“Há uma falta enorme de oficiais de justiça, aqui [Leiria] são gritantes”

O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, classificou hoje como gritante a falta de oficiais de justiça na Comarca de Leiria.

© LUSA/ANTUNES

“Há uma falta enorme de oficiais de justiça, aqui são gritantes as situações de falta de funcionários e oficiais de justiça”, afirmou Amadeu Guerra aos jornalistas, no âmbito de uma visita de trabalho à Comarca de Leiria, referindo que “essa é a grande dificuldade” reportada.

Explicando que, “normalmente, são sempre necessários muitos meios, quer [devido à] falta de magistrados, quer às vezes meios tecnológicos”, o procurador-geral da República declarou que, “neste momento, as dificuldades fundamentais é ao nível dos oficiais de justiça nos tribunais”.

Questionado sobre as implicações desta situação no trabalho dos magistrados do Ministério Público, Amadeu Guerra apontou as consequências “na atividade processual, porque, muitas vezes, [os oficiais de justiça] não têm disponibilidade para juntar as documentações aos respetivos processos e apresentá-las aos magistrados”.

“Por outro lado, muitas vezes também para abrir inquéritos, não têm possibilidade de abrir todos os inquéritos necessários, isto em termos gerais. (…) Não têm possibilidade de abrir os inquéritos todos e, portanto, logo na altura como deve ser, e essa falta de funcionários tem essas repercussões na atividade dos tribunais”, declarou.

Em junho último, o Conselho Consultivo do Tribunal Judicial da Comarca de Leiria deliberou, por unanimidade, pedir a célere intervenção da ministra da Justiça para que sejam tomadas medidas que mitiguem a falta de oficiais de justiça.

O Conselho Consultivo emitiu também parecer que reconhece a inexistência de recursos humanos que permitam assegurar qualquer plano de contingência tendente a manter em pleno funcionamento todos os serviços de secretaria da Comarca, estando esgotadas as medidas de gestão para o efeito possíveis.

A deliberação surge na sequência de uma sessão deste órgão na qual foi analisada a situação de rutura iminente de diversos serviços devido à falta de oficiais de justiça.

Num documento enviado à agência Lusa, referiu-se que o quadro legal de oficiais de justiça previsto para a Comarca de Leiria é de 322, mas que em 31 de dezembro de 2023 estavam colocados 271.

Ao longo deste ano, “esses números têm vindo a decrescer”, sendo que, por exemplo, em 14 de março, “o número de oficiais de justiça estava já reduzido a 268”.

Neste cenário, “de iminente rutura do serviço público prestado pelo Tribunal Judicial da Comarca de Leiria”, o Conselho Consultivo frisou que a prestação desse serviço está a ser posta em causa no distrito de Leiria, desde logo, devido à falta de oficiais de justiça.

Fonte da Comarca de Leiria disse hoje à Lusa que desde o envio desta missiva a situação agravou-se.

A visita de trabalho do procurador-geral da República à Comarca de Leiria segue-se às visitas às comarcas de Aveiro e Setúbal, com o objetivo de, “através do contacto direto com a realidade local, identificar dificuldades aí sentidas, bem como estratégias para as ultrapassar”.

Amadeu Guerra faz-se acompanhar do vice-procurador-geral da República, Paulo Morgado de Carvalho, e pelo procurador-geral regional de Coimbra, Tolda Pinto.

A próxima visita é à Comarca de Lisboa Norte, no dia 12 de dezembro.

Últimas do País

Capital reforçou patrulhamento depois de episódios de violência grave. Na Baixa do Porto, sindicato alerta para agressões, tentativas de violação e noites com reduzida presença policial.
Queixas começaram há cerca de dois meses e os utentes garantem que o problema se tem agravado. Cerca de 60 doentes passam diariamente pela sala, onde permanecem ligados às máquinas durante quatro horas. Hospital confirma a presença dos insetos e garante estar a tentar erradicar a praga.
Mais de mil bombeiros estavam às 08:00 envolvidos no combate aos quatro maiores incêndios ativos na região Norte, sendo os de Torre de Moncorvo, Arouca e Santo Tirso os que mobilizam mais meios, segundo fonte da proteção civil.
A GNR deteve o líder de uma rede internacional de tráfico de droga, na sequência de uma operação iniciada em 2026 e que tinha permitido prender cerca de 50 pessoas, anunciou hoje a corporação.
Em alguns casos, a indefinição prolonga-se há mais de um ano e meio, com os gestores a permanecerem em funções sem saber se serão reconduzidos ou substituídos. Entre as instituições nesta situação está o Hospital de São João, no Porto, uma das maiores unidades hospitalares do país.
Portugal já registou 6572 incêndios rurais em 2026, mais 748 do que no mesmo período do ano passado. Número de ocorrências sobe quase 13% e atinge o valor mais elevado dos últimos quatro anos. Mais de 60 mil hectares já foram consumidos pelas chamas.
Diretora de Medicina Interna demite-se e responsável pela Urgência ameaça sair se não melhorarem as condições para tratar os doentes.
Três incêndios em mato em Torre de Moncorvo, Santo Tirso e Arouca destacam-se ao início da tarde de hoje entre as “ocorrências significativas” registadas pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), mobilizando mais de 900 operacionais.
Dois episódios de violência grave, registados em poucos dias, levaram a PSP a mobilizar pelo menos 30 elementos do Corpo de Intervenção para reforçar a segurança numa das zonas mais turísticas de Lisboa, entre o Terreiro do Paço e o Marquês de Pombal.
Suspeitos terão regressado ao local depois de uma luta com intenção de concretizar uma ameaça. Polícia intercetou o grupo e apreendeu uma arma artesanal de calibre 9 mm, carregada e municiada.