CHEGA confronta Miranda Sarmento: “Os portugueses vão pagar mais impostos”

Pedro Pinto acusa Governo de enganar os contribuintes portugueses e de não baixar impostos.

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A apreciação da proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) começou esta sexta-feira na Assembleia da República, com a audição do ministro de Estado e das Finanças, Miranda Sarmento. O momento foi marcado por um confronto entre os deputados do CHEGA e o titular da pasta das Finanças, centrado no tema dos impostos, da receita fiscal prevista para o próximo ano e na ausência de medidas concretas de alívio para as famílias.

O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, abriu o debate com uma crítica direta ao Governo: “Os portugueses querem é saber se vão pagar menos impostos. Onde é que os portugueses vão sentir, no bolso, a redução dos impostos?”, questionou.

O deputado foi mais longe, acusando o Executivo de Luís Montenegro de duplicidade: “Os portugueses vão pagar mais quando forem a uma bomba de gasolina. A verdade é esta: os impostos vão aumentar, porque os portugueses vão pagar mais. Este Governo dá com uma mão e tira com as duas. É o xerife de Nottingham: tira aos pobres para dar aos ricos. Este Governo engana os portugueses.”

Também o deputado Eduardo Teixeira, do CHEGA, reforçou as críticas, afirmando que “este Orçamento representa a estagnação do país”. Na sua intervenção, sublinhou que o documento “traz muito mais receitas à custa do aumento dos impostos” e alertou que “a fatura será paga pelos portugueses, pesando de forma significativa no bolso das famílias”. O deputado do CHEGA questionou ainda “como é possível que o Governo preveja aumentar os custos com os gabinetes”, acusando o Executivo de aumentar “as gorduras do Estado”.

Em resposta, Miranda Sarmento defendeu o documento, garantindo que “a proposta de Orçamento não aumenta nenhum imposto” apesar da receita fiscal prevista para o próximo ano disparar em algumas áreas.

Apesar da explicação, o CHEGA considerou as respostas do ministro insuficientes e pouco convincentes, insistindo que, na prática, “os portugueses continuarão a sentir a pressão fiscal em todos os setores essenciais”, desde os combustíveis à energia e alimentação.

O debate ao Orçamento do Estado prossegue nas próximas semanas, culminando com a votação final global agendada para 27 de novembro.

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Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.