Maioria dos partidos quer saber se Costa teve intervenção no caso das gémeas

A maioria dos partidos quer saber se o ex-primeiro-ministro António Costa teve alguma intervenção no caso das gémeas luso-brasileiras tratadas no Hospital de Santa Maria com o medicamento Zolgensma, enquanto o PS decidiu não fazer perguntas.

© Folha Nacional

Hoje termina o prazo para os partidos indicarem, no âmbito da comissão parlamentar de inquérito a este caso, as perguntas que querem fazer ao ex-primeiro-ministro, que indicou à comissão que responderá por escrito. As forças políticas acordaram que cada uma teria direito a indicar 10 questões.

Uma questão que se repete é se António Costa teve alguma intervenção, por exemplo na marcação da primeira consulta das gémeas, e quando teve conhecimento do caso.

Algumas forças políticas questionam se o ex-chefe do Governo abordou a situação das crianças com outro membro do Governo, a Presidência da República ou com os hospitais por onde passaram as meninas.

O PSD pergunta ao ex-primeiro-ministro se os secretários de Estado “devem assumir a responsabilidade política das ações das suas secretárias”, numa referência à marcação da consulta das meninas. Referindo a conclusão da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) de que o acesso à consulta foi ilegal, os sociais-democratas querem saber em que medida o anterior governo “está envolvido nesta ilegalidade”.

Os partidos referem também o ofício que foi encaminhado pelo chefe da Casa Civil do Presidente da República para o gabinete do então primeiro-ministro, querendo saber se António Costa teve conhecimento dessa comunicação.

A IL pergunta se sabia que tinha origem no filho do chefe de Estado e se o ex-primeiro-ministro recebeu algum contacto, “direto ou indireto”, por parte de Belém.

O CHEGA questiona se “o Presidente, ou algum funcionário da sua Casa Civil, intercedeu junto de si ou de alguém do Governo, sobre este caso” e se António Costa alguma vez se encontrou ou teve algum contacto” com o filho do Presidente da República Nuno Rebelo de Sousa, “ou alguém em sua representação”.

O BE quer saber se Costa “considera normal que um secretário de Estado se reúna com o filho do Presidente da República e instrua administrações de hospitais a marcar reuniões”.

O PS foi o único partido que decidiu não colocar qualquer questão a António Costa. O coordenador do PS na comissão de inquérito, deputado João Paulo Correia, lembrou que os socialistas votaram contra a audição do ex-primeiro-ministro, proposta pelo CHEGA, “porque nada e ninguém o implica minimamente neste processo, direta ou indiretamente”.

“Por esta razão, o PS não fará perguntas a António Costa”, referiu o deputado à agência Lusa.

Já o PCP coloca uma única questão a António Costa, que toma posse como presidente do Conselho Europeu no início de dezembro, nomeadamente se “tomou ou incentivou” medidas para “garantir a transparência e a justeza nos preços dos medicamentos como os destinados a doenças raras e, sobretudo, de que as companhias farmacêuticas não abusem da posição de detentoras exclusivas dos direitos sobre eles”.

O Livre aborda também outro assunto, questionando António Costa se teve conhecimento de que empresas “monopolizam os agendamentos nos consulados portugueses no estrangeiro, nomeadamente no Brasil”, e que ações foram tomadas.

O CDS-PP insta o ex-governante a dizer se considera que o SNS e o Estado possam ter sido lesados, uma vez que foi disponibilizado um medicamento de milhões de euros às crianças quando havia um seguro de saúde feito no Brasil.

O PAN pergunta se nos governos que chefiou existiam “regras relativamente ao registo de reuniões de membros do governo ou de gabinetes ministeriais com entidades externas”.

O presidente da comissão de inquérito, Rui Paulo Sousa (CHEGA), disse à Lusa que as perguntas serão enviadas na segunda-feira.

O Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares refere que o ex-primeiro-ministro tem 10 dias para responder, “a contar da data da notificação dos factos sobre que deve recair o depoimento”.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA aceita as duas limitações impostas por Aguiar-Branco e desbloqueia a comissão parlamentar de inquérito. Ventura mantém as críticas à decisão, mas garante que não deixará cair a investigação aos mandatos do antigo diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves.
Autarquia liderada pelo socialista Gonçalo Lopes repartiu trabalhos semelhantes de gestão florestal por cinco procedimentos, todos abaixo do limiar europeu. Dois ficaram a poucos milhares de euros dos 216 mil e, em quatro concursos, as empresas tiveram apenas cerca de 36 horas para apresentar propostas.
O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.
O presidente do CHEGA anuncia novo requerimento potestativo para investigar a passagem de Luís Neves pela direção da PJ e acusa o Parlamento de aplicar critérios diferentes dos usados noutras comissões de inquérito. Ventura admite limitar novamente o objeto para desbloquear a CPI.
O presidente do CHEGA acusa Aguiar-Branco de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna e fala numa operação de “contenção política de danos”. Ventura denuncia “dois critérios” na admissão de inquéritos parlamentares e promete não deixar cair a investigação à passagem de Luís Neves pela direção da Polícia Judiciária.
A Cosmos Business Travel, empresa ligada ao universo empresarial da família Oliveira, terá faturado perto de 600 mil euros desde 2024 em serviços de viagens e alojamento contratados por organismos públicos, segundo revela o Tal & Qual.
O inquérito potestativo que permitiria avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves sem votação foi rejeitado. CHEGA denuncia uma tentativa de proteger o ministro da Administração Interna e impedir que a sua gestão na PJ seja investigada.
CHEGA voltou a exigir que a comissão de inquérito à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária avance no arranque da nova sessão legislativa. Aguiar-Branco mantém o processo em análise e ainda não deu luz verde à constituição da comissão. Partido liderado por André Ventura lamenta novo impasse num inquérito que considera ser um direito potestativo.
A Entidade para a Transparência (EpT) admitiu não ser possível determinar com "rigor e fidedignidade" quantos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos estão atualmente obrigados a apresentar declarações de rendimentos e interesses.