Portugal foi o 10.º país da UE de onde foi expedida mais MDMA para tráfico

Portugal foi o 10.º país da União Europeia (UE) de onde foi expedida, entre 2019 e 2022, a maior quantidade de MDMA destinado a ser traficado fora do espaço comunitário, segundo um relatório europeu hoje divulgado.

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De acordo com o documento ‘Mercado de Droga na UE: MDMA – uma análise aprofundada’, da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA, na sigla oficial) e da Europol, pelo menos 95 países extracomunitários reportaram entre 2019 e 2022 apreensões de MDMA com origem na UE, a principal região de exportação mundial de ‘ecstasy’.

Portugal encerra o ‘top-10′ dos países da UE que mais expediram MDMA, com 90,2 quilos apreendidos, numa tabela liderada pelos Países Baixos (2.845,9), Alemanha (1.439,6) e Bulgária (1.349,2).

No relatório, a EUDA e a Europol alertam que embora os Países Baixos e a Bélgica continuem a ser os principais produtores daquela droga sintética os dados apontam para uma diversificação geográfica da produção no seio da UE, tendo, de 2019 a 2022, sido desmanteladas unidades de fabrico também em Espanha, França, Polónia e Suécia.

Em Portugal, nenhuma foi descoberta no mesmo período.

A análise, baseada em dados de diversos estudos e organismos internacionais, sugere ainda que as rotas de tráfico de cocaína da América Latina para a Europa podem estar a ser usadas, em sentido inverso, para traficar MDMA da UE para aquela região, onde a procura por drogas sintéticas tem aumentado em anos recentes.

A EUDA e Europol realçam que há igualmente “indícios limitados” que sugerem que podem estar a ocorrer trocas diretas de MDMA por cocaína.

“Grupos criminosos especializados nestas trocas aparentam estar a liderar estes negócios, mas foi relatado que outros grandes grupos de crime organizado brasileiros, como o PCC [Primeiro Comando da Capital] e o PGC [Primeiro Grupo Catarinense] também se envolveram nestas trocas”, lê-se no relatório, que cita, a este propósito, um estudo de 2021.

Segundo um outro documento recente divulgado pela EUDA, no ano passado as deteções de drogas nas águas residuais na Europa apontam para um aumento dos consumos de cocaína, anfetaminas e sobretudo MDMA/’ecstasy’, com Lisboa em destaque entre as cidades portuguesas.

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