Governo moçambicano admite pagar indemnização de 2,6 milhões à portuguesa euroAtlantic

O Governo moçambicano admitiu hoje pagar três milhões de dólares (2,6 milhões de euros) à euroAtlantic, pela rescisão do contrato com a estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), mas abaixo da indemnização exigida pela companhia portuguesa.

© D.R.

“Tem a ver basicamente com um contrato com a euroAtlantic, que prestava serviço na rota Maputo-Lisboa, que o Governo avaliou a situação, no âmbito da reestruturação [da LAM], decidimos rescindir o contrato. E no âmbito da rescisão do contrato, obviamente, a empresa que tinha contrato com o Estado, com a LAM neste caso, pediu uma indemnização de 21 milhões de dólares [18,5 milhões de euros]”, disse o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.

Questionado pelos jornalistas, o ministro confirmou que o Governo tem uma equipa a analisar o contrato, tendo chegado “à conclusão” que o valor pedido pela euroAtlantic é “demasiado exagerado”.

“E o valor, mais ou menos, agora, de pré-aviso, que é a obrigação quando se faz a rescisão do contrato, é cerca de três milhões de dólares. Portanto, é o valor que temos na mesa, mas as equipas continuam a trabalhar”, acrescentou João Matlombe, admitindo que “ainda há acertos de contas” a fazer entre as duas empresas, incluindo faturas que “foram pagas” pela LAM e que “o trabalho não foi realizado”.

A euroAtlantic Airways (EAA) anunciou em 27 de fevereiro que rescindiu o contrato com a LAM com “efeito imediato”, alegando incumprimento da transportadora moçambicana “no pagamento das suas substanciais dívidas financeiras”, prometendo tomar medidas.

“A EAA mantém o compromisso de proteger os seus interesses comerciais e tomará todas as medidas legais e comerciais necessárias para garantir uma conclusão ordenada do contrato vigente”, lê-se no comunicado da empresa portuguesa, enviado na altura à Lusa.

Em causa está a ligação da LAM entre Maputo e Lisboa, que era assegurada por aviões da euroAtlantic, entretanto suspensa em 19 de fevereiro pela companhia estatal moçambicana.

“A EAA, que iniciou a operação desta rota para a LAM em dezembro de 2023, apenas foi informada da suspensão repentina de todos os serviços nesta rota a 11 de fevereiro de 2025”, observou a transportadora.

Citado no documento, o presidente da euroAtlantic, Stewart Higginson, afirmava que a transportadora portuguesa confia “que a LAM irá liquidar, com a máxima urgência, as suas obrigações financeiras pendentes”.

“No entanto, continuamos naturalmente disponíveis para apoiar a LAM no futuro, à medida que a situação evolui, e esperamos poder reforçar a relação que ambas as partes construíram ao longo dos últimos anos”, acrescentava.

A LAM anunciou em 18 de fevereiro a suspensão da rota Maputo – Lisboa a partir do dia seguinte, avançando que, desde 2023, a empresa acumulou prejuízos de mais de 21 milhões de dólares (18,5 milhões de euros) devido à operação.

“Enquanto a casa não estiver organizada e continuarmos a ter irregularidades nos voos domésticos, não podemos voar grande”, declarou Alfredo Cossa, porta-voz da LAM, em conferência de imprensa, em Maputo.

Abandonada pela companhia por quase 12 anos, a rota Maputo – Lisboa foi retomada em 20 de novembro de 2023 e fazia parte do plano de revitalização da operadora, depois de a empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA) ter entrado na gestão da LAM em abril daquele mesmo ano para um processo de reestruturação.

O transporte era assegurado por um Boeing 777 de 302 lugares, resultante de uma parceria com a operadora portuguesa EuroAtlantic, mas segundo o porta-voz da LAM, o novo Conselho de Administração da empresa concluiu que a operação era inviável.

“Nós alimentávamos essa rota com base em fundos do mercado doméstico. Produzíamos e pagávamos, tendo chegado a este momento que já não estamos a aguentar”, acrescentou Alfredo Cossa.

Além da rota Maputo-Lisboa, a LAM também suspendeu na altura a ligação entre a capital moçambicana e Harare, no Zimbabué, e Lusaka, na Zâmbia, descritas também como insustentáveis.

Últimas de Política Internacional

Uma proposta apresentada por Angie Roselló, porta-voz do partido espanhol de extrema esquerda Unidas Podemos, na autarquia de San Antoni, em Ibiza, está a gerar forte controvérsia.
O candidato presidencial e líder do CHEGA hoje “o derrube do regime de Nicolás Maduro“, após uma intervenção militar dos Estados Unidos da América na Venezuela, é “um sinal de esperança” para o povo daquele país e as comunidades portuguesas.
O Tribunal Constitucional indicou esta terça-feira que não admitiu as candidaturas às eleições presidenciais de Joana Amaral Dias, Ricardo Sousa e José Cardoso.
A Comissão Europeia anunciou hoje uma investigação formal para avaliar se a nova política da `gigante` tecnológica Meta, de acesso restrito de fornecedores de inteligência artificial à plataforma de conversação WhatsApp, viola regras de concorrência da União Europeia.
O Sindicato de Trabalhadores da Imprensa na Venezuela (SNTP) e o Colégio de Jornalistas (CNP), entidade responsável pela atribuição da carteira profissional, denunciaram hoje a detenção de um jornalista que noticiou a existência de um buraco numa avenida.
O Tribunal Constitucional da Polónia ordenou hoje a proibição imediata do Partido Comunista da Polónia (KPP), alegando que os objetivos e atividades do partido, refundado em 2002, violam a Constituição.
A Administração Trump suspendeu todos os pedidos de imigração provenientes de 19 países considerados de alto risco, dias após um tiroteio em Washington que envolveu um cidadão afegão, anunciou o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
Federica Mogherini, reitora do Colégio da Europa e ex-chefe da diplomacia da União Europeia (UE), foi indiciada pelos crimes de corrupção, fraude, conflito de interesse e violação de segredo profissional, revelou a Procuradoria Europeia.
O Presidente ucraniano apelou hoje para o fim da guerra, em vez de apenas uma cessação temporária das hostilidades, no dia de conversações em Moscovo entre a Rússia e os Estados Unidos sobre a Ucrânia.
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, considerou hoje que a situação na Catalunha só se normalizará totalmente se o líder separatista Carles Puigdemont for amnistiado e regressar à região, tendo reconhecido "a gravidade da crise política" que enfrenta.