Moedas fez declarações “falsas” sobre demissão de Jorge Coelho

O líder do CHEGA acusou hoje o presidente da Câmara de Lisboa de fazer declarações "absolutamente falsas" sobre a demissão do ministro Jorge Coelho em 20021 e desafiou o primeiro-ministro a abordar as responsabilidades políticas no acidente do elevador da Glória.

© Folha Nacional

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, antes de uma reunião com a Liga dos Bombeiros, André Ventura voltou a defender que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa deve assumir responsabilidades na sequência do acidente mortal e desafiou o primeiro-ministro e líder do PSD a pronunciar-se.

“Dirijo-me aqui especialmente ao primeiro-ministro de Portugal, porque é líder do partido a que o engenheiro Carlos Moedas pertence. Qual é a sua perspetiva sobre isso? Qual é a sua opinião sobre isso? Podem morrer 16 pessoas e ninguém ter culpa? Podem morrer 16 pessoas e olharmos para o lado e fingimos que nada aconteceu? Não há aqui uma responsabilidade política que nós sempre dissemos em democracia que tem que ser assumida e que tem que ser partilhada? Vamos olhar para o lado e fingir que não morreram pessoas?”, questionou.

O Presidente do CHEGA criticou igualmente as declarações de Moedas, no domingo à noite, sobre as razões da demissão do antigo ministro socialista Jorge Coelho após a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, considerando que “são absolutamente falsas”.

“Jorge Coelho demitiu-se na noite em que caiu a ponte Entre-os-Rios, com todas aquelas vítimas mortais. Carlos Moedas andou à fuga a ver onde é que se podia esconder naquela noite. Essa faz a diferença entre políticos, há os que dão a cara, os que não se escondem, e há os que estão sempre à procura de um beco para se poder esconder da responsabilidade”, defendeu.

No domingo, durante uma entrevista à SIC sobre as causas do acidente mortal com o Elevador da Glória, em Lisboa, Carlos Moedas foi confrontado com o exemplo do falecido socialista Jorge Coelho, em 2001, que se demitiu das funções de ministro de ministro do Equipamento Social na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios, no rio Douro.

Carlos Moedas recusou a comparação e disse que o gabinete de Jorge Coelho tinha recebido informações que apontavam para a fragilidade da ponte ainda antes do acidente, enquanto no caso dele, pelo contrário, não recebeu qualquer sinal nesse sentido em relação ao Elevador da Glória.

“Responsabilidade política é quando o político sabe e não atua”, justificou o presidente da Câmara de Lisboa.

Hoje, o líder do CHEGA acusou o autarca social-democrata de “falta de sentido de responsabilidade” e de se esconder e defendeu que “os políticos a sério, de cara séria, com verticalidade, não se escondem nos momentos de crise, não se escondem nos momentos de responsabilidade, assumem-na”.

André Ventura disse que o próprio “saberá como deve fazer”, indicando que “pode ser por ação, e assumir essa responsabilidade por essa via” ou “anunciando o que é que proativamente se vai fazer para o futuro”.

Ventura não pediu diretamente a demissão de Carlos Moedas, dizendo que essa é uma matéria para os autarcas do CHEGA , e lembrou que os deputados do partido na Assembleia Municipal de Lisboa vão apresentar na terça-feira uma moção de censura ao executivo da capital.

O elevador da Glória, em Lisboa, descarrilou na quarta-feira, causando 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

O elevador da Glória é gerido pela Carris, liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, num percurso de cerca de 265 metros e é muito procurado por turistas.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA, André Ventura, lamentou hoje os “ataques e falta de sentido democrático” das associações e universidades que criticaram a presença do partido na Futurália, dizendo que houve uma “tentativa de censura”.
O CHEGA vai chamar ao parlamento o governador do Banco de Portugal (BdP) para explicar a reforma de Mário Centeno com “benefícios escandalosos”, anunciou hoje o presidente do partido, que disse ter existido um “acordo escondido”.
O Parlamento rejeitou todas as propostas apresentadas pelo CHEGA para reforçar o mercado de arrendamento, incluindo a descida para 5% da taxa de IRS aplicada aos rendimentos prediais.
Um jornalista da rádio Observador foi retirado da sala durante uma audição da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, após uma decisão conjunta de PS e PSD. O CHEGA foi o único partido a votar contra.
O PS e o PSD chumbaram, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, um requerimento do CHEGA que pretendia ouvir especialistas independentes sobre a localização do futuro Aeroporto Luís de Camões, impedindo que dúvidas técnicas, económicas e ambientais fossem discutidas no Parlamento.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, retirou os pelouros ao vereador Mário Caixas, também eleito pelo PS, alegando quebra de confiança política num momento considerado decisivo para a recuperação do concelho após as recentes cheias.
O serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, que atravessa a Ponte 25 de Abril, vai estar sob escrutínio no Parlamento. O CHEGA conseguiu aprovar uma audição para ouvir utentes, Fertagus e Governo sobre as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de se vitimar e o primeiro-ministro de querer desviar atenções e usar as alterações à lei laboral como “manobra de distração”.
O Ministério Público arquivou 51 denúncias apresentadas contra cartazes do CHEGA, concluindo que os slogans não configuram crime e estão protegidos pela liberdade de expressão no debate político.
O Parlamento português recusou uma proposta do CHEGA que defendia que Portugal deveria fazer todos os esforços para reconhecer a Irmandade Muçulmana como organização terrorista.