26 Maio, 2024

Stoltenberg garante que Kiev não pediu tropas da NATO

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, garantiu hoje ter dito à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que a Ucrânia não pediu a intervenção militar da Aliança Atlântica para combater a invasão russa.

© FACEBOOK | Jens Stoltenberg

“A NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] não tem intenção de enviar forças para a Ucrânia”, acrescentou Stoltenberg, em declarações à agência noticiosa italiana ANSA, após o encontro com Meloni.

“Quando visitei a Ucrânia, na semana passada, os ucranianos não pediram tropas da NATO, mas sim mais apoio”, sublinhou Stoltenberg, que se encontra em visita oficial a Itália.

Stoltenberg disse também ter agradecido a Meloni o facto de a Itália ter fornecido a Kiev, juntamente com a França, um sistema de defesa aérea SAMP/T.

“A Itália também assinou um acordo bilateral de segurança com a Ucrânia, ajudando a melhorar as defesas do país, a apoiar a indústria de armamento e a combater as ameaças híbridas”, afirmou Stoltenberg, que elogiou o apoio de Roma a Kiev.

“Elogiei a Itália por ser um aliado fiel, importante e fundamental da NATO, contribuindo de muitas formas diferentes para as missões da Aliança, uma contribuição muito apreciada”, afirmou Stoltenberg.

Sobre o encontro com Meloni, Stoltenberg afirmou que abrangeu uma vasta gama de questões “que são atualmente importantes para a nossa segurança”.

Stoltenberg recordou que a Itália “desempenha um papel muito importante como presidente do G7 num período crítico para a nossa segurança”.

Por seu lado, Meloni pediu a Stoltenberg que sejam tomadas “decisões concretas” sobre o flanco sul – a zona do Mediterrâneo que inclui os países do sul da Europa – na cimeira da Aliança Atlântica que se realizará em Washington no próximo mês de julho.

Meloni recebeu Stoltenberg na sede da Presidência do Governo, em Roma, onde lhe comunicou “a expectativa da Itália de que possam ser tomadas decisões concretas em Washington” sobre o que descreveu como “os desafios” da margem sul, em especial os relacionados com a migração irregular.

As autoridades italianas lidam há anos com os elevados fluxos de migrantes do Norte de África nesse flanco, que também associam às ameaças ligadas à zona do Sahel, e Roma pede, por isso, uma maior intervenção e contribuição da NATO, que ultimamente tem estado muito concentrada na guerra na Ucrânia.

A chefe do governo italiano insistiu na necessidade de uma atenção mais específica nesta área, “em coerência com a abordagem de 360 graus da segurança euro-atlântica prevista no Conceito Estratégico da NATO”.

Os líderes aliados vão reunir-se nos Estados Unidos de 09 a 11 de julho, onde se espera que a questão da Ucrânia e o apoio militar a Kiev face à Rússia sejam novamente temas centrais.

Em 2022, quando a cimeira da NATO se realizou em Madrid, a Espanha estabeleceu entre os seus objetivos que a organização olhasse para o flanco sul e para ameaças como a fragilidade institucional e política, o tráfico de drogas, de armas e de seres humanos, embora esta questão não tenha sido central na perspetiva estratégica da aliança até agora.

Agência Lusa

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