Reservas de ouro do Banco de Portugal já se valorizaram 19% desde o início do ano

O preço do ouro tem vindo a atingir máximos históricos, o que impulsiona o valor das reservas detidas pelo Banco de Portugal, que já se valorizaram 19% desde o início do ano.

© D.R.

 

O Banco de Portugal não comprou mais ouro nos últimos meses, mantendo a mesma quantidade, cerca de 382,6 toneladas, segundo indicou fonte oficial à Lusa. No entanto, o valor deste já aumentou, numa altura em que as perspetivas de corte de juros da Reserva Federal e as tensões geopolíticas têm impulsionado os preços deste metal precioso.

Esta valorização já tinha acontecido no ano passado, sendo que o Relatório do Conselho de Administração de 2023 indicava que “a quantidade de ouro detida pelo Banco não se alterou (382,6 toneladas), mas valorizou-se 9,3%”. O acréscimo de 1.993 milhões de euros face a 2022 resultou “da evolução positiva da cotação da onça de ouro em euros”, lê-se.

Este ano deverá acontecer o mesmo, sendo que a reserva de ouro já vale 27.469 milhões de euros, de acordo com os dados disponíveis no BP stat, o que compara com 22.978 milhões de euros no final de 2023.

O preço do ouro registou um máximo histórico na semana passada, ao atingir 2.531 dólares a onça, e tem estado a negociar em valores próximos dessa marca.

Apesar de o Banco de Portugal não estar a reforçar as reservas, existem bancos centrais a fazê-lo, o que também impulsiona os preços. Como sinalizou David Finger, Fund Manager na Allianz Global Investors, à Lusa, os bancos centrais estão a “aumentar as suas reservas de ouro para diversificar as exposições cambiais”.

Esta tendência também é destacada por James Luke, Fund Manager de Metais na Schroders, que escreveu numa nota de análise que “o agravamento das tensões entre os Estados Unidos e a China, e as sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022, levaram os bancos centrais a comprarem um volume recorde de ouro como ativo de reserva monetária”.

“As mais de mil toneladas de ouro (20% da procura global) compradas pelos bancos centrais em 2022 e 2023, um ritmo que se manteve no primeiro trimestre de 2024, são potencialmente sísmicas”, considerou, apontando que é possível que a “atual dinâmica de poder incumbente/em ascensão, combinada com a fragilidade fiscal, que paira não só sobre a moeda de reserva emitida pelos EUA, mas todo o bloco económico desenvolvido, pode desencadear uma mudança sustentada para o ouro”.

Entre os bancos centrais que compraram mais ouro destacam-se os da China, Turquia e Índia, segundo o relatório de 2024 do Conselho Mundial do Ouro.

No primeiro trimestre deste ano, as reservas oficiais globais de ouro aumentaram em 290 toneladas métricas, o maior aumento no primeiro trimestre desde pelo menos 2000.

Já o banco central da Polónia tornou-se o maior comprador conjunto de ouro entre os bancos centrais no segundo trimestre de 2024 (empatado com a Índia). O presidente do Narodowy Bank Polski, Adam Glapinski, disse no início do ano que o banco central ia continuar a comprar ouro e que esperava que o metal precioso viesse a representar 20% das reservas do banco.

Como explica o Banco de Portugal, “o ouro monetário é um ativo de reserva, constituindo um meio de pagamento internacional e de reserva de valor” e no ano passado representava 57,7% dos ativos de investimento próprio da instituição.

Últimas de Economia

O peso das compras de supermercado no orçamento familiar dos portugueses aumentou em 486 euros, entre 2019 e 2025, com os consumidores a adotarem maior prudência nas compras, segundo um inquérito divulgado hoje pela Centromarca.
O número de empresas constituídas até abril recuou 4,6% face aos primeiros quatro meses do ano passado, enquanto as insolvências subiram quase 8% no mesmo período, divulgou hoje a Informa D&B.
O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizados pela Deco Proteste, voltou a subir esta semana para 261,89 euros, mais 3,37 euros do que na semana passada, atingindo o valor mais elevado desde 2022.
Em cada conta da luz e do gás, há uma parte que já não aquece, não ilumina e não alimenta, serve apenas para engordar a carga fiscal. Portugal continua entre os países que mais taxam a energia na Europa.
Os consumidores contrataram em março 944 milhões de euros em crédito ao consumo, valor mais alto de sempre e mais 24,1% que há um ano, enquanto o número de contratos subiu 11,3% para 161.983, divulgou hoje o BdP.
A inflação homóloga da OCDE subiu para 4,0% em março, contra 3,4% em fevereiro, impulsionada por um aumento de 8,6 pontos percentuais da inflação da energia, foi hoje anunciado.
Comprar casa em Portugal exige hoje muito mais do que trabalhar: exige rendimentos que a maioria já não tem. Um novo estudo da CBRE mostra que o fosso entre salários e preço da habitação continua a aumentar e está a afastar milhares de famílias do mercado.
Portugal registou, no segundo semestre de 2025, o segundo maior valor da União Europeia (UE) dos preços do gás doméstico (17,04 euros por 100 kwh), expresso em paridade de poder de compra (PPC), divulga hoje o Eurostat.
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou para 91,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, mais 1,3 pontos percentuais face ao final de 2025, divulgou hoje o BdP.
Portugal é o quinto país da UE com a carga horária semanal mais elevada, numa média de 39,7 horas por semana, só ultrapassado pela Grécia, Polónia, Roménia e Bulgária, indica uma análise da Pordata.