Trabalhadores do fisco não têm como fiscalizar gorjetas, diz sindicato

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), Gonçalo Rodrigues, considera que não existem condições para fiscalizar a obrigação dos contribuintes declararem as gorjetas, tendo em conta a falta de meios organizacionais e humanos da Autoridade Tributária.

© D.R.

A leitura do STI surge na sequência de uma notícia recentemente publicada pelo Público sobre a obrigação legal de quem recebe gorjetas (entidade empregadora, como restaurantes e respetivos trabalhadores, por exemplo) ter de as declarar, para que estes valores possam ser tributados.

Tendo em conta a falta de meios e a dificuldade em operacionalizar a fiscalização das gorjetas, o presidente do STI considera que as obrigações legais sobre este tipo de gratificações acabam por “valer zero”.

Segundo o Código do IRS, “as gratificações auferidas pela prestação ou em razão da prestação de trabalho, quando não atribuídas pela entidade patronal nem por entidade que com esta mantenha relações de grupo, domínio ou simples participação, independentemente da respetiva localização geográfica, são tributadas autonomamente à taxa de 10%”.

“Não temos maneira de fiscalizar estas situações”, disse à Lusa Gonçalo Rodrigues, afirmando que o trabalho poderia ser facilitado se, por exemplo, fosse possível recorrer a um mecanismo do género do ‘agente infiltrado’.

Assim, assinala o dirigente sindical, mesmo que o inspetor verifique ao vivo uma dessas situações de fuga ao fisco, a “própria Autoridade Tributária e Aduaneira [AT] não lhe dá autoridade para atuarem”, levantando um auto de notícia como sucede, por exemplo, quando um agente da autoridade vê um automobilista a passar um sinal vermelho ou a falar ao telemóvel enquanto conduz.

Num comunicado, o STI refere que, apesar de o valor declarado das gorjetas estar a aumentar, a “realidade demonstra que é impossível saber quanto dinheiro circula de facto em gorjetas”, sendo este apenas “mais um indicador que mostra o crescimento da economia paralela e da fuga crescente aos impostos com a consequente injustiça social que tal fenómeno cria”.

Falando em “bola de neve que vai crescendo”, o presidente do STI refere que em termos de inspeção se passou do “80 para o menos oito”, apontando à falta de meios humanos, técnicos e organizacionais.

Últimas de Economia

O preço por litro do gasóleo deverá aumentar 15 cêntimos e o da gasolina avançar 12 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha, segundo a estimativa do Automóvel Club de Portugal (ACP).
Os preços homólogos da produção industrial aumentaram 5,8% na zona euro e 5,6% na União Europeia (UE) em julho, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
Quase metade dos europeus só consegue comprar o equivalente a um apartamento com até 50 metros quadrados, revela um novo estudo da Universidade Técnica de Viena, que inclui o mercado de habitação português entre os "sistematicamente inacessíveis".
A escalada do petróleo nos mercados internacionais ameaça provocar uma subida de 14 cêntimos por litro no gasóleo e de sete cêntimos na gasolina.
Os novos contratos de empréstimos para habitação aumentaram 166 milhões de euros em julho, para 2.345 milhões de euros, atingindo o valor mais elevado da série, informou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A remuneração dos novos depósitos a prazo aumentou em julho pelo sexto mês consecutivo, para 1,59%, tendo o montante de novas operações de depósito atingido um máximo histórico, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As empresas comunicaram 375 despedimentos coletivos até julho, o que representa um aumento de cerca de 13% face ao período homólogo, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
O consumo de energia elétrica em Portugal aumentou 3,1% entre janeiro e agosto, com a produção solar a atingir, no mês passado, um novo máximo de potência, segundo dados divulgados pela REN.
Os juros da dívida pública a 20 anos subiram para 4,26%, o valor mais elevado desde 2017, numa altura em que a escalada da inflação e os receios de novas subidas das taxas de juro estão a castigar as obrigações soberanas.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) alertou hoje para o crescimento de situações de fraude e burla associadas a supostos investimentos no mercado de capitais, através de contactos não solicitados e campanhas de publicidade enganosa 'online'.