“Vim despertar leões”: Ventura assume rutura total com o sistema

Sob um clima de confronto desde o primeiro minuto, André Ventura entrou na entrevista da RTP a defender-se de perguntas polémicas e a virar o jogo político: da controvérsia inicial à mensagem central, o candidato deixou claro que a segunda volta é uma escolha sem meio-termo.

© Folha Nacional

Durante a entrevista desta quarta-feira na RTP, André Ventura, presidente do CHEGA e candidato às eleições presidenciais, enfrentou um arranque marcado por perguntas de tom crítico e insistente sobre alegadas ligações de militantes do partido a um grupo extremista — um tema que dominou os primeiros minutos da conversa. O candidato afirmou não ter conhecimento dessas situações, reiterou tolerância zero à violência e sublinhou que participava na entrevista “na qualidade de candidato presidencial, e não como líder partidário”.

Ao longo da entrevista, Ventura procurou recentrar o debate no plano político e institucional, reduzindo a segunda volta das presidenciais a uma escolha clara: “socialista ou não socialista”. Mostrou-se confiante no apoio do eleitorado social-democrata e lançou um desafio direto ao primeiro-ministro, defendendo que não há espaço para ambiguidades: “Não pode ficar em cima do muro”.

O líder do segundo maior partido criticou ainda declarações públicas de apoio ao seu adversário e interpretou a aproximação de antigos dirigentes da direita a António José Seguro como reflexo do “medo da mudança”. Rejeitando a ideia de vitimização, afirmou que a sua candidatura visa mobilizar o país para uma rutura política: “Vim despertar leões, não guiar cordeiros”.

Questionado sobre o papel do Presidente da República, André Ventura defendeu uma magistratura de influência ativa e exigente, afastando o modelo de chefe de Estado simbólico. Garantiu que, se eleito, será particularmente rigoroso com o Governo na área da Saúde, prometendo exigir responsabilidades políticas sempre que falhem respostas essenciais aos cidadãos.

No plano internacional, Ventura afirmou que Portugal deve assumir uma postura firme e digna, salvaguardando o interesse nacional e mantendo alianças estratégicas tradicionais. Rejeitou o envio de tropas para cenários de guerra ativa e encerrou com a mensagem que tem marcado a sua campanha: “Portugal em primeiro lugar”, defendendo reformas, exigência e uma rutura clara com o passado político recente.

Últimas de Política Nacional

O valor de referência do Rendimento Social de Inserção (RSI) vai aumentar 5,33 euros, segundo portaria hoje publicada.
Pontes, barragens e outras infraestruturas públicas críticas poderão vir a ser alvo de uma avaliação técnica urgente, caso seja aprovada uma proposta apresentada pelo CHEGA na Assembleia da República.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho acusou hoje governantes de viciarem concursos para altos cargos na administração pública, afirmando que "a maior parte das pessoas que concorrem sabe que já está tudo decidido antes do concurso ser feito".
O apuramento dos votos da emigração em 107 consulados, referentes à segunda volta das eleições presidenciais, deu a vitória a André Ventura com 50,81%, segundo os dados publicados pelo Ministério da Administração Interna (MAI).
O Ministério Público do Porto abriu um novo inquérito para investigar uma alegada discrepância entre o custo da casa em Espinho do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e as faturas emitidas pelos empreiteiros, noticia o Expresso.
O CHEGA apresentou na Assembleia da República um projeto de lei que prevê o fim da subvenção mensal vitalícia atribuída a antigos titulares de cargos políticos, através de um processo de redução progressiva do benefício ao longo de três anos, seguido da sua extinção definitiva.
O partido levou ao Parlamento uma proposta que limita a exibição de símbolos em edifícios públicos aos emblemas oficiais do Estado, afastando bandeiras ideológicas, LGBT ou associativas e reacendendo o debate sobre neutralidade, identidade e liberdade simbólica nos espaços públicos.
André Ventura, presidente do CHEGA, considera que o diploma do PSD sobre menores nas plataformas digitais é mais um passo na tentativa de controlar o pensamento e condicionar o futuro das próximas gerações.
A Transparência Internacional Portugal (TIP) contestou na quarta-feira as afirmações do Ministério da Justiça sobre avaliação das políticas anticorrupção em Portugal, e critica a ausência de uma nova Estratégia Nacional Anticorrupção (ENAC), que já deveria estar em execução.
Governo e os partidos chegaram hoje a um consenso para adiar o debate quinzenal parlamentar com a presença do primeiro-ministro, previsto para sexta-feira, para o próximo dia 19, disseram à agência Lusa fontes parlamentares.