MONTENEGRO ESCONDE CONTAS PARA FUGIR ÀS AUTORIDADES

André Ventura confrontou o primeiro-ministro que se encontra no centro de uma polémica financeira, utilizando várias contas para fugir ao controlo das autoridades, tendo decidido não responder a nenhuma pergunta.

© Folha Nacional

O primeiro-ministro Luís Montenegro encontra-se no centro de uma polémica que tem também uma vertente financeira relacionada com a compra de um apartamento em Lisboa, no valor de 401.269 euros, realizada em novembro de 2024. A transação foi efetuada com o pagamento a pronto do valor total, mas surgiram suspeitas sobre a origem dos fundos utilizados, especialmente após a descoberta de que o pagamento foi feito através de várias contas bancárias à ordem, com saldos inferiores a 41 mil euros. A utilização desta estratégia levantou suspeitas de que o primeiro-ministro poderia ter procurado contornar os mecanismos de controlo das autoridades fiscais, pois os políticos só têm de declarar as contas à ordem cujo saldo seja superior a 41 mil euros, tal como noticiou o Correio da Manhã.

A polémica ganhou maior visibilidade após uma análise das declarações de rendimentos e património financeiro de Luís Montenegro entregues à Entidade para a Transparência (EpT). O principal motivo de interrogação neste caso continua a ser a origem dos 226 mil euros usados na compra do imóvel, uma quantia que não foi mencionada nas suas declarações de rendimentos.

De acordo com os dados disponíveis, o primeiro-ministro declarou apenas 75.206 euros de património financeiro, um montante insuficiente para cobrir o preço total do imóvel.

Após a compra, em dezembro do ano passado Luís Montenegro entregou uma nova declaração de rendimentos à EpT, na qual constava uma redução no seu património financeiro, que passou de 75.206 euros para um crédito do BCP no valor de 100 mil euros.

No entanto, a soma destes dois valores (175.206 euros) continua a ser insuficiente para justificar os 226 mil euros que faltam, mantendo-se, assim, o mistério da origem dos fundos por esclarecer.

Outro ponto controverso no caso envolve a transferência das quotas da empresa familiar Spinumviva para os filhos de Luís Montenegro. Este movimento foi interpretado como uma tentativa de evitar problemas jurídicos relacionados com a venda de quotas entre cônjuges, pois, de acordo com o Código Civil, a venda de quotas entre cônjuges casados em regime de comunhão de adquiridos é considerada nula. Assim, a transferência das quotas para os filhos resolve essa questão sem implicações fiscais. Este caso está a gerar uma grande pressão sobre o primeiro-ministro e sobre o Governo. As explicações de Luís Montenegro não foram suficientes para dissipar as dúvidas em torno da origem dos fundos utilizados na compra do imóvel. A utilização de várias contas bancárias à ordem para realizar transações financeiras e a discrepância entre os rendimentos declarados e os montantes efetivamente envolvidos na compra do imóvel continuam a ser questões centrais do caso. A situação foi ainda mais agravada pela falta de uma explicação convincente sobre os 226 mil euros que faltam justificar.

Durante o debate da segunda moção de censura ao Governo, a primeira proposta pelo CHEGA e esta pelo PCP, André Ventura questionou o primeiro-ministro se este não estaria a cometer uma “imprudência”, relembrando o caso de Hernâni Dias. “Veio ao Parlamento brincar com a situação, mas não disse o óbvio: que havia uma avença em funcionamento. Cometeu ou não uma imprudência?”, questionou.

O Presidente do CHEGA, recordando algumas das notícias das últimas semanas, como a informação acima, acusou o primeiro-ministro de ter uma “cultura de arrogância e habituação à impunidade”. “O critério que aplicou aos outros não foi o mesmo que aplicou para si, escondeu-se no Palácio de São Bento”, acusou. Em jeito de conclusão, André Ventura acusou Montenegro de ter “perdido toda a integridade e legitimidade para governar”.

A moção de censura apresentada pelo PCP acabou rejeitada pelos partidos, tal como já havia acontecido com a moção apresentada pelo CHEGA.

Últimas de Política Nacional

O Parlamento vota hoje uma lista conjunta PSD, CHEGA e PS para a eleição de quatro novos juízes candidatos ao Tribunal Constitucional (TC) e também a candidata proposta pelos socialistas para provedora de Justiça, Luísa Neto.
O Presidente do CHEGA defendeu hoje a confirmação do decreto do Parlamento sobre a utilização de bandeiras em edifícios públicos vetado pelo chefe de Estado, considerando que existe uma maioria suficiente para o fazer.
O Presidente do CHEGA afirmou hoje que não foi possível chegar a um entendimento com o Governo sobre a reforma laboral, depois de ter estado reunido com o primeiro-ministro, e reiterou que votará contra "se tudo se mantiver como está".
O primeiro-ministro e o presidente do CHEGA estão reunidos em São Bento, encontro que o gabinete de Luís Montenegro apenas confirma como "reunião de trabalho".
O CHEGA considera que "há caminho para andar" para um acordo com o Governo visando a viabilização da proposta do executivo que cria a prestação social única (PSU).
O presidente do CHEGA disse hoje que o seu partido poderá viabilizar a criação da Prestação Social Única (PSU) na generalidade se o PSD aceitar limitar os apoios sociais para imigrantes, desafiando os sociais-democratas a aceitar esse "compromisso".
O CHEGA/Açores apresentou dois requerimentos no parlamento açoriano a questionar o Governo Regional sobre "a exclusão" dos agricultores açorianos de apoios extraordinários aprovados pela República e sobre "a falta de limpeza" no Porto dos Carneiros, na Lagoa.
A consultora Wise Healthcare Solutions (WiseHS), fundada por Eurico Castro Alves, ex-secretário de Estado da Saúde do PSD e antigo presidente do Infarmed, apresentou à sociedade portuguesa de canábis medicinal Sync Nature um empresário brasileiro condenado por tráfico de cocaína e apontado pelas autoridades brasileiras como elemento ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas da América Latina.
O CHEGA/Açores pediu esclarecimentos ao Governo açoriano sobre "a verdadeira dimensão" do consumo de álcool entre os jovens, alertando para "o aparecimento de casos cada vez mais precoces" de dependência alcoólica, foi anunciado.
Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.