CHEGA quer fazer “auditoria completa” às contas da Madeira

O cabeça de lista do CHEGA às antecipadas de 26 de maio na Madeira, Miguel Castro, disse hoje que o partido pretende fazer uma "auditoria completa" às contas da região e à gestão do executivo PSD/CDS-PP.

© D.R

“Se nós tivermos esse poder parlamentar, será isso que vamos implementar: uma auditoria às contas da gestão pública do Governo Regional da Madeira, em todos os setores”, afirmou, reforçando que esta será a “primeira medida”.

Miguel Castro falava aos jornalistas no decurso de uma iniciativa de campanha para as eleições antecipadas de 26 de maio, que arrancou hoje, na freguesia do Santo da Serra, no interior do concelho de Santa Cruz, onde os candidatos visitaram o mercado local acompanhados pelo líder nacional do partido, André Ventura.

“Essa mesma auditoria vai-nos dar os números que nós suspeitamos e os madeirenses e porto-santenses hão de ficar a conhecer as contas verdadeiras e certas da Região Autónoma da Madeira”, disse.

Tal como antes afirmara o líder nacional do partido, também Miguel Castro garantiu que o CHEGA/Madeira, atualmente representado por quatro deputados no parlamento regional, não vai estabelecer qualquer acordo com o PSD nem com o PS, o maior partido da oposição, independentemente do resultado eleitoral.

“Será o CHEGA parlamentar”, disse, para logo acrescentar: “Dentro do parlamento, os partidos falam todos uns com os outros. Não falamos é nos corredores do poder, não falamos em gabinetes à porta fechada, porque não temos nada a esconder aos madeirenses e porto-santenses”.

E reforçou: “O que tivermos a falar, falaremos dentro do parlamento que é a casa da democracia, que é ali que todos os madeirenses e porto-santenses nos podem ver”.

O cabeça de lista, também líder regional do CHEGA e deputado na Assembleia Legislativa, garantiu que essa será sempre a sua postura, mesmo apesar de eventuais pressões.

“Eu sofro pressões todos os dias, eu sofro ameaças todos os dias, mas não é isso que me fará, com certeza, demover”, disse, para logo sublinhar: “Eu não tenho medo de sofrer algum dano mais grave, mas a verdade é que eu estou aqui por um princípio, pelo meu partido, pela Madeira e pelos madeirenses e é isso que eu vou fazer até ao fim”.

As legislativas da Madeira decorrem em 26 de maio, com 14 candidaturas a disputar os 47 lugares no parlamento regional, num círculo eleitoral único.

O sorteio da ordem no boletim de voto colocou o Alternativa Democrática Nacional (ADN) em primeiro lugar, seguindo-se Bloco de Esquerda (BE), Partido Socialista (PS), Livre (L), Iniciativa Liberal (IL), Reagir, Incluir, Reciclar (RIR), CDU — Coligação Democrática Unitária (PCP/PEV), CHEGA (CH), CDS — Partido Popular (CDS-PP), Partido da Terra (MPT), Partido Social-Democrata (PPD/PSD), Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Partido Trabalhista Português (PTP) e Juntos Pelo Povo (JPP).

Segundo dados do Ministério da Administração Interna, até terça-feira estavam recenseados para votar 254.522 eleitores.

As eleições antecipadas ocorrem oito meses após as mais recentes legislativas regionais, depois de o Presidente da República ter dissolvido o parlamento madeirense, na sequência da crise política desencadeada em janeiro, quando o líder do Governo Regional (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, foi constituído arguido num processo em que são investigadas suspeitas de corrupção.

Em setembro de 2023, a coligação PSD/CDS venceu sem maioria absoluta e elegeu 23 deputados. O PS conseguiu 11, o JPP cinco, o CHEGA quatro, enquanto a CDU, a IL, o PAN (que assinou um acordo de incidência parlamentar com os sociais-democratas) e o BE obtiveram um mandato cada.

O PSD sempre governou no arquipélago e venceu com maioria absoluta 11 eleições entre 1976 e 2015.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA pediu hoje audições parlamentares do ministro da Defesa, Nuno Melo, e de um representante da empresa portuguesa NT Group (NTG), para esclarecer questões relacionadas com a aquisição de três fragatas a Itália.
O CHEGA aparece à frente do Partido Socialista (PS) nas intenções de voto dos inquéritos feitos online durante o mês de agosto.
O líder do CHEGA, André Ventura, reagiu com "estupefação" ao processo judicial anunciado pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, acusando o Governo de "opacidade e arrogância". O político insistiu ainda na exigência de esclarecimentos sobre a compra de três fragatas a Itália e sobre alegadas comissões de intermediação.
O CHEGA considerou "de uma enorme gravidade" a decisão do Presidente da República de enviar para o Tribunal Constitucional o decreto sobre retorno de estrangeiros, sustentando tratar-se de "uma irresponsabilidade".
O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.