Sánchez revela hoje se avança com demissão ou continua a ser primeiro-ministro de Espanha

O primeiro-ministro de Espanha, o socialista Pedro Sánchez, faz hoje uma declaração ao país depois de na quarta-feira ter revelado que ponderava demitir-se e que ia parar para refletir durante cinco dias.

© Facebook/pedro.sanchezperezcastejon

 

Pedro Sánchez fez este anúncio no dia em que um tribunal de Madrid confirmou a abertura de um “inquérito preliminar” por alegado tráfico de influências e corrupção da sua mulher, Begoña Gomez, na sequência de uma queixa de uma organização conotada com a direita radical baseada em alegações e artigos publicados em páginas na Internet e meios de comunicação digitais.

O Ministério Público pediu no dia seguinte o arquivamento da queixa, por considerar não haver indícios de delito que justifiquem a abertura de um procedimento penal.

O líder do Partido Socialista espanhol (PSOE) e do Governo de Madrid disse que ele próprio e a mulher, Begoña Gómez, estão há meses a ser vítimas da “máquina de lodo” da direita e da direita radical (Partido Popular e Vox) e que não sabe se vale a pena continuar à frente dos cargos perante um “ataque sem precedentes, tão grave e tão grosseiro”.

“Muitas vezes esquecemo-nos de que por trás dos políticos há pessoas”, afirmou, num texto publicado na rede social X.

O Partido Popular (PP) e o Vox acusam Sánchez de estar a vitimizar-se e a fazer “um espetáculo” que envergonha o país internacionalmente, para desviar as atenções de várias suspeitas de corrupção e para fazer campanha eleitoral em véspera de diversas eleições (regionais na Catalunha e europeias em junho).

“Não se deixem enganar. Espanha não tem um problema, quem tem um problema judicial é o senhor Sánchez” por causa de “alegados casos de corrupção que afetam o seu Governo, o seu partido e pessoas que lhe são próximas”, disse o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, no sábado.

Horas antes, dirigentes do PSOE, reunidos numa Comissão Federal, o órgão máximo entre congressos, denunciaram uma “guerra suja” da direita e direita radical espanholas contra o primeiro-ministro e a sua família, baseada em campanhas de desinformação na Internet, comparando-a com outros casos ocorridos no Brasil, Estados Unidos, Argentina e “muitos países europeus”.

Enquanto decorria a reunião da Comissão Federal do PSOE – sem a presença de Sánchez -, na sede nacional do partido, em Madrid, mais de 10 mil pessoas, segundo as autoridades locais, concentraram-se na rua, nas imediações do edifício, em apoio ao primeiro-ministro, com pedidos para não se demitir.

No caso que envolve Begoña Gómez estão em causa ligações da mulher de Pedro Sánchez a empresas privadas, como a companhia aérea Air Europa, que receberam apoios públicos durante a crise da pandemia de covid-19 ou assinaram contratos com o Estado quando o marido era já primeiro-ministro.

Sánchez, que está à frente do Governo espanhol desde 2018, tem também sido atacado por causa de uma investigação judicial a um assessor de um ex-ministro socialista que alegadamente cobrou comissões ilegais a vender máscaras durante a pandemia a entidades públicas, incluindo governos regionais então nas mãos do PSOE.

Este caso levou à criação de comissões de inquérito no parlamento, apoiadas pelos socialistas, sobre a compra de material sanitário pelas administrações públicas durante a crise da covid-19. Os trabalhos destas comissões arrancaram na semana passada.

Últimas do Mundo

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que o homólogo da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e retirado à força do país, depois de os Estados Unidos terem realizado um “ataque em grande escala” no país.
Uma mulher de nacionalidade portuguesa está entre os feridos do incêndio num bar da estância de ski de Crans Montana, na Suíça, existindo ainda uma outra desaparecida, avançou à Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
Na sequência de um endurecimento da política migratória, a Polónia procedeu, em 2025, à execução de aproximadamente 2.100 ordens de deportação, um aumento significativo face ao ano anterior, assumindo como prioridade o cumprimento da lei e a defesa da ordem pública.
O incêndio num bar da estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, durante a noite de Passagem de Ano, provocou a morte de cerca de 40 pessoas e feriu aproximadamente outras 115, anunciou hoje a polícia do cantão de Valais.
O líder do hospital público de Macau revelou hoje que a região, que em 2024 já teve a mais baixa natalidade do mundo, registou em 2025 o menor número de nascimentos em quase 50 anos.
Os Estados Unidos (EUA) anunciaram novos ataques aéreos contra mais dois navios suspeitos de envolvimento no tráfico de droga, que causaram a morte de pelo menos cinco pessoas.
A companhia Eurostar anunciou hoje a retoma de todos os serviços de comboios entre o Reino Unido e a Europa continental, após uma suspensão de várias horas devido a problemas técnicos, mas alertou para possíveis interrupções.
O antigo primeiro-ministro malaio Najib Razak foi hoje condenado a 15 anos de prisão por corrupção no fundo de investimento estatal 1Malaysia Development Berhad (1MDB).
A Comissão Europeia aprovou o pedido do Governo português para reprogramar os fundos europeus do PT2030, bem como dos programas operacionais regionais do atual quadro comunitário de apoio.
A autoridade da concorrência italiana aplicou esta terça-feira uma multa de 255,8 milhões de euros à companhia aérea de baixo custo irlandesa Ryanair por abuso de posição dominante, considerando que impediu a compra de voos pelas agências de viagens.