Mais de 10 mil homens vítimas de crime ajudados pela APAV nos últimos três anos

O número de vítimas masculinas apoiadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou mais de 23% nos últimos três anos, totalizando 10.261 pessoas, sobretudo vítimas de violência doméstica, mas também centenas de casos de crianças abusadas sexualmente.

© D.R.

De acordo com as estatísticas da APAV sobre “Vítimas no Masculino”, a que a Lusa teve acesso, entre 2022 e 2024, 10.261 pessoas precisaram do apoio da associação, registando-se um aumento de 23,3% na evolução desses três anos.

O número tem vindo gradualmente a aumentar, registando-se 3.013 vítimas masculinas em 2022, 3.532 em 2023 e 3.716 em 2024, o que significa que, em média, a associação prestou apoio a nove vítimas masculinas por dia.

Para Daniel Cotrim, assessor técnico da direção da APAV, este aumento explica-se com o facto de haver mais informação e sensibilidade de todas as pessoas para o tema da violência, o que eleva o número de denúncias.

“É um fenómeno que nós temos vindo a verificar nos últimos anos, de uma subida do número de denúncias de homens relativamente a situações de vitimação, portanto estes dados de alguma forma manifestam exatamente essa tendência, de crescimento do número de pedidos de apoio de homens. Há uma maior consciencialização”, salientou.

A maioria das vítimas são homens adultos e representam 40,6% do total, estando aqui incluídas as pessoas com idades entre os 18 e os 64 anos.

No total dos três anos, a APAV apoiou 4.167 adultos, o que representa uma média de 116 pessoas por mês ou quatro por dia.

O segundo grupo mais representado é o das crianças e jovens, com idades entre o zero e os 17 anos, tendo-se registado 3.556 vítimas (34,7%) que recorreram à APAV, o que significa que a associação apoiou, em média, três crianças e jovens por dia.

Houve também registo de 1.136 homens idosos (11,1%), o que dá uma média de 32 por mês, sete por semana e um por dia, além de 1.402 (13,6%) pessoas de quem não há registo de idade.

No que diz respeito aos crimes e formas de violência de que foram vítimas, os dados da APAV mostram que a violência doméstica é o crime que destaca, registando-se 11.906 crimes, aparecendo em segundo lugar os 885 crimes de ofensa à integridade física.

O terceiro lugar do top 6 é ocupado pelos 731 crimes de ameaça e coação, aparecendo depois 570 crimes de injúria/difamação, 400 crimes de burla e 331 crimes de abuso sexual de criança.

Especificamente em relação a este último, Daniel Cotrim explicou que as denúncias surgem por três vias: através de familiares – “sendo que na grande maioria das situações, em 90% das situações, o abuso sexual ocorre no contexto familiar” – pela Polícia Judiciária, autoridade policial responsável pela investigação de crimes sexuais, e pelas escolas ou outras entidades, mas em menor número.

No total, a APAV registou 17.279 crimes no decorrer destes três anos, o que representa um aumento de 19,8% entre 2022 e 2024.

A associação explica que a diferença entre o número de crimes e formas de violência (n=17.279) e o número de vítimas no masculino (n=10.261) tem a ver com o facto de uma vítima poder ser alvo de múltiplos crimes e formas de violência simultaneamente.

Relativamente à caracterização da vítima, a maioria (77,7%) é de nacionalidade portuguesa, contra 12,1% estrangeira e 10,2% sobre os quais não há informação, e vive nos distritos de Faro (20,2%), Lisboa (16,7%), Porto (10,8%) e Braga (9,6%).

Em quase 50% dos casos há uma relação de grande proximidade entre agressor e vítima, uma vez que em 21,8% dos casos a pessoa agressora é pai/mãe ou madrasta/padrasto da vítima, em 21,2% está ou esteve numa relação de intimidade com a vítima, havendo ainda 5,1% de casos em que o agressor é filho/a da vítima.

Um fenómeno explicado, segundo Daniel Cotrim, pelo facto de a violência doméstica ter sido o principal crime denunciado, com registo de 11.906 crimes no decorrer dos três anos, o que pressupõe um “contexto de intimidade” entre vítima e agressor/a.

É também a violência doméstica que explica que haja 36,6% de vítimas alvo de violência continuada e a demora em pedir ajuda, com registo de 29,8% de vítimas que demoraram entre dois e seis anos até pedirem ajuda à APAV pela primeira, e outras 10,9% que precisaram de 12 ou mais anos.

Segundo Daniel Cotrim, esta demora na apresentação da denúncia tem a ver com o ciclo de violência, mas também com “a dificuldade que [os homens] têm em perceber que isto lhes está a acontecer”, além do estigma e da vergonha associadas.

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