Agricultores irlandeses e espanhóis protestam contra acordo UE-Mercosul

Milhares de agricultores juntaram-se este sábado, dia 10 de janeiro, em Athlone, no centro da Irlanda e em Ourense, Espanha, para protestar contra o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul, de acordo com as agências AFP e EFE.

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Cartazes com “Não ao Mercosul” e “Apoio à agricultura irlandesa” estavam pendurados em alguns dos muitos tratores que convergiram para a pequena localidade situada a meio caminho entre Dublin e Galway, no dia seguinte à aprovação do acordo pela Comissão Europeia, ao qual o Governo irlandês se opôs.

Já em Espanha, cerca de 100 agricultores subiram aos seus tratores e bloquearam este sábado a autoestrada A-52, em Trasmiras (Ourense), no quilómetro 188, em protesto contra o acordo, que consideram prejudicial para o setor primário e para os consumidores.

A mobilização, segundo os promotores, visa pressionar as administrações com o objetivo de conseguir a proteção do setor agro-pecuário galego. A Guarda Civil informou que a autoestrada está interditada em ambos os sentidos, estando bloqueada por veículos, paus, rolos de palha e pneus queimados.

Dezenas de agricultores enfurecidos protestaram durante a semana em frente ao parlamento francês, após conduzirem cerca de 100 tratores até Paris, e em Espanha, houve protestos em cidades como Tarragona, Santander e Vitoria-Gasteiz, enquanto Bruxelas também foi palco de manifestações.

Diversos grupos de agricultores alemães protestaram esta quinta-feira contra o acordo, bloqueando as estradas em vários pontos do país, incluindo algumas vias de acesso à capital, Berlim, enquanto na Grécia os agricultores intensificaram os protestos em todo o país, iniciando um bloqueio de 48 horas nas principais estradas.

O acordo comercial celebrado pela União Europeia com os países do Mercosul será assinado no Paraguai a 17 de janeiro, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros argentino.

“Vamos assinar um acordo histórico a 17 de janeiro no Paraguai, o mais ambicioso entre os dois blocos”, disse o ministro Pablo Quirno na rede social X.

Este acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.

O Brasil, a maior economia do bloco sul-americano, é um forte entusiasta do acordo, dado que o país é uma grande potência agrícola.

Inicialmente, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, esperava que o tratado fosse assinado em dezembro na cimeira do Mercosul, na cidade de Foz do Iguaçu, no sul do Brasil, quando Brasília detinha a presidência rotativa do Mercosul.

Mas a assinatura teve de ser adiada devido a divisões europeias.

O acordo UE-Mercosul permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.

No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.

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