CHEGA quer suspensão imediata de manual sobre acompanhamento de reclusos trans

O Grupo Parlamentar do CHEGA apresentou na Assembleia da República um projeto de resolução que recomenda ao Governo a suspensão imediata do Manual de Recomendações Técnicas Relativo ao Acompanhamento de Pessoas Transgénero Privadas de Liberdade, aprovado em 2022.

© D.R.

O partido considera que o documento é “desadequado” à realidade dos estabelecimentos prisionais e que coloca em risco a segurança de guardas e reclusos.

Na exposição de motivos, o CHEGA argumenta que as prisões devem assegurar “segurança, ordem e dignidade” e que o Estado tem a obrigação de garantir condições de trabalho adequadas aos guardas prisionais e proteção para todos os reclusos.

O partido cita um caso recente envolvendo uma reclusa trans de 48 anos, condenada por vários crimes de furto e agressões, que terá atacado um guarda e mostrado comportamento violento para com outras detidas. A situação reacendeu críticas do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, que acusa a reclusa de usar a sua suposta identidade de género para “evitar o sistema prisional masculino”.

O documento critica várias orientações do manual em vigor, nomeadamente a possibilidade da pessoa trans se apresentar e expressar de acordo com o género com que se identifica, bem como a consideração da vontade do próprio recluso na decisão sobre o estabelecimento prisional ao qual é afeto.

Segundo o CHEGA, estas normas criam dificuldades operacionais, obrigam guardas a preocupações “em nada relacionadas com o seu papel” — como o uso de pronomes preferidos — e permitem que alterações na identidade de género tenham impacto direto na transferência de reclusos.

O partido considera ainda que a convivência entre reclusos com “fisionomias corporais completamente diferentes” pode gerar insegurança e potenciais casos de vitimização ou abuso, argumentando que os motivos para separar homens e mulheres em ambiente prisional “não desaparecem pela simples vontade do arguido”.

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