Família de Bolsonaro celebra voto de juiz que pediu absolvição

A família de Jair Bolsonaro e figuras ao 'bolsonarismo' celebraram o voto do juiz Luiz Fux, que pediu a absolvição do ex-presidente brasileiro, em julgamento por alegada tentativa de golpe de Estado.

“O voto de Fux entra para a história ao desmontar a falsa narrativa de golpe e expor a perseguição contra Bolsonaro”, escreveu nas redes sociais o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, que se encontra em prisão domiciliária e não compareceu ao julgamento.

Já o deputado Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos a fazer ‘lobby’ junto da Administração norte-americana para que a Casa Branca exerça pressão junto do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, também recorreu às redes sociais dizendo que conselheiros de Donald Trump estão “acompanhando de perto a inquisição de Bolsonaro”.

O deputado federal enalteceu as decisões de Fux, que absolveram o seu pai dos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do património.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, responsável por convocar as últimas manifestações em defesa da amnistia a todos os condenados e acusados por tentativa de golpe de Estado partilhou um vídeo em que considerou que Fux “arrasou a farsa do golpe de Alexandre de Moraes” [juiz relator do processo].

Fux era visto pela direita brasileira como um dos juízes que poderia estar desalinhado com a acusação. Em julho de 2025, o Governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, impôs sanções a oito dos 11 juízes que compõem o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil.

O único dos juízes do coletivo da Primeira Turma do STF que não sofreu sanções foi Luiz Fux.

Para além de Jair Bolsonaro, Fux também absolveu na quarta-feira cinco outros réus de todas as acusações.

Apenas apoiou a condenação do ex-assessor de Bolsonaro e agora delator, o tenente-coronel Mauro Cid, e do ex-ministro Walter Braga Netto pela tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, absolvendo-os dos outros crimes.

Logo no início da sessão, Fux pediu a “anulação do processo por incompetência absoluta” da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em julgar o ex-presidente brasileiro, considerando que o julgamento deveria ser realizado em primeira instância e não no tribunal mais alto do país.

Após os votos no dia anterior do juiz relator, Alexandre de Moraes, e do juiz Flávio Dino, que votaram pela condenação de Bolsonaro e dos outros sete réus de todos os crimes, Luiz Fux apoiou as teses da defesa do ex-presidente e foi contra os argumentos de Moraes, e do Ministério Público, que acusou de “certa incoerência”, de expor “conjeturas” e de não apresentar provas suficientes.

“À medida que a narrativa avança, e até aqui continua, não há provas que sustentam”, disse, acrescentando que também não observou a tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito porque os fatos narrados pela Procuradoria não representavam um “perigo real”.

Além disso, Fux defendeu que não se configura o crime de golpe de Estado porque, à data dos eventos, Bolsonaro era o presidente (2019-2022) e o “autogolpe” não está previsto na legislação.

Restam agora os votos dos juízes Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, previstos para hoje. Basta que um dos dois vote pela condenação para que resulte uma maioria de votos e a condenação de Jair Bolsonaro.

Em caso de condenação, para a qual é necessária uma maioria de, pelo menos, três votos, a entrada na prisão não será automática, pois ainda há margem para alguns recursos.

Após a publicação do acórdão, a defesa e a acusação podem interpor embargos de declaração, no prazo de cinco dias, para corrigir eventuais contradições ou omissões.

Caso a decisão não seja unânime (3 a 2, com, pelo menos, dois votos pela absolvição), a defesa pode ainda recorrer por meio de embargos infringentes, que levam a matéria divergente ao plenário do STF, que tem 11 juízes.

A sessão de hoje, que estava prevista começar às 09:00 locais (13:00 em Lisboa), foi remarcada para as 14:00 (18:00 em Lisboa) visto que a argumentação do voto de Luiz Fux demorou mais de 13 horas e estendeu-se até às cerca das 23:00.

Últimas do Mundo

Várias empresas tecnológicas defenderam hoje que os legisladores europeus devem agir com urgência para evitar a perda de proteção das crianças contra abuso sexual online, defendendo que se mantenha o mecanismo atual, que expira em 3 de abril.
Três em cada cinco pessoas que pesquisaram imagens de abuso sexual de menores ‘online’ foram inicialmente expostas a este conteúdo antes dos 18 anos e em metade das vezes o material apareceu-lhes espontaneamente, revela um estudo hoje divulgado.
O português escolhido para o Comité do Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina disse hoje à Lusa estar "muito contente" com esta eleição, que considerou ser um "reconhecimento da investigação" que tem desenvolvido nos últimos anos.
A esperança de vida à nascença aumentou em 2024 pelo terceiro ano consecutivo, para 81,5 anos, na União Europeia (UE), após os recuos registados na pandemia de covid-19, divulga hoje o Eurostat.
Mais de 90 pessoas em 72 países foram detidas pela Interpol e 45 mil servidores e endereços na Internet bloqueados numa operação contra crimes informáticos, anunciou hoje a agência.
A Google anunciou hoje o lançamento do Groundsource, uma metodologia baseada em IA Gemini que transforma milhões de relatórios públicos em dados estruturados para prever desastres naturais, entre os quais inundações ou ondas de calor.
Espanha teve este ano os meses de janeiro e fevereiro com mais chuva em quase meio século, disse hoje a Agência Estatal de Meteorologia do país (Aemet).
Mais de metade (51%) dos cidadãos da União Europeia (UE) não utilizaram os transportes públicos em 2024, um número que aumenta para 68% entre os portugueses, indicou na quarta-feira o Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE.
A Provedora de Justiça Europeia alertou hoje para um aumento na falta de transparência das instituições da União Europeia (UE), o que excluiu a participação dos cidadãos, admitindo poder ser necessário rever legislação sobre a matéria.
As grandes ondas de calor, como a que atingiu a América do Norte em 2021, desencadeiam efeitos ecológicos em cascata frequentemente desastrosos mas também por vezes subtis, afetando a maior parte das espécies animais, segundo um estudo publicado hoje.