Adiamento da moção de censura na Madeira leva CHEGA a recorrer à justiça

O líder do CHEGA considerou hoje que o adiamento da discussão da moção de censura na Madeira é ilegal e anunciou que o partido vai pedir aos tribunais que o revertam e ao Presidente da República que se pronuncie.

© Folha Nacional

“Nós decidimos avançar com um requerimento urgente, de natureza cautelar, que, como todos sabem, tem que ser decidido em poucas horas, e vamos fazê-lo, espero eu, dentro das próximas 24 horas, junto da jurisdição administrativa competente”, afirmou.

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura disse que o CHEGA quer “pedir aos tribunais administrativos uma decisão urgente sobre a absoluta ilegalidade que foi decidida na Madeira” para que a justiça reverta a decisão e “diga à Assembleia Legislativa Regional que isto não pode ser, e que terá mesmo que discutir a moção dentro do prazo dos oito dias”.

O líder do CHEGA apelou também ao Presidente da República que se pronuncie sobre o adiamento para depois da discussão do orçamento regional para 2025.

“Quando um Governo e um parlamento estão capturados por dois partidos que decidem violar todas as leis e todas as regras para sobreviver politicamente, o Presidente da República, enquanto garante do regular funcionamento das instituições, tem que deixar uma mensagem clara de que não vale tudo para estar agarrado ao poder, de que não vale tudo para sobreviver”, defendeu.

André Ventura afirmou que o adiamento para a 17 de dezembro da discussão da moção de censura ao Governo Regional da Madeira que o CHEGA apresentou “é uma ilegalidade sem precedentes” e “um golpe de Estado regional”.

“Isto é ilegal, isto não está previsto na lei, isto viola as regras claras e básicas da nossa democracia”, criticou, acusando o presidente do governo regional, Miguel Albuquerque, de querer “agarrar-se ao poder”.

O presidente do CHEGA defendeu que “a moção de censura é algo urgente porque leva à queda do governo” e tem de ser discutida no prazo de oito dias após a sua entrega, “um prazo que é imperativo”.

“Um governo que, para sobreviver e se agarrar ao poder, decide usar expedientes ilegais para adiar a sua queda, está a cometer uma crassa na ilegalidade”, acusou.

Ventura criticou também o PS por se ter abstido sobre o adiamento e acusou os socialistas de cobardia.

O parlamento da Madeira debate, a 17 de dezembro, uma moção de censura ao governo regional minoritário, apresentada pelo CHEGA, alegando os processos judiciais em curso envolvendo o presidente, Miguel Albuquerque, e quatro secretários regionais, todos constituídos arguidos.

A discussão vai acontecer depois do debate do orçamento para o próximo ano. A decisão de adiamento foi tomada pela conferência dos representantes dos partidos e o CHEGA apresentou um recurso para a anular, mas o parlamento da Madeira aprovou hoje, em plenário, um requerimento do presidente que valida a decisão e rejeitou o recurso.

O requerimento, alicerçado num parecer elaborado pela Assessoria Jurídica do Gabinete do Presidente da Assembleia Legislativa, foi aprovado com votos a favor do PSD e de um deputado do CDS-PP, votos contra de JPP, CHEGA, PAN e IL, e abstenção do PS e do presidente do parlamento, o democrata-cristão José Manuel Rodrigues.

A moção de censura terá aprovação garantida com os votos de PS, JPP, CHEGA e IL, que juntos têm maioria absoluta, a confirmarem-se as intenções de voto divulgada. O parlamento conta ainda, além do PSD, com o CDS-PP (com um acordo com os sociais-democratas) e o PAN.

Miguel Albuquerque foi constituído arguido no final de janeiro por suspeitas de corrupção, abuso de poder e prevaricação.

O social-democrata, chefe do executivo desde 2015, demitiu-se na altura, mas venceu as eleições antecipadas de maio. A aprovação da moção de censura implica a demissão do Governo Regional e a permanência em funções até à posse de uma nova equipa.

Últimas de Política Nacional

O candidato presidencial e líder do CHEGA remeteu hoje para “a consciência” do presidente do PSD e primeiro-ministro uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura, num cenário de segunda volta que o opôs a António José Seguro.
O número de eleitores recenseados para as eleições de 18 de janeiro é de 11.039.672, mais 174.662 votantes do que nas presidenciais de 2021, segundo a atualização final do recenseamento eleitoral.
Sem voto postal e com queixas de boletins que não chegam, um em cada seis eleitores pode ficar fora das presidenciais. A Folha Nacional sabe que cidadãos portugueses no estrangeiro estão a alertar para falhas no processo.
O candidato presidencial apoiado pelo CHEGA lamentou hoje a “inoportunidade” do Conselho de Estado, no qual vai participar, e onde pretende transmitir ao Presidente da República que devia ter tido uma “ação firme” com o Governo na saúde.
O presidente da República promulgou, esta quinta-feira, o diploma que prevê a centralização dos serviços de urgência externa no Serviço Nacional de Saúde (SNS), as chamadas urgências de âmbito regional.
O candidato presidencial André Ventura afirmou que o primeiro-ministro ignorar um pedido de demissão de um ministro feito pelo Presidente da República resultaria num “cenário de conflito aberto”.
O Conselho de Estado vai reunir-se hoje, no Palácio de Belém, para analisar a situação internacional e em particular na Ucrânia, tema que motivou a convocatória do Presidente da República, ao qual entretanto juntou a Venezuela.
Depois de três mortes em 24 horas à espera de socorro, Pedro Pinto acusou o Governo de incompetência e de conduzir o SNS para um colapso sem precedentes.
O presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina (CHEGA), ordenou a suspensão imediata de dois dirigentes municipais na sequência de denúncias graves de assédio moral e ameaças feitas por trabalhadoras da autarquia.
A Polícia Judiciária (PJ) realizou esta quinta-feira buscas na Câmara Municipal de Setúbal. A presidente da autarquia, Dores Meira, deverá ser constituída arguida num inquérito relacionado com o recebimento de ajudas de custo, apesar de dispor de viatura oficial.