“Quando acordarem, vai ser tarde demais”: Proposta do CHEGA para travar verbas públicas para mesquitas considerada inconstitucional

A Comissão de Assuntos Constitucionais chumbou a iniciativa do CHEGA para impedir financiamento público a mesquitas, classificando-a de inconstitucional. Ventura reagiu e avisa que Portugal “está a fechar os olhos ao radicalismo islâmico até ser tarde demais”.

© Folha Nacional

A proposta do CHEGA para travar o financiamento público de mesquitas foi declarada inconstitucional pela Comissão de Assuntos Constitucionais, que esta quinta-feira rejeitou a iniciativa ao considerar que viola princípios fundamentais da Constituição. A decisão, tomada horas antes do arranque da votação do Orçamento do Estado para 2026, reuniu o apoio de PS, PSD, PCP, Livre e JPP. O CDS-PP absteve-se e apenas o partido proponente votou contra.

A decisão da Comissão de Assuntos Constitucionais, porém, não travou a resposta do Presidente do CHEGA, André Ventura, que acusou o Parlamento de ignorar uma ameaça crescente e de transformar qualquer tentativa de regulação em tema proibido.

“O CHEGA quer apenas impedir que o dinheiro dos portugueses seja usado para construir mesquitas e centros de doutrinação do radicalismo islâmico. Isto está a ser um problema pela Europa toda: na Suécia, França, Bélgica, Alemanha. E Portugal continua a fingir que nada acontece”, afirmou o presidente do segundo maior partido.

Ventura sublinhou que a proposta é menos intrusiva do que o que vários países europeus já aplicam: “Nem sequer pedimos mecanismos de controlo como fizeram outros países. Estamos apenas a dizer que não deve haver um cêntimo de dinheiro público para isto. Mas até isso é considerado inconstitucional.”

O líder da oposição acusou ainda o país de caminhar para um cenário de risco: “Neste país não se pode fazer nada. É tudo inconstitucional. Quando acordarem para o problema de haver muçulmanos radicais em todo o lado e perceberem que a nossa segurança está em perigo, vai ser tarde demais. Hoje foi mais um passo nesse caminho.”

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.
O líder do CHEGA criticou hoje a “estratégia caricata” de Luís Montenegro de “recusar em público” as principais exigências do partido para rever a lei laboral, mas sem se excluir das negociações.
Demitiu-se do cargo, na sexta-feira, o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro. Foi o seu segundo pedido de demissão apresentado no espaço de um mês.
O presidente do CHEGA afirmou esta sexta-feira que “o bloco central de interesses” continua a impedir o apuramento da verdade sobre as FP-25, defendendo no Parlamento que Portugal continua sem conhecer toda a verdade sobre um dos períodos mais polémicos da democracia portuguesa.
O Parlamento aprovou hoje na generalidade uma recomendação do CHEGA que propõe ao Governo a transformação do Dia da Defesa Nacional em semana.
O Conselho Nacional do CHEGA propôs a rejeição da reforma laboral e da reforma do Estado, apresentadas pelo Governo, considerando que estes diplomas "não podem contar com o voto favorável" do partido.
O presidente do CHEGA pediu aos militantes, na intervenção de abertura do Conselho Nacional do CHEGA, responsabilidade e união, propondo que o partido se junte "por Portugal nestes próximos meses”.
O líder do CHEGA diz que mais de 90% dos contratos públicos podem escapar ao controlo prévio e acusa PSD e PS de enfraquecerem a fiscalização do dinheiro dos portugueses.
Os alertas surgem numa altura em que continuam a multiplicar-se investigações relacionadas com corrupção, contratação pública e utilização de fundos públicos em Portugal.
Raul Cunha, ex-presidente da Câmara de Fafe, eleito pelo PS, e membros do antigo executivo municipal vão responder em tribunal por alegados crimes ligados a contratação pública e negócios com uma cooperativa participada pelo próprio município.