Saída da CP foi “obrigatória por lei”, garante secretária de Estado

A secretária de Estado da Mobilidade afirmou hoje no parlamento que a sua saída da CP foi "obrigatória por lei" para a sua entrada na AMT e que a indemnização foi calculada de forma automática.

© Folha Nacional

“A minha saída dos quadros da CP era obrigatória por lei. Não havia a figura de licença sem vencimento, a figura de poder ser requisitada, cedida ou o contrato suspenso. Recorrer a qualquer outro mecanismo que não a rescisão não era possível”, disse Cristina Dias numa audição no parlamento.

Cristina Dias foi chamada à comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação, a requerimento do PS, sobre a sua saída da CP – Comboios de Portugal com uma indemnização de 80.000 euros, para assumir funções como administradora da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

“Desde o momento que notifiquei a CP, na minha intenção de aderir voluntariamente ao programa de rescisão por mútuo acordo, o processo seguiu a tramitação igual à das centenas de casos análogos, de trabalhadoras e trabalhadores da Comboios de Portugal que aderiram ao programa de rescisão por mútuo acordo”, referiu a secretária de Estado.

Cristina Dias apontou que o pedido foi “anuído e despachado para os recursos humanos” para ser tratado “de acordo com a tabela aplicável a todos os trabalhadores”.

“A indemnização foi feita de forma absolutamente clara, transparente. Era a tabela Excel que estava em vigor desde 2010”, acrescentou.

A governante rejeitou comparações com o caso da ex-secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, garantindo que “se existe algum paralelismo, é no reconhecimento do critério da antiguidade, feito pela IGF [Inspeção-Geral de Finanças], no relatório de auditoria”.

“Não saí da CP para ir para a TAP […]. Eu saí de um emprego que tinha, se quisesse, para a vida, com mais de 18 anos, para ir fazer, e com honra, o Conselho de Administração da entidade reguladora por um mandato único e irrepetível”, defendeu-se, argumentando que a indemnização foi calculada de forma automática.

O jornal Correio da Manhã (CM) noticiou em 19 de abril, após Cristina Dias ter sido anunciada como secretária de Estado da Mobilidade, que a atual governante saiu da CP — Comboios de Portugal em julho de 2015, com uma indemnização de cerca de 80.000 euros, para assumir funções como administradora da AMT a convite do governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

Segundo o jornal, foi depois auferir na AMT um salário e despesas de representação na ordem dos 13.440 euros por mês, quase o dobro dos 7.210 euros que recebia na CP.

Cristina Dias garantiu que o processo de entrada na AMT foi público e através da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP).

Após renunciar ao seu cargo de vice-presidente da CP, Cristina Dias voltou ao seu lugar de técnica superior.

Já perante o salário que iria auferir na AMT, a atual secretária de Estado garantiu que “não sabia, nem tinha de saber, o que é que seria” o seu vencimento.

No passado dia 22 de maio, o ex-diretor da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) Francisco Fortunato, que denunciou o caso em 2015, disse no parlamento que “nenhuma norma foi cumprida” naquele processo e que a indemnização paga pela CP foi um “ato de má gestão, lesivo do interesse público e feito à total revelia dos normativos existentes e da política de austeridade então aplicada pelo Governo à generalidade dos trabalhadores”.

Em 29 de maio, também em audição na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação, o antigo presidente da CP Manuel Queiró — que exercia o cargo na altura em que Cristina Dias era administradora e saiu da empresa – negou ter tido conhecimento prévio da ida da atual secretária de Estado para a AMT.

Nesse mesmo dia, o atual presidente do Conselho de Administração da CP, Pedro Miguel Moreira, realçou no parlamento que a revogação do contrato de Cristina Dias “terá ocorrido enquanto trabalhadora da CP e não como administradora”, ainda que o pedido de renúncia do cargo de administradora e o pedido de revogação do contrato enquanto quadro da empresa tenham ocorrido no mesmo dia, 22 de julho de 2015.

Quanto ao valor da indemnização, este responsável disse ter averiguado que foram respeitadas as regras de cálculo de compensação pecuniária. “Nos documentos que vi, não encontrei nenhuma limitação, porque existiam metas de redução de efetivo que me pareceu que seriam prioritárias”, acrescentou.

Também ouvido, em 05 de junho, o antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações Sérgio Monteiro, que integrou o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, disse que Cristina Dias desconhecia o salário que ia auferir na AMT quando pediu para sair da CP e rejeitou “fatos feitos à medida” para indemnização.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA acusou hoje o Governo de atirar "dinheiro fora" na saúde e deixar cair novas unidades. André Ventura referiu que "311 milhões de euros foram alienados do PRR e coisas como o Hospital Oriental de Lisboa já não vão avançar".
O líder do CHEGA acusou o Governo de ignorar o impacto real do aumento do custo de vida, questionando a ausência de medidas concretas para aliviar os preços dos combustíveis, da alimentação e a carga fiscal sobre as famílias.
Um mês depois de uma polémica envolvendo alegado favorecimento, o Secretário de Estado da Gestão da Saúde foi exonerado a seu pedido, sendo substituído de imediato por um gestor com longa carreira financeira.
A passagem de Silvério Regalado pela Câmara Municipal de Vagos está a gerar crescente contestação no concelho, depois de terem vindo a público os números das contas municipais.
O presidente do CHEGA revelou este sábado que o partido e o Governo PSD/CDS-PP têm reuniões marcadas, para a próxima semana, para discutir o fim do visto prévio do Tribunal de Contas em contratos até aos 10 milhões de euros.
O líder do CHEGA disse estar disponível para chegar a um consenso com o Governo PSD/CDS-PP na revisão laboral, mediante algumas condições, mas, para isso, o executivo tem de querer e parar “de se vitimizar”.
PSD e CDS votam contra redução da carga fiscal sobre os combustíveis. Proposta do CHEGA é rejeitada e preços mantêm-se sob pressão para as famílias.
O presidente do CHEGA, André Ventura, disse hoje que aceitou debatedor, na segunda-feira, com o historiador José Pacheco Pereira, que no domingo tinha desafiado o político de direita radical a esgrimir argumentos com base em "factos e documentos".
O presidente do CHEGA apresentou hoje cinco condições para viabilizar a proposta de revisão da legislação laboral do Governo, pedindo que a negociação avance em breve para não se desperdiçar a maioria à direita no parlamento.
Entre os dias 21 e 23 de abril de 2026, a cidade do Porto acolhe os Patriots Study Days, um encontro internacional que reúne dirigentes políticos, eurodeputados, especialistas e decisores para discutir os grandes desafios da Europa no domínio da energia, do território e da soberania.