Comprar casa em Portugal exige, em média, o equivalente a 28,5 anos de rendas, um valor que expõe de forma clara a profundidade da crise habitacional e o crescente desequilíbrio entre os preços de venda e o mercado de arrendamento. Os dados constam de um estudo divulgado esta quinta-feira pelo Imovirtual.
A análise, assente no rácio entre o preço médio de venda e o valor anual das rendas, revela que 25 dos 29 territórios analisados — abrangendo distritos do continente e as regiões autónomas — apresentam indicadores superiores a 25 anos. Um sinal inequívoco do esforço financeiro cada vez mais pesado associado à compra de habitação e das assimetrias persistentes entre o litoral, o interior e as ilhas.
À escala internacional, rácios entre 20 e 30 anos são já considerados elevados. Em Portugal, a média nacional aproxima-se perigosamente do limite máximo desse intervalo, colocando o país num contexto de elevada exigência para quem procura casa própria. O efeito é evidente: para milhares de famílias, a compra tornou-se praticamente incomportável, empurrando uma fatia crescente da população para o mercado de arrendamento.