Política monetária deve ajustar-se a grande aumento dos gastos

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse hoje que, ao ajustar a política monetária, a entidade deve considerar o impacto de “um grande aumento nos gastos com defesa ou infraestrutura” na inflação.

© Flickr/BCE

Falando na 25.ª conferência “O BCE e os seus Observadores”, realizada em Frankfurt, Lagarde afirmou que “as receitas simples de política monetária não serão apropriadas na atual conjuntura”.

“Quaisquer choques futuros que tenhamos de enfrentar – tais como choques nos preços da energia e perturbações na cadeia de abastecimento ou um grande aumento das despesas com a defesa ou com as infraestruturas – terão, portanto, de ser analisados”, referiu a presidente do BCE na conferência organizada pela Universidade Goethe de Frankfurt.

“Dito isto, as receitas simples de política económica não serão apropriadas no ambiente que enfrentamos atualmente”, acrescentou, sublinhando que o BCE deve “manter a agilidade para responder a circunstâncias complexas à medida que estas surgem”.

Na semana passada, o BCE baixou a taxa de depósito em um quarto de ponto percentual, para 2,5%.

A facilidade de depósito, que é a taxa à qual o BCE remunera as reservas ‘overnight’ excedentárias dos bancos, é agora a taxa à qual orienta a política monetária.

Depois de ter cortado as taxas de juro seis vezes desde junho do ano passado, Lagarde deu a entender na semana passada que o BCE poderia considerar uma pausa nos cortes das taxas na sua reunião de meados de abril.

O BCE está a reagir ao anúncio da Alemanha de um orçamento extraordinário para investir em infraestruturas e na defesa.

Os democratas-cristãos e os sociais-democratas chegaram a acordo sobre um orçamento extraordinário de 500.000 milhões de euros para o investimento em infraestruturas e a flexibilização do teto da dívida para financiar despesas mais elevadas com a defesa nos próximos dez anos.

Este orçamento poderia tirar a Alemanha da estagnação, que começaria a crescer, mas também aumentaria a inflação e, por isso, talvez já não fosse apropriado que o BCE baixasse mais as suas taxas de juro.

De facto, nos mercados obrigacionistas, as taxas de juro dispararam após o anúncio deste orçamento.

Os investidores esperam que a Alemanha tenha de emitir mais dívida para financiar estes investimentos e, por isso, os rendimentos da dívida alemã subiram nos mercados, bem como os de outros países da zona euro.

Além disso, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, quer mobilizar 800.000 milhões de euros para rearmar a Europa.

 

Últimas de Economia

A escalada do petróleo nos mercados internacionais ameaça provocar uma subida de 14 cêntimos por litro no gasóleo e de sete cêntimos na gasolina.
Os novos contratos de empréstimos para habitação aumentaram 166 milhões de euros em julho, para 2.345 milhões de euros, atingindo o valor mais elevado da série, informou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A remuneração dos novos depósitos a prazo aumentou em julho pelo sexto mês consecutivo, para 1,59%, tendo o montante de novas operações de depósito atingido um máximo histórico, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As empresas comunicaram 375 despedimentos coletivos até julho, o que representa um aumento de cerca de 13% face ao período homólogo, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
O consumo de energia elétrica em Portugal aumentou 3,1% entre janeiro e agosto, com a produção solar a atingir, no mês passado, um novo máximo de potência, segundo dados divulgados pela REN.
Os juros da dívida pública a 20 anos subiram para 4,26%, o valor mais elevado desde 2017, numa altura em que a escalada da inflação e os receios de novas subidas das taxas de juro estão a castigar as obrigações soberanas.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) alertou hoje para o crescimento de situações de fraude e burla associadas a supostos investimentos no mercado de capitais, através de contactos não solicitados e campanhas de publicidade enganosa 'online'.
A taxa de inflação anual na zona euro acelerou 1,3 pontos percentuais em agosto, face ao mesmo mês de 2025, para 3,3%, sobretudo devido aos preços da energia, com Portugal a registar 3,6%, acima da média.
Os pagamentos em atraso das entidades públicas totalizaram 706,1 milhões de euros até julho, um aumento de 140,7 milhões de euros face ao mês anterior, de acordo com a síntese da execução orçamental hoje revelada.
A inflação na Alemanha acelerou para 2,9% em agosto, impulsionada pelo aumento dos preços da energia, reforçando as expectativas de uma subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE) em setembro.