósitos atingiu 144,3 mil milhões de euros em 2025, o valor máximo desde 2003, o início da série, segundo os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Os bancos emprestaram 23,3 mil milhões de euros em crédito à habitação em 2025, mais 5.900 milhões de euros do que em 2024 e o valor mais elevado desde 2014 (o início da série), segundo o Banco de Portugal.
Cerca de 116 mil clientes da E-Redes continuavam esta terça-feira às 12:00 sem fornecimento de eletricidade em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, informou a empresa.
O presidente da estrutura de missão para responder aos efeitos da depressão Kristin afirmou hoje que a plataforma para pedir apoios para a reconstrução das casas afetadas deverá ficar disponível online entre hoje e quarta-feira.
O mês de janeiro de 2026 teve o maior consumo de energia elétrica de sempre registado no sistema nacional, segundo avançou hoje a REN - Redes Energéticas Nacionais.
O preço mediano dos 41.117 alojamentos familiares transacionados no terceiro trimestre de 2025 foi de 2.111 euros por metro quadrado, mais 16,1% que no mesmo período de 2024 e 2,2% acima do trimestre anterior, divulgou hoje o INE.
O Estado anunciou ajuda, mas o dinheiro não chegou a quem precisava. Em 2025, 1,2 milhões de euros destinados à botija de gás ficaram por gastar, apesar do aumento do preço e do recorde de beneficiários. Um apoio que existe no papel, mas falha na vida real.
Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 332,3 milhões de euros em 2025, com um aumento de 37,4 milhões de euros face ao ano anterior, foi anunciado.
A empresa que gere o SIRESP vai receber este ano uma indemnização compensatória de 26 milhões de euros para garantir a gestão, operação e manutenção da rede de comunicações de emergência e segurança do Estado, anunciou hoje o Governo.