Comité europeu dá razão a associações sobre direitos sindicais para militares

O Comité Europeu de Direitos Sociais considerou que Portugal está a violar a Carta Social Europeia por não consagrar direitos sindicais e de negociação coletiva para os militares das Forças Armadas, foi hoje divulgado.

© Exército Portugal

A decisão surge depois de em 2021 a EUROMIL, organização europeia de associações e sindicatos militares, ter apresentado uma queixa contra Portugal por incumprimento da Carta Social Europeia.

O presidente da direção da EUROMIL, Emannuel Jacob, disse hoje no parlamento que Portugal está a violar o artigo 5.º desta carta, sobre o direito à organização, ao proibir as associações profissionais militares de exercerem atividades de natureza sindical e, consequentemente, “de representarem coletivamente os seus membros para a proteção dos seus interesses económicos e sociais”.

Ouvido hoje na comissão parlamentar de Defesa Nacional, Emmanuel Jacob disse que esta decisão não equivale a “uma sentença” nem existe um prazo para que o país resolva a questão.

Contudo, periodicamente, Portugal terá que apresentar um relatório ao Comité dos Direitos Sociais a explicar o que está a fazer sobre esta matéria, uma vez que assinou a Carta Social Europeia em 1991 e ratificou a carta revista em 2002.

O Comité considerou ainda que Portugal está a violar em parte o artigo 6.º desta carta por não promover “suficientemente mecanismos de consulta conjunta ou de negociação coletiva para os militares”, como acontece atualmente para os agentes das forças de segurança.

Perante os deputados da comissão de Defesa, o presidente da EUROMIL observou que há pelo menos dez países na Europa que já reconhecem estes direitos aos militares.

Na audição, o deputado Bruno Vitorino, do PSD, considerou que é possível ir “um pouco mais além nos direitos das associações e na sua relação com o Governo, sem criar sindicatos”, lembrando que a discussão não é nova em Portugal.

O deputado assinalou que até hoje a maioria dos partidos não concordaram em alterar a lei nesta matéria, uma vez que a Constituição da República Portuguesa estabelece que as Forças Armadas “são rigorosamente apartidárias e os seus elementos não podem aproveitar-se da sua arma, do seu posto ou da sua função para qualquer intervenção política”.

Pelo PS, a deputada e ex-ministra Mariana Vieira da Silva salientou que Portugal é um país que valoriza a negociação coletiva, mas ressalvou que o país fez as suas escolhas na sua Constituição bem como nas principais leis que organizam a Defesa Nacional.

O deputado Nuno Simões de Melo, do CHEGA, argumentou que as leis portuguesas são “muito claras sobre os direitos e deveres dos militares” e considerou que o país devia estar “mais preocupado” com uma eventual guerra na Europa.

Na resposta, Emmanuel Jacob concordou na importância de preservar a “neutralidade das Forças Armadas” mas distinguiu “neutralidade política” dos militares e a “neutralidade do indivíduo”.

O responsável deu como exemplo a Irlanda, que em 2018 enfrentou uma decisão do comité semelhante à de Portugal. Naquele país, as associações militares tornaram-se membros da confederação sindical nacional, mas estão impedidas de participar em greves ou de fazer declarações políticas.

Contudo, têm a vantagem de incluir os militares das Forças Armadas nos processos de negociação coletiva.

 Na audição parlamentar de hoje, o presidente da EUROMIL foi acompanhado por dirigentes das três associações socioprofissionais que existem em Portugal, e há muito reivindicam estes direitos: a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), a Associação Nacional de Sargentos (ANS) e a Associação de Praças (AP).

O Comité Europeu dos Direitos Sociais é um órgão do Conselho da Europa, composto por 15 membros independentes, e que tem como missão controlar o cumprimento da Carta Social Europeia.

Últimas do País

Nos primeiros sete meses do ano, morreram menos 487 pessoas relativamente ao mesmo período de 2025, mas aumentaram os óbitos de crianças até um ano, mais 12, totalizando 71.622 mortes, dos quais 147 de bebés, revela o INE.
O jovem detido na quinta-feira em Algés, concelho de Oeiras, por suspeita de matar a mãe, e a sua irmã de 4 anos seriam vítimas de maus-tratos por parte da progenitora, avançou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
Os trabalhadores do INEM pedem a demissão do presidente do organismo em resolução aprovada na Assembleia Geral (AG) que hoje decorreu, convocada pela Comissão de Trabalhadores para discutir as últimas decisões e declarações públicas do presidente.
Uma pessoa morreu atropelada na madrugada de hoje na freguesia da Encosta do Sol, na Amadora.
Cerca de 60 concelhos dos distritos de Bragança, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Santarém e Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio, segundo o Instituto português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Guarda Nacional Republicana realizou mais de 400 intervenções de proteção e socorro em áreas montanhosas desde 2024, sendo a maioria na Serra da Estrela, contabilizou hoje a corporação.
O Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF) recebeu 12.349 notificações de suspeitas de reações adversas a medicamentos em 2025, mais 9,2% do que em 2024, um aumento atribuído pelo Infarmed ao maior envolvimento de profissionais de saúde e cidadãos.
Os tempos médios de espera para primeira observação ultrapassaram hoje as 11 horas na urgência do hospital do Barreiro, na Unidade Local de Saúde (ULS) do Arco Ribeirinho, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
As forças de segurança vão reforçar a fiscalização nas estradas no próximo fim de semana, anunciou hoje o ministro da Administração Interna, salientando que a aposta será na imprevisibilidade, pelo que os polícias não estarão sinalizados.
Uma turista sueca, de 42 anos, foi atingida por uma bala perdida durante um confronto na Baixa de Lisboa. o suspeito de etnia cigana, também investigado por violência doméstica e sequestro, saiu em liberdade após ser ouvido em tribunal.