Mais de 50% dos habitantes de Gaza podem enfrentrar morte e fome até julho

Mais de metade da população da Faixa de Gaza poderá enfrentar a morte e a fome "até meados de julho", e em 21 países a insegurança alimentar aguda poderá deteriorar-se, segundo um relatório das Nações Unidas hoje publicado.

©Facebook Israel Reports

A nova edição do relatório de alerta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM) indicou que a situação em Gaza resulta do “impacto devastador do conflito em curso, das fortes restrições ao acesso de bens, e do colapso dos sistemas agro-alimentares locais”O relatório nota ainda como está exposta às situações mais graves de insegurança alimentar a totalidade da população da Faixa de Gaza, palco de um conflito que se iniciou em outubro do ano passado, na sequência do ataque dos islamitas palestinianos do Hamas a Israel, que provocou cerca de 1.200 mortos e deixou duas centenas de reféns, segundo Telavive. Em resposta, Israel lançou ataques que mataram mais de 36 mil pessoas, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas.

De acordo com o relatório, relativo ao período entre junho e outubro de 2024, a violência armada e os conflitos continuam a ser as principais causas de insegurança alimentar aguda em numerosos locais, que enfrentam deslocações generalizadas, destruição dos sistemas alimentares e redução do apoio humanitário.

Espera-se, assim, que o conflito em curso na Palestina agrave “ainda mais o número de mortos, sem precedentes”, assim como a “destruição generalizada e a deslocação de quase toda a população da Faixa de Gaza”.

“Estão a surgir ramificações regionais mais amplas que poderão agravar as já elevadas necessidades de segurança alimentar no Líbano e na Síria”, acrescentam as organizações, que estimam ainda aumentos nos custos dos bens alimentares no Iémen face à crise registada no Mar Vermelho, o que irá agravar ainda mais a situação na zona.

Os organismos da ONU acrescentaram o Haiti à lista de locais que precisam de “atenção muito urgente”, por se viver já em catástrofe ou em risco dessa classificação em breve, devido à escalada da violência.

Myanmar (antiga Birmânia), Síria, Líbano e o Iémen foram identificados como focos de grande preocupação.

E devido às intensificações de conflitos, Myanmar e Haiti poderão registar mais deslocações e restrições ao acesso a alimentos e a assistência.

O relatório recordou ainda as consequências de conflitos na contração do crescimento económico, assim como as “tensões geopolíticas na região do Médio Oriente e Norte de África e potenciais novas escaladas [que] continuam a ser um risco importante para a economia mundial”.

Para a insegurança alimentar contribuem também fenómenos meteorológicos extremos, como chuvas excessivas, tempestades tropicais, ciclones, inundações, secas e aumento da variabilidade climática, prevendo-se que o fenómeno meteorológico La Niña, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, possa melhorar perspetivas agrícolas, mas também inundações em países africanos e no Haiti.

FAO e PAM destacam a necessidade de uma “assistência urgente e reforçada em 18 focos de fome para proteger os meios de subsistência e aumentar o acesso aos alimentos”.

“Uma intervenção mais precoce pode reduzir as carências alimentares e proteger os ativos e os meios de subsistência a um custo inferior ao de uma resposta humanitária tardia”, concluiu o relatório, que também defendeu “mais investimentos em soluções integradas”.

Últimas do Mundo

As grandes ondas de calor, como a que atingiu a América do Norte em 2021, desencadeiam efeitos ecológicos em cascata frequentemente desastrosos mas também por vezes subtis, afetando a maior parte das espécies animais, segundo um estudo publicado hoje.
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) alertou hoje para uma campanha promovida por um Estado estrangeiro para ter acesso a dados de contas do ‘WhatsApp’ e de ‘Signal’ de governantes, diplomatas e militares.
A Europol avisou hoje que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.
O Sistema de Alerta Rápido da União Europeia (UE) para produtos não alimentares perigosos registou, em 2025, um número recorde de 4.671 alertas sobre bens como cosméticos, brinquedos e aparelhos elétricos, anunciou hoje a Comissão Europeia.
Um esquema que terá durado 20 anos está agora em tribunal em Valladolid. A acusação diz que uma funerária retirava os caixões antes da cremação e voltava a vendê-los a outras famílias.
Três pessoas morreram e 14 ficaram feridas após um tiroteio ocorrido num bar em Austin, no estado do Texas, informaram as autoridades policiais.
Mais de 70 casos de 'chikungunya' em viajantes regressados das Seychelles foram registados desde novembro por 10 países europeus, mas o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças afirma que a transmissão local na Europa continental é improvável.
A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.