Cabo irregular era usado desde 2022 no elevador da Glória e não “há cerca de seis anos”

O cabo do elevador da Glória, em Lisboa, que não respeitava especificações exigidas, era usado desde 2022, segundo o relatório do preliminar do GPIAAF, que altera a informação inicial de que era utilizado “há cerca de seis anos”.

© LUSA/MIGUEL A. LOPES

O jornal Expresso noticiou hoje que a empresa municipal Carris “deu informação errada à investigação do acidente com o elevador da Glória”, fazendo uma análise entre a nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgada três dias após a tragédia, e o relatório  preliminar do GPIAAF, concluído no prazo de 45 dias e divulgado na segunda-feira.

O descarrilamento do elevador da Glória, sob gestão da empresa municipal Carris, ocorreu no dia 03 setembro e provocou 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

A nota informativa do GPIAAF referia que o tipo de cabo presente neste ascensor era usado “há cerca de seis anos”, mas essa informação foi clarificada no relatório preliminar, com a indicação de que esse tipo de cabo era utilizado desde “dezembro de 2022”, acrescentando que o mesmo não respeitava as especificações da Carris, nem estava certificado para uso em transporte de pessoas.

A data inicialmente divulgada quanto ao uso deste tipo de cabo apontava para 2019, o que responsabilizava a anterior gestão da Carris, assim como o anterior presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), uma vez que o município é o acionista único desta empresa de transporte público.

Perante a notícia do Expresso, a atual administração da Carris – sob liderança de Pedro de Brito Bogas, que apresentou a demissão na quarta-feira, renúncia que foi aceite pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD) – esclareceu hoje que “nunca prestou a informação aludida na notícia, desde logo porque na altura se encontrava a apurar a factualidade referente à aquisição do cabo”.

“Os referidos dados não constam da vastíssima documentação que a Carris remeteu ao GPIAAF, no âmbito da investigação. O conselho de administração da Carris não foi, até à data, inquirido pelo GPIAAF no âmbito da investigação”, indicou a empresa municipal, em comunicado.

A Lusa tentou uma reação por parte do gabinete do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), que remeteu para a Carris.

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